0

A seleção do mais amigável, ou como a genética influencia o comportamento dos cães

Quando se pensa em genética, imediatamente pensamos em como os genes influenciam a cor dos nossos olhos, do cabelo, ou seja, essencialmente características físicas. Dificilmente pensamos em como os nossos genes podem influenciar a maneira como nos relacionamos, nossa personalidade, e até como quanto sociáveis podemos ser. Um estudo publicado recentemente na Science pela Dra. vonHoldt e colaboradores mostra como alguns genes foram determinantes para conferir aos cães suas características mais amigáveis, e, portanto tornando mais fácil a relação entre a nossa espécie e a deles.

caes-diversas-racas.jpg

Neste estudo foi demonstrado que além dos cães possuírem o comportamento de olhar fixamente os olhos dos humanos– o que teria favorecido o estreitamento de laços entre as espécies – a sua capacidade de reagir amigavelmente teria favorecido a relação entre eles. Para esse estudo, foram comparados o comportamento de lobos (criados em cativeiro, possuindo contato com humanos) e cachorros). Foi observado que tanto os lobos quanto os cachorros cumprimentavam visitantes humanos, entretanto, o contato feito pelos cães tinha uma maior duração (comparando proporcionalmente aos lobos), assim como a habilidade de completar tarefas ligadas a resolução de problemas; ambos os parâmetros estão ligados ao estímulo social

À partir dessa observação, estudos genéticos comprovaram que diferenças nos cromossomos de cães e lobos podem ser responsáveis por essa característica – cachorros possuem genes específicos mais “interrompidos”, diferentemente dos lobos, que possuem um comportamento mais distante ou menos sociável. Essas descobertas corroboram estudos feitos em humanos com a síndrome de Williams-Beuren, uma desordem do desenvolvimento físico e cognitivo, que leva os portadores a se tornarem pessoas altamente confiáveis e amigáveis.

Esses resultados são importantes para corroborar a hipótese da “seleção do mais amigável”: em outras palavras, animais com características mais sociáveis foram selecionados e puderam se reproduzir, passando suas características para outras gerações. Essa hipótese é muito utilizada para explicar a domesticação dos cachorros, pois características sociáveis permitiram a formação de laços entre as espécies, favorecendo a convivência e permitindo aos cães obterem alimentos e cuidado com maior facilidade.

Anúncios