0

O laboratório e o dia-a-dia – Parte II: O que um cientista faz com aquilo que ainda não conseguiu explicar?

Na parte 1 do artigo, conversamos um pouco sobre variáveis dependentes e independentes, falseabilidade e sobre alguns dos objetos de estudo da ciência, e sobre como evitar uso de explicações não consistentes ou não verificáveis dentro do aparato teórico que já temos, evitando extrapolações de afirmações sobre as causas dos fenômenos que estamos estudando. 

Em resumo, queremos evitar misturar afirmações que são verificáveis na prática com conceitos abertos e subjetivos que não temos como verificar, já que esta mistura pode tanto atribuir uma falsa credibilidade científica a pensamentos que estão fora do escopo da ciência (como a existência do sobrenatural) quanto limitar a investigação de um fenômeno complexo através do uso de hipóteses que buscam unicamente cobrir buracos que a teoria ainda não explicou, o que chamamos de hipóteses ad hoc.

Não é só fora do léxico científico que acontecem falhas lógicas para explicar fenômenos. É muito comum, especialmente em manchetes de revistas não especializadas que falam sobre a área de saúde, que se divulguem pesquisas que relacionam, por exemplo, determinados hábitos a doenças. Muitas destas relações possuem de fato fundamentação e uma teoria coerente que as suporta, mas muitas vezes o fenômeno ainda não foi completamente desvendado, ou mesmo está sendo estudado através da observação de padrões que não necessariamente possuem relevância estatística ou relação de causa-consequência, como já foi ilustrado neste artigo.

Muitas vezes também, a chamada da revista que menciona a pesquisa faz um recorte muito reduzido do que a pesquisa realizou de fato, ou menciona números de casos de determinada doença sem mencionar a proporção na população. Daí a importância de não se ater aos títulos e de procurar outras fontes antes de, por exemplo, começar aquela nova dieta que vai te ajudar a evitar rugas, emagrecer e prevenir o câncer.

Alguns fenômenos são bastante complexos e envolvem situações impossíveis de serem reproduzidas em laboratório, até porque nem todas as variáveis são conhecidas. Alguns envolvem uma complexidade que é controlável mas cujas relações estabelecidas não são necessariamente diretas.

Suponha que eu queira, por exemplo, estudar a relação entre o tamanho de uma sala onde uma festa está acontecendo e a probabilidade de alguém quebrar um copo de cerveja. Talvez a chance de algum premiado espatifar um copo esteja relacionada com outros fatores, como a faixa etária dos convidados, a proporção entre homens e mulheres e até mesmo os tipos de cerveja que estão sendo servidas. Mas se queremos descobrir se pode existir um modelo que relacione apenas a probabilidade com a área livre da sala, ignorando todas as demais variáveis (conhecidas e desconhecidas), estamos analisando a probabilidade como variável dependente e a área livre da sala como única variável independente.

Qual a relação entre o tamanho da sala e a chance de alguém quebrar um dos copos? Crédito: Daniel Valverde/pixabay.

Pode ser que, após estudar muitas festas e muitas salas, eu chegue a um padrão que pareça relacionar de forma consistente as duas variáveis. Tudo deve passar por testes estatísticos criteriosos e, mesmo que a relação passe por todos estes testes, dificilmente teremos uma explicação de fato para as causas da relação entre quebra de copos e o tamanho da sala. Além disso, pode haver ligação entre vários fatores que foram ignorados (por exemplo, o tamanho da sala pode interferir a quantidade de pessoas que serão convidadas para a festa, que vai interferir no número de copos que serão quebrados, ou ainda pode ser que os dados que foram disponibilizados não tenham levado em conta a faixa etária e o poder aquisitivo dos anfitriões, ou mesmo se foram utilizados copos de plástico no lugar de copos de vidro). 

Para que se desenvolva de fato um estudo, tese ou teoria sobre como o tamanho da sala influencia na quantidade de copos quebrados, não basta achar correlações entre números.  O papel do cientista aqui é apresentar um olhar crítico sobre a relação encontrada e, se for o caso, propor abordagens do problema que tenham embasamento teórico a partir do trabalho já realizado por outros cientistas, levando em consideração todas as variáveis conhecidas e propondo, quando for o caso, a influência de variáveis que não foram levadas em conta, que poderão ser então verificados por outros cientistas.

Enquanto não houver nenhum resultado baseado em evidências e verificável por outros cientistas, ainda não se está fazendo ciência. Ou seja, se eu encontrar uma relação mágica entre os tamanhos das salas e o número de copos quebrados na festa, esta relação só passa a ser cientifica se ela puder ser posta à prova por outras pessoas em condições rigorosas e reprodutíveis. Isto não quer dizer que teorias científicas constituem a verdade absoluta, ou que elas proporcionem respostas sobre todas as causas dos fenômenos estudados, mas sim que aquele é o ponto máximo a que se pôde chegar, neste momento, a conclusões com o máximo de rigor possível utilizando-se o pensamento racional.

Trata-se de um trabalho cumulativo, lento, colaborativo e que exige tempo e muita verificação e senso crítico para se consolidar e gerar aplicações para a sociedade e para outras áreas da ciência.

 

 

Anúncios
0

“Game of Genomes”, por Carl Zimmer

Carl Zimmer é um jornalista científico, autor de diversos livros na área científica e colunista do New York Times desde 2013. Convidado por um pesquisador geneticista, Dr. Robert Green, Carl aceitou ter o seu genoma sequenciado. Após o primeiro genoma humano ter sido sequenciado, em 2001, qualquer um pode escolher sequenciar o seu genoma. No entanto, as poucas pessoas que fazem isso de fato só tem acesso aos resultados que buscam por marcadores genéticos de algumas doenças características, como câncer ou a doença de Huntington. A diferença no caso do jornalista, é que ele teria acesso aos dados crus da sequência do seu genoma. O que isso significa? Que além de descobrir se possuía alguma predisposição genética para alguma dessas doenças, ele poderia fazer uma análise mais completa e não usual desses dados. Isso necessitou da ajuda de diversos pesquisadores especializados em genética, é claro.

Além de aprender sobre si mesmo, Carl descreveu que com essa empreitada foi possível desvendar um pouco mais sobre o genoma humano em geral. Pedaços do DNA foram analisados evolutivamente, podendo concluir quais deles foram herdados dos homens-de-neandertal e como eles influenciam a saúde do jornalista.

Para divulgar sobre todo o processo do sequenciamento do genoma – desde os exames preliminares até as análises e conclusões finais – Carl Zimmer bolou uma série de posts, que ele nomeou de “Game of Genomes”. Além disso, ele separou cada post como forma de um episódio, totalizando em três temporadas, cada uma com um enfoque diferente. Em um primeiro momento, Carl descreve como surgiu a ideia – e o financiamento – desse projeto, além dos exames preliminares e os convites aos especialistas. Nas chamadas “Segunda Temporada” e “Terceira Temporada”, o jornalista se aprofunda nos detalhes das análises, sempre correlacionando tudo com a própria evolução humana.

Untitled

No “series finale”, Carl aponta que ainda existem muitos desafios para que o sequenciamento de genomas se torne uma ferramenta comum na medicina, pois ainda é uma técnica sujeita a muitas variações e erros. No entanto, cada genoma é importante e o conjunto pode ser relevante para o desenvolvimento de tratamento de muitas doenças.

Para ler todos os episódios e temporadas na íntegra, clique aqui:

Temporada 1

Temporada 2

Temporada 3

1

Nas linhas da Justiça: uma análise feminista dos acórdãos sobre violência contra as mulheres no Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Em agosto de 2016, a Lei de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, n° 11.340/06, mais conhecida como Lei Maria da Penha, completa 10 anos de promulgação. Uma das formas de avaliar a efetividade da Lei é a análise de sua implementação pelo Poder Judiciário[1], dado que este se conformou como instância relevante por, pelo menos, dois aspectos: (1) desde a década de 1980 os movimentos feministas e de mulheres demandam a responsabilização criminal dos agressores – tendo como primeira resposta do Estado a criação das delegacias especializadas de atendimento às mulheres a partir de 1985 (IZUMINO, 1998; PINTO, 2003); (2) as análises indicam serem ainda no Poder Judiciário, especialmente nas estruturas e processos atinentes ao Sistema de Justiça Criminal, os maiores entraves e constrangimentos para a implementação da Lei Maria da Penha (BRASIL, 2013; BRASÍLIA, 2015; MATOS, 2011; PASINATO, 2011, 2012).

Logo, algumas indagações podem ser apresentadas para que possamos entender de que forma o acesso à justiça pelas mulheres está se dando: quem são as pessoas que julgam esses casos? Isso envolve não apenas o sexo destas pessoas (que, como veremos, é extremamente destoante e impõem graves problemas democráticos), mas também a formação e carreira profissionais, além da interpretação que possuem das situações de violências de forma geral. De onde são as mulheres que procuram pelo sistema de justiça? Quais referências legislativas são as mais utilizadas pelo corpo jurídico em resposta a essas demandas? Qual período houve maior incidência de acesso à justiça por estas mulheres? O que explica isso? Aqui responderemos, mesmo que de forma ainda preliminar, algumas destas questões.

Para contemplar os processos históricos e contextuais que a criminalização da violência contra as mulheres percorreu no Brasil, o recorte proposto nesta pesquisa é para os anos de 1998 a 2015. Outro recorte proposto aqui é a escolha pelo Estado de Minas Gerais como caso a ser analisado, pois como evidenciou Matos (2011), neste estado as decisões se apresentaram sistematicamente desfavoráveis para as mulheres no ano de 2009. Além disso, alguns outros fatores como o tempo médio de tramitação dos processos de aproximadamente 819 dias (BRASIL, 2013), bem como a ausência de equipamentos importantes para o tratamento dos casos, como os juizados especiais, fazem-nos considerar que o tratamento à violência contra as mulheres, no estado, ainda está longe de ser uma prioridade.

Tendo em vista a grande quantidade de casos em tramitação nas instituições que compõem o sistema de justiça mineiro, optamos por analisar a segunda instância do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Esta escolha se deve ao fato de que, ao chegar nesta instância, os casos já tramitaram pelas outras instituições – como, por exemplo, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e as varas criminais especializadas de violência contra as mulheres. Apesar de o número reduzido de observações, se comparado ao total dos casos que tramitam no sistema de justiça, e dos acórdãos serem a ponta do iceberg (COACCI, 2013), estas informações nos dão uma boa visão sobre como os casos foram e ainda estão sendo julgados e interpretados pelos desembargadores de Minas Gerais.

A coleta dos acórdãos judiciais no site do TJMG foi realizada durante os dias 17, 18, 20 e 21 de dezembro de 2015, e também durante os dias 14 e 15 de janeiro de 2016 (para os acórdãos de 2015). Os resultados ora apresentados compõem a primeira parte de pesquisa, que consiste na descrição quantitativa dos acórdãos judiciais.

 

Gráfico 1: Número de acórdãos por ano

1 - ACÓRDÃOS POR ANO

Fonte: Elaboração própria a partir dos acórdãos coletados no site do TJMG

O gráfico acima apresenta a distribuição de acórdãos de violência contra as mulheres do Tribunal de Justiça de Minas Gerais entre 1998 a 2014. Foram coletados 2.708 acórdãos relacionados a “violência mulher” no período mencionado. O eixo X representa o ano em que o acórdão foi publicado no website. O eixo Y representa a quantidade de acórdãos julgados anualmente. Observa-se que o ano com maior frequência de acesso à segunda instância em casos de violência contra as mulheres foi em 2013 (492 acórdãos). Ademais, observam-se dois picos importantes. O primeiro é, naturalmente, o biênio 2007-2008,  que segue imediatamente a promulgação da Lei Maria da Penha, quando os casos de violência contra as mulheres passam a ser crime, não mais de menor potencial ofensivo.

O segundo pico (2011-2012) é o momento jurídico importante para a constitucionalidade da Lei. Cabe ressaltar que um ano após a promulgação da Lei Maria da Penha, no XXI Encontro do Fórum Nacional de Juizados Especiais, foi formulado um enunciado que contraria frontalmente o Artigo 41 da Lei Maria da Penha, além de considerá-lo como inconstitucional. Em resposta a ele: “É inconstitucional o art. 41 da Lei 11.340/2006 ao afastar os institutos despenalizadores da Lei 9.099/1995 para crimes que se enquadram na definição de menor potencial ofensivo, na forma do art. 98, I e 5º, I, da Constituição Federal” (NETO, COSTA, 2010). Em 2012, o Supremo Tribunal Federal julgou a Lei Maria da Penha como pacífica e constitucional, dando passos importantes para o caminho da criminalização definitiva da violência contra a mulher e ampliando as oportunidades de acesso à justiça às que sofriam desse tipo de violência. Uma das consequências diretas da pacificação da Lei Maria da Penha foi a ampliação do acesso de processos dessa natureza à segunda instância do TJMG.

Gráfico 2: Sexo do(a) Desembargador(a)

2 - SEXO

Fonte: Elaboração própria a partir dos acórdãos coletados no site do TJMG

 

É possível notar evidente sub-representação de mulheres no Poder Judiciário brasileiro. No TJMG tal situação não se difere de demais tribunais, bem como de outros espaços de poder, onde a presença de mulheres ainda se constitui baixíssima. O gráfico acima apresenta a expressiva diferença que há com relação ao julgamento dos acórdãos por desembargadores do sexo feminino e masculino.[2] Os 2.708 acórdãos foram julgados por 110 pessoas diferentes, sendo que destas, apenas 15 são mulheres e 95 são homens. A ausência de mulheres da alta magistratura e também do corpo jurídico como um todo não é apenas um problema formal, mas também um problema para a democracia. A inclusão de mulheres nestes espaços faz com que diferentes perspectivas sejam contempladas, mesmo não sendo composições eletivas a partir da participação cidadã (YOUNG, 2006). Os processos políticos – caso também do acesso à justiça – ganham com a participação de mulheres, – e também outras minorias, como negros, indígenas, LGBTs, tornando-se mais inclusivos e definitivamente, mais democráticos.

 

Gráfico 3: Comarca de origem

3 - COMARCA

Fonte: Elaboração própria a partir dos acórdãos coletados no site do TJMG

É preciso que uma ressalva seja feita com relação às informações apresentadas acima. Dos 2.708 acórdãos coletados, 844 não apresentam informação da Comarca de origem. Infelizmente, a falta de informação é uma realidade com a qual temos que conviver nos estudos sobre segurança pública e violência de forma geral, não restrito à questão da violência contra as mulheres. No entanto, a alta concentração de acórdãos judiciais da comarca de Belo Horizonte pode evidenciar fatores perversos sobre o acesso à justiça pelas mulheres em situação de violência no estado de Minas Gerais. A evidente concentração das varas criminais de violência contra as mulheres na capital, perfazendo um total de quatro órgãos desta natureza em Belo Horizonte, ademais, a criação dos Juizados Especializados de Atendimento às Mulheres em situação de violência, previsto pela Lei Maria da Penha, de critério e disponibilidade financeira do Sistema de Justiça para criá-los, infelizmente, ainda não ocorreu, evidenciando outro elemento desta omissão. Dito isto, não é de se espantar que os casos de homicídio de mulheres tenham aumentado no interior do estado e se mantido constantes na capital (WAISELFISZ, 2015). A ausência de aparatos estatais jurídicos especializados no atendimento às mulheres pode ser um dos fatores que fazem com que o tempo de tramitação dos processos seja extremamente elevado e a prevenção de mortes, insuficiente. Por fim, cabe ressaltar que as comarcas que seguem a de Belo Horizonte englobam municípios de grande porte e, possivelmente, aqueles que contam com instituições importantes (como as DEAMs, e centros de referência, por exemplos) na composição da rede de atendimento às mulheres em situação de violência.

Estes são dados preliminares a respeito da aplicação da Lei Maria da Penha em Minas Gerais. É preciso que reiteremos que ainda são informações iniciais e não conclusivas, de uma pesquisa em andamento. A título de conhecimento, as etapas que seguem envolvem (a) análise de conteúdo nos acórdãos judiciais e, por fim, (b) entrevistas com os desembargadores do TJMG. Tendo em vista que “a eficiência dos tribunais não está apenas na capacidade de dar respostas aos litígios que processam, mas na sua capacidade de dar respostas justas” (AVRITZER, et al, 2014: 19-20), é preciso que seja enfrentado o debate sobre o sistema de justiça e os entraves apresentados por ele a partir de pesquisas de cunho qualitativo. Portanto, trata-se de pensar as respostas jurídicas não a partir de suas lacunas teóricas, mas a partir de trabalhos empíricos sobre o Judiciário e os agentes sociais que neles atuam (AVRITZER, et al, 2014: 21-22). É preciso que investiguemos quais fatores têm interferido para que as mulheres neste estado não consigam efetivo acesso à justiça e reparação dos danos que vivenciam, qual seja a criminalização dos agressores ou afastamento destes dos lares ou das suas proximidades.

 

[1] O presente texto corresponde à parte da dissertação em elaboração no Programa de Pós-graduação de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais, sob orientação da Professora Doutora Marlise Matos.

[2] Para não correr o risco de tipificar o sexo de acordo com o nome, principalmente em casos de nomes unissex, todos os nomes foram checados no site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que apresenta foto, nome completo e demais informações do(a) Desembargador(a).

Referências bibliográficas

AVRITZER, Leonardo; MARONA, Marjorie; GOMES, Lilian (orgs.). Cartografia da justiça no Brasil : uma análise a partir de atores e territórios. – São Paulo : Saraiva, 2014

BRASIL. Lei número 11.340, Lei Maria da Penha, de 7 de agosto de 2006.

BRASIL. Secretaria de Políticas para as Mulheres. Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Brasília: Secretaria de Políticas para as Mulheres, 2013.

BRASÍLIA. A violência doméstica fatal: o problema do feminicídio íntimo no Brasil. – Brasília : Ministério da Justiça, Secretaria de Reforma do Judiciário, 2015.

COACCI, Thiago. A pesquisa com acórdãos nas ciências sociais: algumas reflexões metodológicas. In: Dossiê: Métodos e fontes de pesquisa em ciências sociais, 2013.

IZUMINO, Wânia Pasinato. Justiça e violência contra a mulher. O papel do Sistema Judiciário na solução dos conflitos de gênero. São Paulo : FAPESP/Annablume, 1998.

MATOS, Marlise et al. Acesso ao Direito e à Justiça Brasileiros na Perspectiva de Gênero/Sexualidade, Raça/Etnia: Entre o Estado e a Comunidade – Belo Horizonte: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, 2011.

PASINATO, Wânia. Identificando entraves na articulação dos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar em cinco capitais. Salvador: Observatório da Lei Maria da Penha, 2011.

PASINATO, Wânia. Acesso à Justiça e violência contra a mulher em Belo Horizonte – São Paulo. Annablume; Fapesp, 2012.

PINTO, Céli Regina Jardim. Uma história do feminismo no Brasil – São Paulo : Editora Fundação Perseu Abramo, 2003. – (Coleção História do Povo Brasileiro).

WAISELFISZ, Julio Jacobo. Mapa da Violência 2015: Homicídio de mulheres no Brasil. CEBELA/FLACSO. Rio de Janeiro, 2015.

YOUNG, Iris Marion. Representação política, identidade e minorias. Lua Nova, v. 67, p. 139-190, 2006.

1

Cura para o câncer: não foi dessa vez.

Quem acompanha, mesmo que esporadicamente, os noticiários, desde o ano passado ouve falar em fosfoetanolamina. O foco principal tem sido sobre a liberação de seu uso como medicamento para “curar o câncer”. As coberturas são bem polêmicas e muitas vezes são permeadas por sensacionalismos e relatos desesperados, deixando de lado a ciência que existe por trás da descoberta de novas substâncias de potencial medicamentoso. E é sobre essa ciência que vou falar hoje. Mas antes, segue um breve relato sobre a história da fosfoetanolamina.

A fosfetanolamina é uma amina primária encontrada naturalmente em tecidos animais e foi descoberta em 1936 por Edgar Laurence Outhouse, do Departamento de Pesquisas Médicas do Instituto Banting da Universidade de Toronto, Canadá. No Brasil, foi estudada a partir dos anos 90 pelo Dr. Gilberto Orivaldo Chierice, químico do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo. O resultado de um de seus estudos foi publicado em 2012 na “Anticancer Research” e é intitulado “Anticancer effects of synthetic phosphoethanolamine on Ehrlich ascites tumor: An experimental study” (Efeitos anticancerígenos da fosfoetanolamina sintética no tumor ascético de Ehrlich: um estudo experimental). Nesse trabalho, a conclusão foi a de que a fosfoetanolamina sintética, que vamos chamar apenas de FOS, apresenta potencial como candidato a droga anticâncer. Se existe potencial, então uma série de estudos adicionais deve ser realizada, a fim de obter informações que ajudem a confirmar esse potencial.

mecanismo fosfo

Mecanismo de ação da FOS sugerido pelos pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos (USP). O modelo ainda precisa ser confirmado em testes.

Para que uma substância chegue à confirmação de seu status como droga anticâncer, uma série de testes precisa ser feita e cada etapa é eliminatória, ou seja, com resultados negativos ou não satisfatórios os testes são encerrados. Esses testes visam garantir não apenas a eficiência e eficácia da droga contra a doença-alvo, mas também garantir sua segurança para uso humano. Os primeiros testes a serem realizados são chamados de pré-clínicos, ou seja, são testes realizados em laboratório. A substância é testada primeiramente em culturas de células (testes in vitro), onde são avaliados parâmetros como eficácia, toxicidade e porcentagem de morte celular, além de mecanismos de ação. Com resultados positivos, os testes passam a ser realizados em animais (testes in vivo) avaliando doses, ocorrência de efeitos colaterais, redução do tumor e taxa de sobrevivência dos animais. Apenas após essa série de testes é que a substância, caso tenha sua segurança e eficácia comprovadas, segue para a fase de testes clínicos, onde pacientes com câncer são selecionados para fazer parte dos estudos.

A etapa clínica de testes é crucial para a segurança das pessoas que, no futuro, podem vir a usar o medicamento com a substância estudada. Ela dura muitos anos e passa por quatro fases distintas. A fase 1 tem o objetivo de avaliar a segurança da substância em um pequeno grupo de pacientes (10 a 30). A fase 2 usa um grupo um pouco maior de pacientes, de 70 a 100, e verifica a eficácia e aprofunda o conhecimento sobre a segurança da substância. Na fase 3 é feita a comparação entre a nova substância e o tratamento padrão em um número maior de pacientes (100 a 1000). Chegando até essa fase e sendo comprovada a eficácia e segurança da substância, os resultados são enviados à ANVISA, para regulamentação e aprovação de comercialização. Tem então início a fase 4, na qual ocorre a chamada vigilância pós-comercialização, ou seja, o acompanhamento a longo prazo dos efeitos da medicação nos pacientes. Dados como efeitos colaterais, interações medicamentosas e estratégias de tratamento são coletados e analisados.

Entretanto, para a FOS sintética, esses dados são inexistentes, ou seja, a substância nunca passou pela fase de testes em humanos para que sua eficácia e segurança fossem comprovadas. Além disso, a fase pré-clínica de estudos é bastante incompleta, pois ainda há muito a ser descoberto sobre a FOS, como os mecanismos de ação, sua metabolização e excreção e interações medicamentosas.

A boa notícia é que para esclarecer de uma vez por todas as dúvidas pairando sobre essa substância, uma série de estudos foi encomendada em uma parceria do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC) e o Ministério da Saúde. Esses estudos estão sendo realizados por instituições nacionais de reconhecida excelência em pesquisa. Semana passada, foram divulgados três relatórios com resultados de estudos in vivo sobre os efeitos da FOS. A má notícia é que mais uma vez os resultados não são animadores.

Os estudos tiveram como objetivo avaliar o efeito da FOS sobre diferentes tipos de tumores in vivo, a saber: sarcoma 180 em camundongos Swiss, carcinossarcoma 256 de Walker em ratos Winstar e tumor xenográfico subcutâneo em camundongos nude. Os dois primeiros estudos foram realizados pela equipe de Odorico Moraes, do Laboratório de Oncologia Experimental do NPDM da Universidade Federal do Ceará e o terceiro foi realizado no CIEnP pelo grupo de Rodrigo Marcon.

Tanto para o sarcoma 180 quanto para o carcinossarcoma 256, após 10 dias consecutivos de tratamento, não foi observado efeito de inibição nos tumores dos animais tratados com FOS (dose de 1g/kg de peso corporal). Resultados semelhantes foram observados nos animais usados como controle negativo, que receberam apenas soro fisiológico durante o tratamento. Já nos animais que receberam ciclofosfamida, droga utilizada para tratamento de alguns tipos de câncer, não foi observado crescimento tumoral. Outro ponto importante a ser levado em consideração, é a dosagem utilizada. A ciclofosfamida foi usada na dose de 25mg/kg de peso corporal, dose 40 vezes menor do que a de FOS. Além de não haver redução do carcinossarcoma 256, em 7 dos 15 animais tratados com FOS, também foi observada a ocorrência de metástases pulmonares.

Já para o tumor xenográfico subcutâneo, as doses de FOS avaliadas foram de 200 e 500 mg/kg de peso corporal e o controle positivo foi feito com cisplatina na dose de 2mg/kg de peso corporal. Aqui também podemos observar que as doses de FOS utilizadas são muito maiores do que a dose do controle positivo. Durante o período de tratamento, apenas a FOS na dose de 500mg/kg foi capaz de reduzir em 34% o volume tumoral quando comparado ao controle negativo (que recebeu apenas solução de cloreto de sódio). Essa redução foi significativa, mas menor do que aquela obtida no tratamento com a cisplatina.

Os resultados dos testes anteriores também são negativos, e aqui segue um resumo do que foi apresentado:

– As cápsulas de FOS fornecidas pelo Instituto de Química de São Carlos foram testadas e não possuem a pureza alegada, de 95%, sendo na verdade uma mistura de compostos (fosfoetanolamina, fosfobisetanolamina e monoetanolamina);

– O processo descrito na patente não é capaz de obter os altos rendimentos de FOS pura descritos pelo grupo;

– A fosfoetanolamina e a fosfobisetanolamina não apresentaram atividade citotóxica ou antiproliferativa;

– O efeito citotóxico e a inibição de crescimento tumoral da substância monoetanolamina são 3000 vezes menos potentes do que os antitumorais cisplatina e gencitabina.

Esses resultados já seriam suficientes para interromper os testes com a FOS, porém o grupo de trabalho decidiu por prosseguir com mais alguns testes, utilizando outros tipos de células tumorais in vitro e tumores in vivo para avaliar de maneira mais detalhada a existência de atividade citotóxica e antiproliferativa da substância.

Um resumo sobre todos os resultados obtidos nas pesquisas até o momento pode ser encontrado no link abaixo:

http://www.mcti.gov.br/documents/10179/1274125/Relat%C3%B3rio+do+Semin%C3%A1rio+sobre+estudos+preliminares+da+Fosfoetanolamina+Sint%C3%A9tica+%28FOS%29/2ca3e868-e3be-491f-9301-ff7bb3ccb99d

Para mais detalhes sobre as pesquisas e últimas notícias sobre a FOS, acompanhe:

http://www.mcti.gov.br/relatorios-fosfoetanolamina

http://www.mcti.gov.br/fosfoetanolamina

http://www5.usp.br/tag/fosfoetanolamina/

1

Por que a Ciência Básica importa? Um olhar especial para a Biologia

Earthrise. Fonte: Nasa

Earthrise. Fonte: Nasa

Temos mania de dividir tudo em caixinhas didáticas, e na ciência não é diferente. Uma das discussões ainda bastante relevantes atualmente ocorre entre ciência “básica” e ciência “aplicada”. De forma geral e bastante intuitiva, entendemos por ciência “básica” (ou ciência pura, ou hard science) aquelas pesquisas que buscam entender como é o mundo e como tudo funciona, em sua essência. Já pesquisas que visam resolver questões práticas e cotidianas são classificadas como ciência “aplicada”, ou como alguns preferem dizer: aplicações da ciência.

No mundo acelerado em que vivemos, é fácil conseguir e justificar investimento em quase todo tipo de ciência aplicada, mas o incentivo pode ser extremamente difícil quando nos dedicamos à ciência básica – e com isso quero dizer tanto no aspecto financeiro quanto pessoal. Poucos entendem quando contamos que nos dedicamos a entender a história evolutiva dos peixes, ou como os hormônios de um sapo funcionam, ou como ocorreu uma formação geológica, ou ao desenvolvimento de equações matemáticas complexas.

Pesquisas em ciência básica não tem objetivo prático claro e definido com antecedência. No caso da ecologia, por exemplo, pesquisas básicas buscam entender a diversidade biológica, as interações entre organismos e entre os organismos e seu meio. Seu objetivo principal é o avanço do conhecimento, muitas vezes de forma exploratória, ou seja, sem saber ao certo os resultados que serão encontrados e quais suas possíveis aplicações – se é que existirão. Um dos objetivos centrais das pesquisas em ecologia básica envolve desenvolver, testar e aprimorar hipóteses e teorias, como a evolução através de seleção natural. Por outro lado, a ecologia aplicada é motivada por objetivos particulares bem definidos, e buscam resolver problemas ambientais como recuperação de áreas degradadas, invasão de espécies exóticas, desertificação… manejo de recursos naturais, de forma geral.

Entretanto, é preciso saber com clareza que um tipo de ciência não é mais ou menos relevante que outro. Mais que isso: a ciência aplicada não existe sem uma base sólida e um passado de exaustiva pesquisa básica. Eric Lander, neste vídeo, faz uma ótima analogia: a ciência básica pode ser entendida como troncos de árvores em uma floresta, enquanto as aplicações da ciência são como as folhas, nas pontas dos galhos. Se hoje é possível a fabricação de iPhones, que carregamos conosco o tempo todo, é devido a anos de pesquisa em diversos “troncos” da ciência – termodinâmica, química, geologia, estatística, inteligência artificial, física teórica, eletricidade, robótica… inclusive equações desenvolvidas por Einstein, sem que ele tivesse a menor ideia em que resultariam.

São incontáveis os exemplos de pesquisas básicas em Biologia que levaram a grandes desenvolvimentos e aplicações em áreas diferentes. Um exemplo clássico: ao estudar ervilhas, Mendel não imaginava que estava criando uma das grandes bases da genética. Mais recentemente, pesquisas que buscavam entender as causas da mortalidade do “rato-toupeira-pelado” (Heterocephalus glaber) levaram à  descoberta de mecanismos de defesa contra tumores. E a descoberta de um peptídeo com atividade antimicrobiana e antifúngica capaz de reduzir o crescimento dos principais agentes de infecções hospitalares foi possível através do estudo do pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus), cujo macho preserva peixes em seu estômago por cerca de 3 semanas para alimentar o filhote.

Como qualquer outra área de desenvolvimento, as pesquisas em biologia básica precisam de muitos recursos financeiros e humanos. Mas por trabalhar na base do conhecimento e por não ter aplicação prática definida, esse tipo de ciência cada vez mais perde esses recursos para pesquisas aplicadas. É preciso que a sociedade entenda a importância da ciência básica e a incentive, pois não sabemos os desafios que enfrentaremos no futuro. Especialmente no cenário atual de mudanças ambientais globais e perda de diversidade, a compreensão profunda dos problemas é o melhor caminho para encontrar uma saída – e possivelmente o mais seguro e barato. Decisões políticas precisam de predições seguras de ecólogos, baseadas em trabalho exaustivo de pesquisa de campo, laboratório e modelagem. E isso não se faz sem investimento.

Apesar de todas as bases para aplicações fornecidas pela ciência básica, os autores deste artigo discutem que a principal justificativa para desenvolver e incentivar essas pesquisas deve ser satisfazer a curiosidade, adquirir conhecimento e alcançar a compreensão. Por trás do “tiro no escuro” que é a pesquisa em ciência básica, está a motivação baseada em curiosidade, criatividade, inteligência, perseverança… e até sorte. Mas a curiosidade é seu maior motor. Há um certo desejo inato na maioria dos biólogos em compreender como sistemas complexos naturais funcionam – sejam as interações entre moléculas ou indivíduos ou populações. Explorar o mundo que nos cerca e compreender a natureza das coisas apenas pelo conhecimento é possivelmente uma das aspirações humanas mais antigas. E há beleza nisso.

Fontes:

Courchamp, F. et al. Fundamental ecology is fundamental. Trends Ecol. Evol. 30, 177 (2015).

0

A liberdade sexual também na prática científica

A liberdade sexual é um tema bem controverso por diversos motivos…. vai de encontro com preceitos religiosos, pode esbarrar em comportamentos éticos na convivência em sociedade e acalora debates quando colocado sob uma perspectiva evolutiva. Ou seja, um tema que pode ser discutido em diversas esferas e de diferentes modos. Aqui, decidi abordar sob um ponto de vista feminino e feminista e apontar a importância da ciência. Assim, gostaria de falar sobre: sabe aquela atração que a gente sente quando uma pessoa te chama atenção, aquela vontade de fazer sexo, aquele desejo de se tocar, de ter prazer? Não só os homens tem, as mulheres também! Apesar deles também buscarem a liberdade sexual, como o direito de discutir abertamente sobre seus desejos, nós, mulheres, ainda temos que passar por várias outras barreiras a mais que eles.  

Importantes conquistas rumo à essa almejada liberdade sexual ocorreram. A conquista dos anticoncepcionais como o DIU e a pílula é um exemplo, pois tornou possível desvincular o prazer sexual da procriação. Outra conquista que acredito já estar acontecendo, mas ainda lentamente, é as pessoas aceitarem a frequência e diversidade de parceiros que uma mulher pode ter ao longo de sua vida. Em tempos em que o objetivo de vida de uma mulher não é só ter filhos, a liberdade sexual é um importante aspecto em sua vida. Pois, sim, existe toda uma complexa neurobiologia responsável por recompensar o ato do sexo. Assim, o sexo por sexo é tão bom quanto (ou muito melhor se feito corretamente) comer uma deliciosa barra de chocolate ou correr 5 km no parque. Todas essas atividades ativam sistemas neurais como o sistema dopaminérgico e serotonérgico relacionados com sensações positivas.

blog                                                            Google imagens: Artemis Iota vel de Coitu Scholia Triviæ

Nesse processo de entender e aceitar a sexualidade da mulher muitos paradigmas podem ser quebrados, especialmente a partir de pesquisas científicas. Porém, nessa tentativa de explorar o mundo sexual alguns pesquisadores já se deram muito mal. Já ouviram falar do biólogo Alfred Kinsey? Ele conduziu uns dos primeiros grandes estudos sobre comportamento sexual de homens e mulheres entre a década de 40 e 50.  Mas foi muito criticado na academia e não reconhecido pelos seus estudos por muito tempo.

Felizmente, hoje em dia, temos muitas pesquisas sendo realizadas e a partir de diferentes perspectivas. Um interessante estudo procurou estabelecer se haveria uma explicação não adaptativa da ocorrência de cópula extra-par (que chamarei de infidelidade para facilitar) em mulheres. Um dos experimentos foi verificar se haveria relação da ocorrência de infidelidade e variabilidade genética de receptores de hormônios como a vasopresina e a oxitocina envolvidos em comportamentos de vínculos sociais (p. ex: empatia e confiança). Observaram, somente em mulheres, uma forte correlação entre variações no gene do receptor para vasopressina e uma maior frequência de infidelidade. Quais as conclusões disso? Claro, não é defender a infidelidade como algo natural, mas questionar as razões para que isso ocorra. Isto é, pensar a “pulada de cerca” como um comportamento influenciado por diversos fatores, não somente sociais e psicológicos, mas também biológicos. Outra importante observação é que a infidelidade não é um traço biológico somente masculino, contrário do que muitos pensam.

Outra pesquisa que põe em cheque algumas ideias foi uma realizada para verificar se as diferenças de comportamento sexual entre homens e mulheres não poderiam ser efeito de expectativas sociais sobre esse tipo de comportamento. Foi observado uma diferença, para mulheres, nas respostas em questionários de comportamento sexual dependendo do grau de anonimato. Isto é, parece que mulheres não se sentem muito à vontade para responder livremente quando podem ser julgadas. Além, é possível que o comportamento sexual de homens e mulheres não seja tão diferente, como alguns estereótipos ainda pregam.  

Assim, as pesquisas são importantes em diversos níveis. Pois, é conhecendo um pouco melhor de nós mesmas que vamos quebrando tabus e aceitando nossa natureza.        

Ainda estamos em uma época em que o sexo do casal é voltado para o homem e para sua satisfação. A menina ainda pensa se deve fazer sexo no primeiro encontro ou depois de outros para não se sentir promíscua. A mulher ainda se esforça, põe uma lingerie sexy, mesmo cansada, para não ser chamada de frígida ou para manter seu namorado interessado. Mulheres lindas e sexys ainda não se conhecem anatomica e sexualmente a ponto de saber seus pontos de maior excitação.Todas essas questões podem desaparecer no momento em que a sociedade se conscientizar e sermos criadas e tratadas normalmente como seres com libido. Por exemplo, quando a  auto-exploração do nosso corpo, como a masturbação, seja permitida e vista com normalidade. Nós temos e devemos fazer sexo porque gostamos, porque é delicioso ser tocada, beijada e explorada de forma consentida. E pronto! Sem peso na consciência!

 

Referências:

Zietsch et al. 2014. Genetic analysis of human extrapair mating: heritability, between-sex correlation, and receptor genes for vasopressin and oxytocin. Evolution and Human Behavior.

Alexander and Fisher. 2003. Truth and Consequences: Using the Bogus Pipeline to Examine Sex Differences in Self-Reported Sexuality. The Journal of Sex Research.

http://www.kinseyinstitute.org/research/ak-data.html