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Quando toca ninguém fica parado

O funk carioca e a identidade brasileira

As olimpíadas terminaram ao som de uma grande escola de samba. Samba. Gênero musical mundialmente conhecido como parte cultural do nosso país verde-amarelo. Ainda está fresco em nossa memória a festa que antecedeu os jogos olímpicos: teve MPB, samba, raízes históricas e funk. Sim, o funk carioca. E é por isso que resolvi escrever sobre isso.

Logo ao anunciarem que Ludmilla e Anitta iriam fazer parte da abertura das olimpíadas choveu comentários no Facebook menosprezando as cantoras, bem como o funk. Vi e ouvi muitos comentários dizendo que “onde já se viu colocar funk nas olimpíadas, tinha que ser MPB, Caetano, Maria Rita”. Ou: “já não basta o samba, ainda querem colocar funk?!”. Enfim, muitas pessoas indignadas com a presença do funk nas aberturas, afinal ele é parte da cultura “lixo” do Brasil. E só digo uma coisa: eu lamento muito por essas pessoas que disseram isso.

Ludmilla nas Olimpíadas aqui.

Dada a minha indignação (e opinião) inicial, resolvi utilizar esse espaço para demonstrar cientificamente, culturamente, argumentativamente e o mais racionalmente possível, o quanto esses comentários não fazem sentido nenhum, e só servem para estigmatizar e alimentar preconceitos contra o estilo musical. Para tanto, fiz uma leitura de diversas pesquisas e artigos que tratam sobre o tema do funk. Para a minha surpresa, haviam estudos datados da década de 1980, o que demonstra uma preocupação científica progressiva em compreender o fenômeno social e cultural. Portanto, a minha escolha não se baseou em apenas uma produção acadêmica, mas em vários pesquisadores que contribuíram e contribuem para ampliar os debates que cercam nossa realidade.


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Sou a história do funk, isso eu tenho que falar

A raiz histórica do funk está nos Estados Unidos, com o soul music e a mistura do blues e a música gospel, em meados dos anos de 1960 (VIANA, 2010). Segundo Medeiros (2006), James Brown é considerado o “pai do funk”, sendo que o termo era utilizado para designar o odor do corpo durante relações sexuais. No final da década, em 1968, a gíria “funky” perdeu o seu sentido pejorativo e passou a remeter ao orgulho negro – e tudo podia ser funk: desde uma roupa, até um jeito de andar e, é claro, o estilo musical (VIANA, 2010).

No Brasil, o gênero chega nos anos de 1970, na periferia do Rio de Janeiro. E assim como muitos estilos musicais, houve uma apropriação cultural do ritmo, que transformou algo norte-americano, em um novo estilo sonoro e híbrido. Viana (2010) salienta que o DJ Malboro foi um das principais figuras a construir um funk tipicamente brasileiro, com experimentações de bateria eletrônica e letras que retratavam a sociedade nacional.

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Xuxa e Dj Marlboro no programa Xuxa Park Hits. Foto: Site imguol.com

Em 1990, o funk toma o espaço midiático com o quadro Xuxa Park Hits, que contava com a participação do DJ Marlboro. E no mesmo período em que ganhava espaço público, o funk também era estigmatizado e difamado pelos meios de comunicação, através de argumentação de pânico moral e associação com atos criminosos que a música trazia (VIANA, 2010). Ainda assim, o funk continuou se expandindo e criando novas ornamentações, que configuram o que nós conhecemos hoje na música. 

Andar tranquilamente na favela onde eu nasci

Pedro Alexandre Sanches, no artigo “A luta do funk contra o preconceito”, publicado na Revista Fórum, diz o seguinte:

Esse gênero, na leitura mais habitual, tem a ver com diluição musical, sensacionalismo, exploração sexual, até apologia às drogas e ao crime nos chamados “proibidões”. Não são mentiras, mas são meias verdades, pois ficam na mais rasa superfície e elegem jogar foco apenas nos estigmas de sempre. Sob a bandeira da rejeição à precariedade musical de alguns funks, esconde-se a recusa em encarar e compreender as camadas sociais que os produzem (SANCHES, 2012).

O parágrafo sintetiza bem a disseminação do preconceito contra o funk. Os pesquisadores não negam, por sua vez, a conotação sexista e letras distorcidas na música. Todavia, Vianna (1988) discorre que essa alusão da música com a criminalização, aconteceu em parte nos bailes funks, desconhecidos pela elite carioca e demonizados pela mídia. Ao mesmo tempo em que estigmatizava o gênero, ele também ganhava espaço nos meios de comunicação, pois evocava o imaginário da sociedade (VIANA, 2010). Por isso, atualmente o gênero é conhecido como uma das mais significativas representações culturais do Brasil contemporâneo.

É som de preto, de favelado

Mas, então por que o funk ainda é tido como algo a ser combatido? Ok. Vamos por partes.

Primeiro, é necessário compreender o entendemos por CULTURA. Mil discussões antropológicas entrariam aqui, porque não há apenas um significado correto para o termo. Todos nós sabemos o que é cultura, só que não. Só que mesmo assim, insistimos em separar em ALTA CULTURA e BAIXA CULTURA. E é aí que está a chave da questão.

A alta cultura está sempre associada ao fator financeiro e intelectual. Algo visto como inferior, ou baixa cultura é aquilo que não atende às demandas das elites culturais/intelectuais/financeiras/sociais/blábláblá. Enfim. Não é preciso muito mais para perceber o porquê o funk passa a ser descaracterizado como algo legítimo da cultura brasileira. Voltamos ao início do texto: “Por que a Ludmilla e a Anitta na abertura, e não só os cantores de MPB?”. Praticamos algo chamado de etnocentrismo: temos uma visão de mundo da qual o grupo que pertencemos é tomado como centro de tudo e de todos, por meio de nossos valores, modelos e definições (ROCHA, 1988). Devemos parar de achar que a cultura é só aquilo que gostamos.

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REFERÊNCIAS

LOPES, A. C. Do estigma à conquista da autoestima: a construção da identidade negra na performance do funk carioca. Fazendo gênero. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, de 25 a 28 de agosto de 2008.

_________. A favela tem nome próprio: a (re)significação do local na linguagem do funk carioca. In: Revista Brasileira de Linguística Aplicada. V. 9. N. 2. Belo Horizonte, 2009.

MEDEIROS, J. Funk Carioca: crime ou cultura?. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2006.

ROCHA, E. P. G.O que é etnocentrismo?. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988.

SANCHES, P. A. A luta do funk contra o preconceito. Revista Fórum, 2012.

VIANA, L. R. O funk no Brasil: música desintermediada na cibercultura. In: Revista Sonora. V. 3. N. 5. UNICAMP. Campinas, 2010.

VIANNA, H. O mundo do funk carioca. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 1988.

__________. Funk e cultura popular carioca. In: Revista Estudos Históricos. V. 3. N. 6. Rio de Janeiro, 1990.

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Nós, que resolvemos falar

O machismo é naturalizado. A violência é diária e se manifesta de diversas maneiras.
Cada uma de nós têm uma história que não queremos contar

Deitada no sofá em um dia quente, eu tentava me encolher e esquecer tudo aquilo que tinha acontecido horas antes. Segurava o choro e pensava calada “não foi nada, você também pediu por isso”, afinal, ele era o bonitão do colégio, mais velho e qualquer menina teria gostado de ficar com ele. Só que eu não sentia a euforia do beijo, nem o frio na barriga, ou o calor nas bochechas. Na verdade, era o oposto de tudo isso. Era um misto de vergonha, culpa e pesar. Eu não sabia o que tinha acontecido direito, então me calei.

Deitada no sofá em um dia frio, eu lembrei desse episódio. Hoje, sei o que aconteceu comigo, e não comporto mais o sentimento de culpa, e também não acho que a garota de anos atrás era burra. Sinto-me mais uma vítima, agarrada a uma sociedade naturalizada do machismo, patriarcal, e que me obrigou a ter os sentimentos do passado. Não mais. Escrevo essas palavras de coração aberto, porque fui acolhida por tantas outras garotas que, como eu, foram vítimas e se calaram. E por que nos calamos? Nossa, é muito difícil responder. São tantas coisas… Vergonha? Medo? Culpa? Acho que tudo isso e mais um pouco.

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A cada 11 minutos, um a mulher é estuprada no Brasil. São cerca de 130 abusos por dia. Foto: Nayara Kobori

De acordo com dados divulgados pelo Banco Mundial, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil – o que resulta em 130 estupros todos os dias. E desses números, apenas 10% das mulheres violentadas denunciam o agressor. Isso sem contar os assédios (fiu fiu não é cantada, viu?), as tentativas de silenciamento, a subordinação da mulher pelo homem, etc.

Pois é. Somos todas filhas de Eva, a grande culpada pela desgraça do mundo. As histórias que vocês vão ler a seguir são de mulheres próximas do meu convívio, e que por trás de sorrisos, escondem muitas histórias. O pequeno trecho que relatei no começo do texto é apenas um. Somos muitas. Optei por não divulgar o nome das mulheres, por dois motivos: resguardar o direito dessas meninas (nunca é fácil falar sobre isso), e porque elas representam todas nós. São meninas sem rosto, mas que tem todos os rostos do mundo dentro delas.

Falar sobre mim

“Acho que a coisa mais difícil do mundo é falar sobre mim! Adoro conversar com as meninas e ajudar com tudo o que posso, sempre que posso. Eu tive um relacionamento que durou mais de dois anos, tinha acabado de fazer 15, quando comecei a namorar um rapaz que iria fazer 18 naquele ano. O meu “não” parecia graça para ele – não aceitava. Se mantinha insistente, até eu ceder. Começou com coisas bobas, por assim dizer, como sentar no colo, dar uns amassos mais quentes e tudo mais. Mas, foi evoluindo. Primeiro, houve insistência para masturbação, e eu sempre demonstrei meu desconforto. Eu não queria, mas ele queria. Eu era namorada dele, eu devia fazer isso, porque era o meu papel. Houve um dia em que ele me segurou com força pelos cabelos para que eu fizesse sexo oral nele. Foi aí que eu percebi que tinha muita coisa errada”.

Não vou receber ordens de mulher

 “Aqui no meio rural em que trabalho, eu tenho muita dificuldade às vezes pelo ambiente machista, em liderar e isso prejudica meu desenvolvimento profissional. Cheguei a ter um funcionário que se demitiu porque não aceitava receber ordens de mulher. A esposa desse funcionário veio esbravejando pra mim que só ela dava ordem pra ele (no meio rural, geralmente as famílias moram dentro da propriedade, a gente tem casa para isso). Depois disso, ficou insustentável! Levei o assunto pro meu pai (que é diretor) e o cara se demitiu porque não aceitava que fosse uma mulher a chefe direta dele. Meu pai fica do meu lado quando surge alguma questão assim. Mas, ele é daqueles que analisa a roupa pra não ~dar motivos para termos problemas~”.

Você me deixou muito irritado

“Meu namoro era sim abusivo, mas eu não sabia. Achava que era normal, me habituei à aquela situação. Mas, dentro de mim eu sabia que alguma coisa estava errada. O término foi desastroso. Eu acabei saindo com um cara uma noite só, daí meu ex descobriu. Estávamos em casa, quando eu fui tomar banho e ele mexeu em tudo no meu quarto, e aí soube que eu tinha saído com esse cara. Foi um inferno! Ele destruiu tudo onde colocou a mão e chegou a me bater, fiquei até desnorteada quando a minha irmã – por sorte – chegou e ele, com medo de dar alguma coisa mais errada, foi embora. Ele me perseguiu nas redes sociais por um bom tempo, pra me fazer sentir culpada, e com sucesso! Passei quase um ano me culpando por todo o relacionamento. E essa não foi a primeira vez que ele me agrediu. Houveram duas outras ocasiões em que eu deixei “muito irritado”. Eu simplesmente não sabia o que estava rolando, mas me sentia como se não tivesse valor nenhum. Eu tinha um medo sincero de apontar os erros que ele estava cometendo, por achar que eu o irritava. Então ficava na minha, porque afinal, ele era o único homem que me amaria pra sempre”.

É difícil sair de um relacionamento abusivo

“Eu tive um relacionamento que acabou este ano e durou dois anos e nove meses. Foi um relacionamento extremamente abusivo, mas no inicio eu não percebia isso, porque eu acreditava que certos comportamentos eram normais apesar de horríveis. Isso acontecia porque eu não sabia que merecia ter mais amor e respeito do que eu recebia, era meu segundo namoro e era a primeira vez que aparentemente eu estava sendo correspondida. O que as manas feministas precisam entender é que quem está em um relacionamento abusivo não sai dele rapidamente por diversos motivos. As pessoas pensam que esse tipo de relacionamento é ruim o tempo todo e que são só brigas, lagrimas e sofrimento diário, mas não é exatamente assim. Nele também existe companheirismo, carinho, etc. e é por isso que leva tempo para tomarmos coragem e sair, leva tempo para colocar na balança e perceber que presentes, flores, desculpas, ajuda na limpeza de casa, caronas para o médico não justificam mentiras, xingamentos, sexo não consensual, gaslighting, proibição de uso de roupa, proibição de ter amigos e frequentar festas. O pior sentimento que eu nutri nessa relação foi a culpa, tudo o que eu sofria era, porque eu tinha merecido aquilo, era porque eu reclamei, eu vi problema onde não tinha e essas coisas deixam marcas”.

 

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Mulher de Letras: as primeiras publicações feministas no Brasil

Da imprensa feminina e feminista no século XIX

Antes de você começar a ler esse texto, quero propor um exercício: pense em algum jornalista. O primeiro que vem à sua cabeça! Rápido. Pensou? A chance de você ter pensando em mulher é muito grande e já vou te falar por quê.

É só ligar a televisão, ler alguma revista ou jornal para perceber que as mulheres têm ganhado cada vez mais espaço no jornalismo brasileiro. Já em 1986, o Ministério do Trabalho registrou que as mulheres representavam cerca de 35% da categoria de jornalistas e, em 2006, esse número chegou a 54%. Um avanço? Claro. Mas, não deixa de ter ser problemas. É comum a mulher jornalista ser objetificada, ter sua opinião inferiorizada e ganhar salários menores (fato que acontece em muitas profissões, convenhamos). Apesar dos pesares, foi no jornalismo – propriamente na imprensa escrita – que a mulher começou a ganhar seu lugar ao Sol na sociedade brasileira; mesmo que, por vezes, de forma distorcida.

O surgimento do jornalismo no Brasil está atrelado à chegada da Família Real no país, tendo como marco o ano de 1808. Os primeiros jornais que se têm registro são o Correio Braziliense e a Gazeta do Rio de Janeiro, de Hipólito da Costa, o Farol Paulistano, de José Costa Carvalho, e O Patriota, de Manuel Ferreira Araújo Guimarães.

Nesse período, o jornalismo era bem diferente dos modelos que conhecemos hoje: a opinião era o carro-chefe dos textos, sendo que pouca informação era passada à sociedade – ao invés disso, os jornais eram verdadeiros palanques políticos, defendendo interesses de seus editores ou do partido que representava. A linguagem utilizada era rebuscada com textos longos e, muitas vezes, se aproximava de contos literários.

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 O Jornal das Senhoras é considerado um dos pioneiros da imprensa feminista no Brasil

Apesar do tardio desenvolvimento da imprensa brasileira, Dulcília Buitoni, em seu livro “Mulher de Papel”, mostra que já no começo do século XIX surgiram alguns periódicos voltados para o público feminino, contrariando e desafiando o alto grau de analfabetismo existente no país. Para a pesquisadora, o primeiro jornal feminino seria O Espelho Diamantino, veiculado na cidade do Rio de Janeiro, em 1827; seguido do jornal também carioca Correio das Modas, em 1839 e O Espelho das Brasileiras, em 1831, no Recife. As folhas tiveram vida efêmera e se preocupavam basicamente com dois assuntos: moda e literatura. Além de serem recheadas com patriarcalismos morais.

Eugênia Melo Cabral, no seu texto “Primeiras Histórias – O surgimento das imprensas femininas e feministas no Brasil”, relata outras publicações de mulheres para mulheres. Fugindo da tradição do jornal, a Revista Feminina foi o primeiro gênero magazine no país. Era editada por Virgilina de Souza Salles, chegando a circular por 22 anos.

Nesse sentido, Buitoni nos esclarece quanto à imprensa feminina: ainda que as mulheres tentassem se estabelecer através das letras, haviam muitos entraves simbólicos que restringiam o papel da mulher diante da sociedade patriarcal brasileira. Por isso mesmo, que as publicações eram pautadas pela “moral e bons costumes”, tendo em vista sempre a questão do deve: como a mulher deve se vestir, como a mulher deve se comportar, o que a mulher deve ler, etc. A representação da mulher esteve atrelada ao universo da beleza e do entretenimento, tendo em evidência também a maneira de se portar uma “boa esposa e uma boa mãe”.

Outro jornal importante na história da imprensa feminina foi o Jornal das Senhoras, de 1852. As editoras responsáveis eram Cândida do Carmo Soares Menezes e Violante Ataliba Ximenes de Biar e Velasco. Eugênia Melo Cabral diz que foi Joana Paula Manso de Noronha que dirigiu a folha por mais tempo. Diferentemente das publicações anteriores, o Jornal das Senhoras não era voltado ao público feminino, mas sim, aos homens. A preocupação das editoras era mostram à classe masculina que nós, mulheres, não somos bonecas ou propriedade dos homens, além de reivindicar a imagem feminina como santa, e que deveriam ser educadas para serem boas mães. Sandra Lúcia Lopes Lima, destaca um trecho do Jornal das Senhoras:

para a maioria dos homens, o casamento era apenas um meio de satisfazer um dese- jo, um capricho, ou simplesmente mudar de estado. Ou assegurar a sua fortuna. Daí o homem poder dizer “minha mulher” com a mesma entonação de voz com que diz “meu cavalo, minhas botas, etc.,”, pois tudo são trastes de seu uso.

Infelizmente, o jornal acabou não atingindo o seu objetivo, sendo criticado por ambos os sexos. Até mesmo as editoras, tinham timidez na publicação de seus artigos, preferindo manter o anonimato.

Eugênia Melo Cabral fala sobre outros periódicos feministas no Brasil, como O Sexo Feminino (1875-1877), A Família (1889-1897) e o Quinze de Novembro do Sexo Feminino (1890-1896). É nesse momento que há uma mudança no textos, que passam a esclarecer às mulheres sobre a nossa condição na sociedade, além de falar sobre a subjugação do sexo feminino. A luta pelos direitos das mulheres dava seus primeiros passos, tímidos, é claro, mas seria o começo de algo que se ampliaria com o tempo. Claro que não devemos olhar o passado em função do presente, mas pesquisas como a de Buitoni e Cabral nos mostram como é possível refletir as práticas atuais, através da análise da trajetória histórica.

REFERÊNCIAS

BUITONI, Dulcília Schoeder. Mulher de Papel. São Paulo: Edições Loyola, 1981.

CABRAL, Eugênia Melo. Primeiras Histórias – O surgimento das imprensas femininas e feministas no Brasil. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/cabral-eugenia-primeiras-historias.pdf.

LOPES, Sandra Lúcia. Imprensa feminina, revista feminina. A imprensa feminina no Brasil. In: Revista Projeto História. N. 35. P. 221-240. São Paulo, dezembro de 2007.