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O som das estrelas

O interior das estrelas ressonam como instrumentos musicais. E apesar de não podermos ouvir, somos capazes de medir as frequências acústicas de tais ressonâncias através de variações de brilho na superfície da estrela.

Imagem modificada. Fontes originais: NASA e Letra e Palavra.

 

As estrelas são muitas vezes retratadas na literatura como objetos brilhantes, chamas eternas, imóveis e imutáveis. E de todas as maravilhas que os poetas já nos fizeram imaginar sobre esses astros celestes a astronomia e a astrofísica também não ficaram atrás no quesito beleza poética: estrelas irradiam, giram, vibram, explodem, dão vida*. E também cantam!

Pera lá! Vamos explicar isso.

Estrelas são complexos objetos compostos de fluidos no estado de plasma (Plasma é um estado da matéria como sólido, líquido e gasoso). E, tal como qualquer fluido não estático, a superfície das estrelas está sujeita a constantes turbulências. Essas turbulências geram vibrações que podem se propagar pelo interior da estrela. Nem toda a vibração gerada na superfície consegue se propagar. Mas as que conseguem, criam oscilações ressonantes dentro da estrela! E são essas oscilações que estamos chamando de “som das estrelas”.

Tais oscilações ressonantes do ponto de vista físico são equivalentes às produzidas por um instrumento musical de sopro: o ar vibra no interior da flauta e o flautista escolhe as notas — as frequências ressonantes — que irão modular as vibrações. Essas frequências ressonantes (“notas”) propagadas no interior estelar dependem do tamanho, da densidade e da rotação da estrela. Ou seja, oferecem uma abundância de informações sobre o interior desses astros celestes!

Cada onda sonora que se propaga no interior estelar produz uma mudança ritmada no brilho da estrela. Suas frequências variam de alguns minutos (no caso de estrelas tipo o nosso Sol) para algumas dezenas de dias, no caso das gigantes vermelhas. Esse estudo em si não é novo (1985) e chama-se asterosismologia. E mais antigo ainda (1977) é o estudo de oscilações acústicas somente sobre o Sol: heliosismologia.

Acontece que o estudo da asterosismologia ficou por décadas restrito a algumas poucas estrelas. Até que isso mudou com a chegada dos telescópios espaciais CoRoT, em 2006 e Kepler, em 2009. Ambos projetos com o objetivo principal de procurarem por exoplanetas (veja referências ao fim do texto) e exatamente por isso capazes de medir sinais de baixa amplitude, como é o caso das ondas acústicas do interior estelar. Como resultado, produziram uma enormidade de dados para a asterosismologia!

Nunca antes foi possível obter dados sobre a massa, a densidade, a rotação e a composição de tantas estrelas! Saltamos de algumas dezenas para algumas centenas de estrelas com a variação de brilho mapeada. Nunca antes foi possível checar teorias de evolução estelar com tanta precisão, e nem modelos termonucleares de criação de elementos pesados!

E você futura astrônoma ou jovem astrônoma fique ligada nas próximas décadas que prometem revolucionar o estudo da evolução estelar. Por conta da “onda” de procura por exoplanetas, vários dos projetos de observação astronômica que serão lançados na próxima década também irão tomar inúmeros dados sobre ondas sonoras estelares.

Teremos por aí vários telescópios espaciais: o PLATO, PLAnetary Transits and Oscillations of stars, a ser lançado pela Agência Espacial Europeia (ESA) em 2024; e dois telescópios da NASA, o TESS, Transiting Exoplanet Survey Satellite e o JWST, James Webb Space Telescope, ambos com lançamento previsto para 2018. Além de  telescópios terrestres como o E-ELT (European Extra Large Telescope) da ESA, com início de operações previstas para 2024.

Lembrando que tem sempre muita coisa na ciência para produzir antes, durante e depois desses projetos. Então, aproveita que a hora tá boa para você, jovem maestra das estrelas! 😉

Nota:

* “Estrelas irradiam, giram, vibram, explodem, dão vida”. Vamos explicar a frase para não deixar ninguém boiando.

As estrelas irradiam luz no espectro visível (a luz amarela que vem do Sol, por exemplo) como em vários outros comprimentos de ondas eletromagnéticas. Na verdade, a maior parte irradiada não nos é visível. Daí o uso de telescópios e outros instrumentos para medir toda essa variedade.

Elas também giram em torno do próprio eixo de rotação e também transladam em torno do núcleo da galáxia a qual pertencem.

Como mencionamos no texto, estrelas vibram, expandem e se contraem por diferentes razões durante toda sua vida. Seja por conta de turbulências do plasma na sua superfície ou ressonâncias no seu interior.

E, sim, dependendo da fase da vida da estrela, ela explode para tentar restabelecer seu equilíbrio hidrostático. O final da vida de estrelas muito massivas é marcado pela explosão mais sensacional do universo (literalmente!) conhecida como supernova.

Por último, mas não menos relevante ou poético, no interior estelar são formados os elementos necessários ao surgimento da vida. Mesmo que existam formas de vida que não conhecemos, os elementos químicos fundamentais foram criados através de processos termonucleares dentro de estrelas ou através da sua explosão final.

Referências:

Para mais sobre exoplanetas:

Coluna Astronomia: Sistema Triplo e Aliens. Em Cientistas Feministas. 2016.

Feliz Aniversário, 51 Pegasi b!!!!! Em Cientistas Feministas. 2015.

Planetas gêmeos. Jodie Foster. Stephen Hawking e o escaneamento completo do nosso

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Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho: o que estes dados podem fazer pelo país?

De acordo com o SINAIT (Sindicato Nacional de Auditores do Trabalho), o Brasil alcança uma média de 700 mil casos de acidentes e adoecimentos ocupacionais, dos quais 3 mil resultam em óbito e mais de 14 mil em incapacitações permanentes. Hoje, os trabalhadores terceirizados representam 80% das vítimas e adoecimentos ocupacionais, ou seja, representam 12,7 milhões de trabalhadores. A aprovação da Lei 13.429/2017 permite a terceirização irrestrita e a prestadora de serviço é a responsável sobre seus direitos trabalhistas e gestão da Saúde e Segurança do Trabalho.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em colaboração com a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), lançaram o Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho com o intuito de promover o Trabalho Decente. A OIT denomina Trabalho Decente aquele que converge quatro objetivos estratégicos: liberdade sindical e reconhecimento efetivo do direito de negociação coletiva, eliminação de todas as formas de trabalho forçado, abolição efetiva do trabalho infantil e a eliminação de todas as formas de discriminação no emprego e ocupação.

O Observatório Digital de SST apresenta dados estatísticos de acidentes do trabalho, por exemplo, em sua página inicial há um contador de Total de Gastos da Previdência com Benefícios Acidentários, outro de Dias de Trabalho Perdidos com Afastamentos Previdenciárias, Acidentômetro (aqueles notificados com CAT) e mais um de Mortes Acidentárias Notificadas. Com a interface facilitada, a pesquisa pode ser realizada a partir das Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT) ou pelo Afastamento INSS, filtrando por estado, ano e especificações de cada caso. Os dados auxiliam no debate e na orientação de políticas públicas de prevenção a acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.

Os números altos podem assustar e o empregador pode tender a não fazer a comunicação do acidente do trabalho, talvez por desconhecer a obrigatoriedade de abertura da CAT por não considerar a ocorrência como acidente de trabalho, ou até mesmo como uma forma de “pedalar” os encargos trabalhistas que podem ser gerados. Porém, o empregador deve observar as normas básicas de saúde, higiene e segurança do trabalho, sendo a integridade física do trabalhador assegurada pela Constituição.

O objetivo do lançamento do Observatório, no dia 28 de abril, é informar, de modo a contribuir com novas iniciativas mais eficazes nas ações dos setores interessados. O futuro da plataforma é detalhar ainda mais o impacto dos acidentes e doenças para a economia, atividade produtiva e desenvolvimento humano. E, a partir dos resultados, fomentar soluções a fim de gerir a saúde e segurança do trabalhador de forma mais contundente, e não apenas relativizar a legislação e contorná-la para evitar as investigações e apuração dos dados.

Link Observatório: https://observatoriosst.mpt.mp.br/

FONTE:

Organização Internacional do Trabalho

“O massacre continua com milhares de vidas sendo ceifadas”. SINAT