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Os riscos da poeira para o trabalhador rural

Uma reportagem da BBC Brasil chamou atenção no dia 28 de agosto deste ano, sobre a morte de trabalhadores brasileiros soterrados em armazéns de grãos (Leia aqui a reportagem) . Dentre alguns exemplos, uma informação acende o alerta: o número de mortes por acidentes nestes locais teve alta de 140% em 2017 em relação ao ano anterior. Legislação preventiva existe, o país dispõe de uma Norma Regulamentadora específica para os trabalhadores rurais, a NR-31, com um parágrafo tratando apenas de Silos, 31.14.

Silos, armazéns de grãos.

 

Os riscos mais evidentes nestes locais são: de explosões, ergonômicos, de lesões no trato respiratório e do globo ocular, físicos e acidentes como quedas, estrangulamentos e sufocamentos. A fim de evitar acidentes fatais, a NR-31 prevê que o trabalho no interior do silo deve ser realizado por, no mínimo, duas pessoas, uma ficando na parte externa e ambos com cinto de segurança e cabo vida. Outro fator importante a ser tratado é o risco de explosão, inerente ao trabalho de receber produtos, armazenar, transportar e descarregar; a qual cada atividade produz poeira em concentrações e condições propícias para uma explosão. A temperatura de ignição da nuvem de poeira varia conforme o material armazenado, por exemplo, enquanto a Canela sofre ignição a 230ºC, o arroz a 450ºC. (Assista aqui um vídeo mostrando uma explosão em nuvem de poeira).

“A poeira aliada aos gases tóxicos e pesticidas ainda podem causar ao trabalhador rural desordens respiratórias, como rinite, sinusite, otite, asma brônquica, pneumonite” (Conheça mais sobre as doenças respiratórias). Ao se tratar de limites de tolerância da poeira, a Norma dos trabalhadores rurais é apoiada pela NR-15, sobre insalubridade. O anexo XII da NR-15 regulamenta os limites de tolerância para poeira minerais e os demais componentes podem ser encontrados nos anexos XI, XIII e XIV sobre limites de tolerância de agentes químicos e biológicos.

Porém, mesmo com uma legislação atualizada (2011) e completa, falta fiscalização. De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais, o número de profissionais ativos é o menor dos últimos 20 anos, temos 2305 auditores fiscais em exercício e 1339 cargos estão vagos. Com estes dados seria equivalente a um auditor fiscal a cada 14.621 trabalhadores com carteira assinada atualmente.

Conforme destacou a reportagem da BBC, são mortes evitáveis. Com gestão de riscos e de segurança e saúde do trabalhador, as terríveis estatísticas poderiam ser reduzidas e cada trabalhador ter sua vida e dignidade a salvo.

Referência

Silos: http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/silo.htm

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