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Organoides: os “miniórgãos” criados em laboratório.

Você já ouviu falar nos “miniórgãos”? Também chamados de organoides, essas estruturas estão sendo bastante estudadas atualmente, e não é de se espantar! Os organóides são estruturas tridimensionais originadas a partir de células-tronco ou células progenitoras (células com seu potencial de diferenciação completo e células já no início do processo de diferenciação em um tipo celular específico) e que se assemelham a um tecido original específico. Para que essas células se rearranjem corretamente e deem origem a um organóide cerebral ou intestinal, por exemplo, algumas especificidades serão atendidas durante a sua produção. Apesar de sua produção ainda ser estudada e aprimorada, muitos modelos organoides já estão sendo utilizados na pesquisa científica em busca de resultados que sejam fisiologicamente semelhantes a órgãos in vivo (ou seja, em um organismo vivo e funcional).

Modelos de intestino, estômago, pâncreas, fígado, próstata e cérebro já são utilizados em trabalhos que buscam respostas em relação a diversas doenças relacionadas a estes órgãos, além de serem modelos eficientes para estudos na área da medicina regenerativa (para saber mais sobre a medicina regenerativa clique aqui). Recentemente, a Dra. Patrícia Pestana Garcez, o Dr. Steves Rehen e sua equipe na UFRJ demonstraram a relação entre a microcefalia e o vírus da zika a partir de organoides cerebrais, os “minicérebros”. Com a utilização de organoides, as pesquisas zika-microcefalia continuam ativas buscando compreender o máximo desta relação e, consequentemente, encontrar soluções sempre que possível (para saber mais sobre o vírus Zika, clique aqui). Na Keio University, no Japão, o pesquisador Toshi Sato produziu germes dentários (estrutura embrionária que dá origem ao dente) a partir de organoides formados pelo conjunto de células-tronco mesenquimais e epiteliais e os implantaram em camundongos. A partir dos implantes, um novo dente foi eficientemente formado.

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Fonte:  Sousa & Resende, Bio&Tecnologia, Neurociência, Saúde, 2014.

Os organoides são um modelo muito atrativo, já que tem potencial para se assemelhar ao local de interesse de uma determinada área de estudo. Assim, as respostas observadas nas experimentações em laboratório serão mais próximas da realidade, o que é especialmente importante se o interesse da pesquisa é encontrar respostas e melhor compreender doenças, suas relações com fatores externos ou mesmo testes farmacológicos.

 

Referências

https://cientistasdescobriramque.com/2017/05/16/organoides-muito-mais-que-apenas-orgaos-em-miniatura/

Yin, X. et al. Engineering Stem Cell Organoids. Cell Stem Cell, 2015.

Sousa & Resende MODELO TRIDIMENSIONAL DE CÉREBRO HUMANO PARA ESTUDO DE DOENÇAS NEURODEGENERAGIVAS. Bio&Tecnologia, Neurociência, Saúde, 2014.

http://ciencia.estadao.com.br/blogs/herton-escobar/cientistas-brasileiros-mostram-que-zika-pode-matar-celulas-neuronais/

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