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Uma adolescente astronauta

Girls, vamos conversar?! Diz aí qual é o seu maior sonho de vida? Consegue entender o que você precisa fazer para realizá-lo? (Isso já é um mega passo!) E identificar quais são os maiores limitadores? Se você é mulher já deve saber que naturalmente a cultura patriarcal, machista e sexista interfere e molda muitas de nossas vontades, desejos e perspectivas de vida. Ela pode até interferir nos sonhos de meninas e mulheres, a não ser que elas (nós!) se atrevam a ultrapassar essa barreira e lutem pelos seus sonhos mais bravamente que muitos dos meninos por aí. Agarrem a bandeira do feminismo e vamos à luta! Perceba que nem estamos falando aqui de um outro limitador muito agressivo, que é a desigualdade social. Só essa questão traria muitos outros artigos para refletirmos e conversarmos no blog das CsFs.

Vamos falar aqui de uma adolescente e um sonho: ela é Alyssa Carson, uma adolescente norte-americana de 17 anos que nasceu em Hammond, no Louisiana. E seu sonho surgiu aos 3 anos de idade quando assistia um episódio de The Backyardigans onde os personagens faziam uma missão em um planeta que está há 55 milhões de quilômetros de distância da Terra: o planeta Marte!

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Imagem do episódio de The Backyardigans visto por Carson aos 3 anos de idade. Créditos: TV TIME.

Pois é, ela quer ser astronauta e realizar uma missão no planeta vermelho! Agora vem a melhor parte da história: Carson já está sendo treinada pela NASA para, possivelmente, ser a primeira mulher a fazer uma expedição em Marte!!! [1]

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Alyssa Carson, a menina astronauta.Créditos: NASA Blueberry.

Com o apoio de sua família, aos 8 anos Carson foi registrada no United States Space Camp. Ela também foi a primeira pessoa a participar dos treinos da NASA na totalidade dos seus Space Camps, já que participou das formações no Space Camp de Laval (no Quebec) e no Space Camp de Esmirna (na Turquia). Alyssa Carson visitou os 14 Centros de Visitantes da NASA nos EUA e por isso foi a primeira pessoa a completar o Passaporte da NASA. A jovem astronauta frequenta a Baton Rouge International High School, onde aprende as disciplinas escolares em 4 línguas: chinês, inglês, francês e espanhol.  E se tornou embaixadora do projeto de vôos privados Mars One, que pretende estabelecer a primeira colônia de humanos em Marte. Teoricamente a NASA não aceita candidaturas de menores de 18 anos para participarem de seu Programa Espacial, porém Carson já se formou na Advanced Possum Academy, visto que sua missão acontecerá em 2030 e, por isso, há muito o que se fazer para sua preparação.

Em sua missão, será responsável com sua equipe por construir os primeiros módulos habitacionais em Marte e iniciar culturas que sustentem os humanos. Além disso, na missão da NASA para Marte em 2014, foram encontradas pequenas esferas no solo com vestígios orgânicos, podendo ser uma pista de vidas que já passaram por lá. Será que há mais vestígios orgânicos em Marte? Alyssa Carson poderá fazer estudos dentro desse tema. [2]

Com todo esse cenário ainda desigual nos dias atuais, podemos olhar para Alyssa Carson e encher o peito para falar que representatividade importa sim! Ver uma menina sonhar e viver a vida para realizar seu sonho precisa ser enfatizado para incentivarmos outras meninas.

O objetivo do compartilhamento dessa história é você abraçar a sua menina hoje e dizer bem firme a ela:

– Você pode ser astronauta, querida!

 

Referências:

[1]https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/07/menina-de-17-anos-pode-ser-primeira-pessoa-pisar-em-marte.html

[2]https://bit2geek.com/2018/07/09/blueberry-alyssa-carson/

 

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Eventos acadêmicos e representatividade das cientistas

A universidade, por ser um local de produção de conhecimento, é considerada por muitos como um ambiente privilegiado, onde supostamente imperaria um pensamento crítico. No entanto, a universidade não é uma instituição descolada do contexto social no qual está inserida. Também os pesquisadores que a integram são pessoas que vivem em uma sociedade onde não há igualdade de gênero e, muitas vezes, acabam reproduzindo, no ambiente acadêmico, atitudes e pensamentos sexistas.

A reprodução de comportamentos sexistas ocorre frequentemente em eventos acadêmicos, como congressos, seminários, palestras, etc. Não é incomum depararmo-nos com mesas compostas exclusivamente por palestrantes homens, mesmo existindo mulheres especialistas nos temas que estão sendo debatidos. Veja-se, por exemplo, o tumblr Congrats, you have an all male panel!

Esse quadro recorrente possui efeitos perversos na trajetória profissional das mulheres cientistas.

Em primeiro lugar, a falta de representatividade das mulheres em eventos acadêmicos pode servir para desestimular que jovens alunas sigam a carreira acadêmica. Há muito tempo os movimentos feministas vêm debatendo a importância de meninas e jovens se identificarem com modelos de mulheres fortes e independentes em filmes, livros, programas de televisão, etc. O mesmo acontece no campo da ciência. Para que as jovens sejam incentivadas a seguir a carreira acadêmica, é muito importante que possam reconhecer-se como possíveis profissionais da área. Ora, se essas jovens vão a um evento científico onde só há homens falando, como poderão se sentir representadas pelo campo e, portanto, incentivadas a seguir na carreira?

Além disso, a presença de uma maioria masculina em determinados eventos acadêmicos expressa uma característica mais profunda de nossa sociedade: a divisão entre público e privado. A sociedade patriarcal está estruturada em uma separação entre o público e o privado que relega as mulheres, predominantemente, à esfera privada, limitando seu espaço de fala no ambiente público. Essa estrutura social acaba sendo reproduzida no ambiente universitário: as mulheres ocupam postos de pesquisa, mas, muitas vezes, são preteridas para debater publicamente. Ou seja, também no meio acadêmico e universitário é mais difícil para uma mulher do que para um homem aceder a um lugar público de fala, de debate.

Diante desse quadro, algumas pessoas têm se mobilizado para garantir a representatividade das mulheres cientistas em eventos acadêmicos. Quando organizamos um congresso, um seminário ou uma palestra, é muito importante termos em mente a importância de montar mesas compostas também por mulheres. E isso não somente em eventos que debatem gênero, história das mulheres, saúde das mulheres ou qualquer outro assunto diretamente relacionado às mulheres. É fundamental termos mulheres debatendo todos os temas, não apenas aqueles que discutem especificamente temas “de mulheres”.

Além das iniciativas individuais, também é necessário começar esse debate no ambiente universitário, inclusive nos espaços mais institucionalizados, como conselhos, reuniões departamentais, etc. Para que esse quadro de desigualdade de gênero se reverta, as iniciativas individuais não bastam. São necessárias políticas institucionais, como, por exemplo, exigência de mulheres em mesas para concessão de financiamento para eventos.

A igualdade de gênero não é algo inerente à supostamente “ilustrada” academia. É um ideal pelo qual as mulheres cientistas devem lutar cotidianamente. Nessa luta, a batalha pela representatividade e pela ocupação de lugares de fala é fundamental. Somente com mulheres ocupando espaços públicos de debate poderemos alcançar um ambiente verdadeiro igualitário nas universidades.