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Para melhores dias, mude a sua energia!

Energia é o combustível do universo, sabe-se que é através dela que tudo se transforma, de forma física aos materialistas e de forma espiritual para os mais esotéricos. Ela se faz tão presente a todos os instantes que poucos param para pensar se as energias que nos rodeiam são transformadas de forma mais sustentável, ou não. Muitos focam bastante em como é administrado o dia a dia e “gasta-se” essa energia: ter uma alimentação saudável, beber bastante água, praticar exercícios, enfim, manter mente e corpo saudável. Já a energia que chega nas tomadas é simplesmente aceita. Todo mês vem a conta e as pessoas se limitam a questionar o quanto foi gasto, e não como está sendo produzido. O Brasil, por ser um país continental, possui uma malha energética complexa composta de energias renováveis e não renováveis. Considera-se energia renovável aquela que não produz resíduos na sua geração, e não o impacto de instalação considerado. Assim o país computa uma malha onde mais de 85% de energia é renovável por conta de uma característica muito particular que é a presença da hidrelétricas, conforme observada na figura 1.

Figura 1- Distribuição da Energia Interna do Brasil em 2019. Créditos: EPE (2019).

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética – EPE (BRASIL, 2019), o país produziu nesse ano 651,3 TWh de energia no total. As fontes limpas que comp~eo 85% desse valor são eólica, biomassa, solar, nuclear e hidrelétrica. Um comparativo feito pela Empresa de Pesquisa Energética para o ano de 2016 compara a geração renovável da Matriz Energética Elétrica do Brasil  com todo o mundo.

Figura 2 – Comparação de energia elétrica renovável e não renovável. Crédito: EPE, 2016.

Esses dados podem gerar uma certa comodidade na população vendo o quão superior na produção limpa o país é. Então por que devemos nos preocupar? E a resposta desta pergunta é simples.

Por uma característica geológica, nossa principal fonte de energia limpa vem das usinas hidrelétricas. Em comparação com outras fontes, essa era a forma menos custosa e prática para geração de energia. A ideia de preservação do meio ambiente e a não-geração de resíduos não citam o passivo das suas construções. Inclusive há controvérsias de informações, pois enquanto alguns dizem que ela é totalmente limpa, há um enorme passivo ambiental nas construções das barragens e o impacto irreversível no deslocamento das populações ribeirinhas, além de alagamentos de imensas florestas, processo de eutrofização das represas e seus efeitos sobre a qualidade da água e a emissão de carbono. (Bursztyn, 2020).

A energia hidrelétrica é limpa, porém não é infinita; dependemos dos rios e seus potenciais para que haja luz nas residências, indústrias, cidades. E nos últimos anos o país tem sofrido muito com a falta de chuva: seca de quase sete anos no Nordeste, escassez de água em São Paulo, e neste ano no estado do Paraná, local da 2ª maior usina hidrelétrica do mundo, a quantidade de chuvas foi muito abaixo do nível normal. Sem chuva não há reabastecimento nas represas que foram planejadas por séries históricas (calcula-se o período de maior seca e planeja a barragem para suprir essa deficiência). Mas se a crise hídrica atual é maior do que a para qual a usina foi calculada, ela não terá água para gerar energia. É também por isso que precisamos pensar se a energia escolhida no século passado é suficiente para suprir as demandas atual e futura.

Pensando dessa maneira devemos avaliar entre outras formas de produzir energia renovável  quais têm mais potencial para serem desenvolvidas hoje com as novas tecnologias.  Uma das respostas está, literalmente, em cima das nossas cabeças: o Sol.

Como foi visto na figura 1, o Brasil explora pouco a energia solar se comparada às demais energias instaladas e a razão é porque ela depende mais do interesse de cada consumidor do que do governo em si. Usinas solares têm valores de instalações muito elevados em comparação à eólica, por exemplo, e acaba não sendo viável para investir neste tipo de negócio a curto prazo. Mas ela pode transformar uma residência em sua própria usina, não gastando mais para ter luz. É desta maneira que 75% da geração distribuída de energia solar no país é produzida em residências (Moreira Jr. e Souza, 2018).

Uma instalação residencial traz independência da Matriz Energética, ou seja, em casos como o que ocorreu recentemente no Amapá onde o estado ficou 22 dias sem energia elétrica, quem tinha instalação de painéis fotovoltaicos não ficou sem energia.

Algumas pessoas têm dúvida com relação a capacidade de produção, pois a eficiência dos painéis raramente chega a mais de 20%. i Parece pouco, mas a energia solar é abundante e gratuita, além de não prejudicar o meio ambiente, não faltar em outro sistema, e continuar presente, se não for utilizada.

Outra dúvida frequente é a questão de instalação em locais que tem inverno mais rigoroso, com baixas temperaturas por três, quatro meses no ano. A geração de energia fotovoltaica não depende do quanto o Sol pode esquentar uma placa, e sim do uso da incidência do raio eletromagnético que transformará essa onda em energia elétrica. Um exemplo é a Alemanha que segundo Moreira Jr. e Souza (2018) recebe 40% menos incidência solar média que o lugar com incidência mais baixa no Brasil. E mesmo assim lá o investimento em geração fotovoltaica é tão estimulado que eles já detêm mais de 13% de todas as placas solares fotovoltaicas do mundo (figura 3).

Figura 3 – Painéis solares na Alemanha. Crédito: Portal solar (2017).

Usando como base a capital considerada mais fria do país durante o inverno, que é Curitiba, a radiação de plano inclinado, que é o valor usado para cálculo de capacidade de geração, é mostrada na figura 4.

Figura 4 – Incidência solar no plano inclinado em Curitiba 2019. Crédito: Atlas Solar Paraná.

            Já em Fortaleza, conhecida como a Capital da Luz, a incidência é a demonstrada na figura 5.

Figura 5 – Incidência solar no plano inclinado em Fortaleza 2019. Crédito: Cresesb.

 Apesar de haver nitidamente uma irradiação muito maior no verão na cidade nordestina do que em Curitiba, o importante é que a irradiação mínima nos dois casos não é muito diferente, indicando que, apesar do frio, a incidência solar em Curitiba continua viável para a instalação de painéis fotovoltaicos.

Aotimização das placas fotovoltaicas também depende da instalação na residência. A posição e inclinação das placas é fundamental, e para isso o local é fundamental para que o projeto seja eficiente. Posicioná-las voltadas ao Norte e na ausência de sombras são condições ideais, como mostrado na figura 6. Desta maneira a captação ocorrerá da forma mais eficiente, ou seja, aproximando daqueles 20%, falados anteriormente.

Figura 6 – Posição ideal da placa fotovoltaica. Crédito: eletronica-pt.com

       A quantidade de placas instaladas determinará o quanto de energia elétrica será produzida, se o suficiente ou maior do que a casa necessita. Para isso é interessante levantar um histórico de consumo de energia elétrica e observar qual a demanda necessária para a residência. Tendo este valor, e a área do espaço que há possibilidade de instalação, a incidência de plano inclinado e a capacidade de produção da placa por metro quadrado, conseguimos calcular quantas placas são possíveis de instalar e quanto irão produzir.

 Outra decisão importante é a escolha do sistema: on grid ou off grid (figura 7).

Figura 7- Sistema on grid e off grid. Crédito: Diamont Renewables.

       No sistema off grid a instalação é autônoma, independente da rede. A produção, consumo e armazenamento ocorre em um sistema fechado. Sistema ideal para locais remotos de difícil acesso à rede elétrica. O sistema on grid  é ligado à rede elétrica que fica com a sua produção excedente, que pode ser “devolvida” quando o seu sistema produz pouco. Essa “devolução” não envolve dinheiro, mas  funciona com um crédito energético válido por 60 meses que, dependendo do tipo de instalação, o proprietário pode consumir ou transferir para outros consumidores. Muitos usuários utilizam esse crédito para momentos em que a placa não produz, como nos períodos noturnos, geralmente momentos em que o consumo da casa é maior.

       Os custos de compra e instalação dos painéis solares fotovoltaicos estão barateando ao longo dos anos por conta do aumento da demanda. Assim o payback do investimento, ou seja, a compensação entre custo e economia que será feita, que já foi de 10 anos está atualmente em torno de 3 a 4 anos. Depois desse período o sistema gerará energia sem gerar gastos até finalizar a vida útil do equipamento que gira em torno de 25 anos, considerando que a manutenção seja realizada de forma adequada.

       A energia solar fotovoltaica além de se mostrar bastante viável no Brasil é uma forma realmente sustentável de produção: desafoga as linhas hidrelétricas e evita o uso das termelétricas, que são mais poluentes. É uma medida que não traz benefícios somente para o proprietário, mas uma ação humanitária considerando que o planeta é responsabilidade de todos nós.

       Então, quem puder, aproveite, porque o Sol é de todos.

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Referências

AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Resolução Normativa n. 687, de 24 de novembro
de 2015. Disponível em: http://www2.aneel.gov.br/cedoc/ren2015687.pdf. Acesso em: 26 nov 2020.

AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Resolução Normativa n. 482, de 17 de abril de 2012.
Disponível em: http://www2.aneel.gov.br/cedoc/ren2012482.pdf. Acesso em: 26 nov 2020.

BRASIL. Empresa de pesquisa energética. Balanço Covid-19 – Impactos nos mercados de energia no Brasil: 1º semestre de 2020. Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/balanco-covid-19-impactos-nos-mercados-de-energia-no-brasil-1-semestre-de-2020. Acesso em: 26 nov 2020.

BURSZTYN, M. Energia solar e desenvolvimento sustentável no Semiárido: o desafio da integração de políticas públicas. Estudos Avançados. [online], vol.34, n.98, pp.167-186, 2020.

MOREIRA JR, O.; SOUZA, C.C. Aproveitamento fotovoltaico, análise comparativa entre Brasil e Alemanha. Revista INTERAÇÕES, Campo Grande, MS, v. 21, n. 2, p. 379-387, abr./jun. 2020.

LIRA, M.A.T.; MELO, M.L.S.; RODRIGUES, L.M.; SOUZA, T.R.M. Contribuição dos Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica para a Redução de CO2 no Estado do Ceará. Revista Brasileira de Meteorologia, v. 34, n. 3, 389 397, jun. 2019


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Ferramentas Virtuais: estamos vivendo ou só vendo lives?

Videoconferencia

Despertador do celular toca. Inúmeras notificações marcadas na Agenda do Google e você já se assusta. Você tem que levantar, há reuniões marcadas para quase o dia todo, você tem que trabalhar, as crianças têm aula para assistir: mesmo em casa a vida continua intensamente.

Você dá uma passada de água na cara, faz um café, põe alguma roupa decente da cintura pra cima, e vai. 

E assim começa. Procura o link da reunião, acha o errado, clica, estranha que mesmo atrasada ninguém está ali. Procura no email, de novo, encontra e finalmente consegue achar o link do Google Meet. Entra quietinha na reunião, ainda estão nos bom dia, deixa a câmera e som desligados, até que alguém resolve te chamar, e você tem que falar, e sem querer liga a câmera junto, e nem sua cara, nem seu pano de fundo estão ideais para o ambiente institucional, mas segue mesmo assim. Participa, desliga tudo e volta para o modo “observação”, alguém esquece o microfone ligado e boceja alto, todos ouvem e riem, afinal, esse é o novo normal, com suas anormalidades.

Acaba a primeira reunião, agora uma aula de especialização, a plataforma agora é o Jitsi. A nova sala de aula é uma tela cheia de bolinhas, o professor estranha o silêncio, provoca participações, e alguns alunos mais corajosos respondem. O cachorro do professor late no fundo, o do aluno responde, e leva uns cinco minutos para que tudo se torne audível novamente. Já para o final da aula você percebe que entrou com o registro do seu filho, e seu nome está João na aula, e quando vai falar ninguém reconhece. E fica por isso mesmo.

A manhã acaba, você corre para arrumar o almoço, e as atividades da tarde pipocando no celular. Lá vem mais uma atividade digital: agora é você que dará aula no Microsoft Teams que é bom para ensino. Os alunos entram. A aula toda planejada segue até o fim, poucas dúvidas surgem. Quando termina lembra que esqueceu de gravar para aqueles que não estão podendo ter acesso síncrono. E, por isso, terá que transcrever tudo. Os alunos sem acesso não têm culpa, você também não, mas devemos amenizar ao máximo as diferenças, e poder assistir aula é a principal delas. Posta tudo no Google Classroom, faz atividades no Google Forms, salva tudo no Google Drive. E assim as aulas seguem.

Agora você corre para auxiliar seus filhos: o Moodle da escola é o link da vez. Seu filho esquece a senha, você esquece em qual email foi cadastrado, liga para escola, o técnico de informática tenta explicar calmamente, nada dá certo. Ele te acalma, os dois reclamam da pandemia, e finalmente resolve-se a questão. Para não esquecer ele recomenda que anote em algum lugar na nuvem, e você, nas nuvens, não faz ideia do que ele está falando, ele diz que o Keep ajuda, dá para por no celular, melhor anotar em um papel, e deixar na tela do computador, junto às outras dezoito senhas já registradas. Seu filho entrou no moodle da escola.  A professora pede um mapa mental, sugere que seja usado o Cmaptools, que é gratuito, é só instalar. Seu filho percebe sua angústia, e em cinco minutos resolve o problema. Diz que pode ser útil para suas aulas, e é, e você presta atenção nele te ensinando, e alguma coisa dentro de você se acalma. A esperança que seu filho realmente não esteja tendo tanta dificuldade é um alívio no fim do dia, e você relaxa.

O estômago lembra que o dia está acabando. Mais um encontro, de profissionais da sua área, algo mais descontraído, e agora é pelo Cisco Webex, mas nunca usou. Você grita perguntando a senha, seu marido da cozinha diz que não lembra. E você já atrasada faz outro cadastro gratuito, e entra no encontro. Agora as câmeras estão ligadas, e você com um pré-pijama dos ursinhos carinhosos, mas agora já é tarde. Você observa que a plataforma é interessante, com as câmeras ligadas dá para ver as casas das pessoas, é o máximo de novas paisagens que você consegue ver nos últimos meses. Os microfones também estão ligados, e alguém grita “mãe”, outras duas respondem de suas casas “a mãe está ocupada”, todos riem, todos compreendem. 

Há outro encontro ainda hoje do grupo de estudo de inglês, e lá vai você. O link vem pelo Whats, a plataforma é a Zoom, você muda o plano de fundo para fazer uma graça, também pode interagir nas postagens do professor. Para trabalhar um assunto específico usa o Jamboard, a aula é mais relaxante e divertida, não poderia ser diferente para o fim do dia, mas é nítido o cansaço de todos. Acabamos a aula antes, desabafamos as inseguranças deste tempo tão diferente. E a vida segue.

E os novos dias continuam, nem sempre em um ritmo tão intenso, mas ainda assim continuam os encontros virtuais em vários meios. Mais ferramentas surgem: Padlet, Kahoot, Twitch, Trello, Slack.

Você achou que no começo da pandemia teria tempo, iria aproveitá-lo em casa para pequenas reformas, ficar com a família, aprender um prato novo, assistir séries e lives, e percebe que o tempo se foi. E sem querer você olha o calendário e vê que passaram cinco meses de pandemia e você pensa afinal: Estou vivendo ou só vendo lives?

No glossário abaixo, opino sobre cada ferramenta, entendendo que cada pessoa tem a predileção de acordo com sua adaptação. O objetivo é pontuar as principais vantagens de cada item a seguir:

Agenda do Google

Aplicativo disponível para os usuários do Gmail que organiza os eventos em forma de agenda diária, semanal ou mensal. Pode ser instalado ao celular vinculado ao email e notifica, de acordo com a programação do usuário, todos eventos agendados.

Google meeting

Existe uma versão gratuita para os usuários do Gmail, é uma ferramenta que faz reuniões online, de fácil agendamento pela Agenda do Google que envia o link para todos os participantes. Podem até 250 pessoas, tem filtro de ruídos que identificam barulhos externos e os diminuem. Disponibiliza display com até 16 participantes e pode fazer layout personalizado. É necessário que o anfitrião da reunião tenha conta no Gmail, todos os integrantes podem compartilhar arquivos. Quando o vídeo é gravado, uma cópia vai direto ao email de quem agendou a reunião e também salva em pasta no Google Drive, o que facilita o acesso posterior. O arquivo já fica em *.mp4, que é fácil de abrir. O chat é limitado a todos os participantes, não tem opção de troca de plano de fundo, então antes de usar é bom pensar em um legal. Existem empresas que estão simulando fundos de papelão com a estampa que desejarem desde livros, que é o mais desejado, até fundo com gatos, vai do gosto do cliente.

Jitsi

Totalmente gratuita, essa ferramenta tem todos os recursos básicos das demais de videoconferência, e algumas opções diferenciadas como desfocamento do plano de fundo das pessoas, o que pode esconder um pouco a bagunça naqueles dias que você está com mais pressa. Também tem como diferencial a possibilidade de “erguer a mão” para que o interlocutor veja sem ser interrompido. Se a internet está ruim, há a opção de alterar a qualidade do vídeo e do áudio para melhorar a transmissão, e pode ser transmitido direto ao Youtube transformando apresentações em lives. Outra vantagem é que as pessoas podem acessar a reunião sem necessariamente instalar o programa em seu computador ou celular, o que torna o acesso rápido e prático. Existe um diferencial que qualquer pessoa pode silenciar alguém que tiver com o áudio atrapalhando a reunião, ou pode até silenciar todos incluindo o apresentador, assim ruídos indesejáveis (conversa paralela, trânsito, cachorro, televisão) podem ser desligados.

 

Microsoft Teams

A maior vantagem desta plataforma, que tem todos os requisitos básicos que as demais têm, é o acesso ao pacote Office para trabalho online. Os grupos podem ter acesso aos documentos e modificá-los durante a reunião. Também têm um ótimo acesso a ferramentas de apresentação quando o interlocutor está compartilhando algo. Todas as pessoas podem compartilhar documento sem autorização, o que torna o processo mais rápido. O limite de participantes por evento é de 500 mil pessoas, ou seja, praticamente ilimitado para uma reunião institucional. Ele possui versão gratuita, mas o arquivamento de dados da reunião somente nas versões pagas.

Google Classroom

Ferramenta vinculada ao Gmail que cria salas de aulas virtuais que permitem compartilhamento de materiais entre professores e alunos, grupos de pesquisa e demais fim didáticos. O professor cria uma turma (sala de aula) onde, por meio de uma senha, os alunos se inscrevem. E lá ele pode colocar, de forma organizada, materiais para consulta e, também, criar atividades incluindo avaliações. Pois há o recurso de rubrica que mostra todos os critérios que o professor analisa na atividade enviada, e pontua cada um deles conforme o planejamento do professor. As aulas podem ser agendadas pela Agenda do Gmail, e a própria ferramenta cria uma pasta no Google Drive onde são armazenados todos os arquivos compartilhados. Geralmente é necessário que haja uma inscrição da instituição de ensino para que se tenha acesso a esta plataforma, mas agora na pandemia esta estrutura foi liberada.

Google Forms

Ferramenta que possibilita fazer questionários com perguntas em vários formatos: múltipla escolha, dissertativas etc. E as respostas podem ser organizadas em formas de gráfico depois. Também oferece a possibilidade de feedback individual por questão, e pontuação em cada uma das questões. O acesso ao questionário é feito por meio de um link compartilhado pelo autor, e pode escolher a opção de uma só resposta por e-mail vinculado, ou várias. Também pode limitar o tempo das respostas fechando o acesso ao formulário quando desejar.

Google Drive

A principal função do Google Drive é a de nuvem, onde há armazenamento dos arquivos lá postados sem ocupar a memória do dispositivo do usuário. Mas também uma excelente opção é trabalhar com documentos online, onde este documento é salvo o tempo todo e você pode acessá-lo de vários computadores. Outra ferramenta é de várias pessoas compartilharem o mesmo documento e poderem trabalhar nele simultaneamente. É uma ferramenta Google, vinculada a um e-mail Gmail, gratuita.

Moodle

Essa ferramenta é semelhante ao Google Classroom, mas geralmente direcionada a instituição que a registrou. Bastante comum nas escolas, principalmente agora nos ensinos remotos da pandemia, onde os professores montam cursos inteiros, com as matérias separadas, e todo material e atividades é posto neste site.

Keep

É uma das minhas ferramentas preferidas, vinculada a uma conta do Gmail, ela é um bloquinho de notas onde você pode guardar informações em forma de lista ou mosaico, como preferir. Lá são armazenados desde lista de compras, senhas pouco relevantes até contas de casa. É um acesso rápido de informações que também pode ser instalado no celular como aplicativo, mas pode acessar através da conta do Google no computador. Armazena também imagens, caso necessite arquivá-las para acesso rápido posteriormente.

Cmaptools

Ferramenta gratuita para confecção de Mapas Mentais ou Conceituais. É bastante útil para estudos, fichamentos e memorização, pois usa o artifício visual para guardar informações. O uso é bastante intuitivo, fácil e prático. Pode ser usado como forma de avaliação nas aulas, os alunos compreendem rápido, pode ser salvo em *.pdf e enviado como imagem se for necessário.

Cisco Webex

Ferramenta de videoconferência semelhante às demais, a versão gratuita tem apresentação visual personalizada, para até 100 participantes, também com opção de chamar o interlocutor por raise hand, tela interativa, uma ótima opção que é o quadro branco onde todos podem colocar ideias (só tem nele). As reuniões gratuitas são limitadas a 50 minutos, podendo ser renovada e agendadas, mas é necessário instalar o aplicativo. O que eu mais gostei, particularmente, foi a qualidade de som e áudio que se mostrou superior aos demais, principalmente na questão de sincronicidade.

WhatsApp

Dispensa apresentações, o WhatsApp tem sido uma ferramenta exaustivamente usada na pandemia, mas o que eu quero destacar aqui é que, na minha opinião, é a ferramenta mais fácil para videoconferências com pessoas mais próximas. Não necessita de link, nem de acesso por e-mail. É só discar videochamada e pronto, você está pronto para além de conversar, ver seus pais, sua avó, sua irmã. Então, apesar das inúmeras opções, o bom e nem tão velho Whats ainda é uma excelente opção.

Zoom

Muito rapidamente na pandemia o Zoom virou a menina dos olhos das videoconferências, isso porque ela já era uma ferramenta bastante conhecida nos meios corporativos, e foi migrada para a vida comum. Há uma versão gratuita que traz alguns diferenciais interessantes como interação digital por qualquer integrante nas apresentações compartilhadas, escolha de qualquer imagem como pano de fundo, e além do raise hand há também as palmas que você pode enviar para alguém. Mas particularmente a minha observação que diferencia o Zoom das demais é que ele usa imagem HD e eu desconfio, não tenho provas, que é usado algum filtro na imagem que deixa as pessoas mais harmoniosas. Pode ser impressão minha, mas observem. Outra opção interessante, aí já para versão paga, é poder criar várias salas numa mesma reunião, e assim trabalhar com grupos. Função que é excelente para aulas por exemplo.

Jamboard

Ferramenta da Google Education, vinculada ao Gmail, é um quadro branco interativo, compartilhado através de link, onde todos os participantes podem usar caneta virtual, post its, e emoticons para reagir a ideias ou imagens apresentadas. O anfitrião pode montar uma apresentação de base, com questões que devem ser respondidas pelos participantes. Ótima ferramenta para projetos de pesquisa, brainstorms.

Padlet

É uma ferramenta educacional que consiste em um painel virtual, como se fosse um scrapbook onde várias pessoas podem postar na mesma tela. Assim você tem um painel com “colagens” de todos sobre um determinado assunto. Além das imagens, podem ser postados vídeos também, e todos podem contribuir nas postagens dos colegas com comentários naquela imagem, e podem correlacionar por meio de linhas assuntos semelhantes. É bem didático, a desvantagem é que qualquer pessoa pode editar a edição do outro, e pode inclusive apagar. Mas se o grupo for bem integrado dá para realizar excelentes trabalhos.

Kahoot

O kahoot é uma ferramenta que possibilita o professor a criar questionários divertidos, onde os alunos vão responder as perguntas e o próprio programa adiciona a parte áudio visual semelhante a um vídeo game. Além disso os alunos ao responderem podem ver, através de um ranking, seu desempenho naquela atividade. Também envia para quem organizou o questionário uma planilha com o desempenho de cada participante. Achei bem útil para desenvolver quiz com os alunos de forma mais lúdica e divertida.

Twitch

Canal que transmite eventos, ao vivo, e que proporciona interação dos participantes incluindo votações. Voltado para o público gamer, agora está sendo bem visto para os participantes de eventos de iniciação científica.

Trello

Excelente ferramenta para organizar fluxo de projetos. No meu caso utilizo para projetos de pesquisa onde as metas podem ser agendadas, com notificações informam os prazos, e pode servir como depósito de todos os arquivos pesquisados, independente do formato. Também há espaços bem organizados para discussão por assunto ou etapa.

Slack

Semelhante ao WhatsApp, é uma ferramenta em forma de Chat onde os integrantes interagem entre si por meios de conversas, vídeo chamadas, imagens. Também podem ser criados grupos específicos, e a vantagem é que o usuário tem o domínio do que vai participar. As pessoas só terão acesso a você, pelo Slack, se você permitir, o que não ocorre no caso do WhatsApp. Ideal para grupos de pesquisa.

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Tecnologia em tempos de Pandemia: o que está sendo usado na área tecnológica para combater o COVID 19.

Não é preciso lembrar a todos que o momento que estamos é bastante singular na história da humanidade, porém não é o único. Em 1918 tivemos a famosa Gripe Espanhola que recomendava ao povo medidas como bons hábitos de higiene, toque de recolher, evitar aglomerações e cuidados maiores com pessoas idosas entre outros conselhos como mostrado na figura 1.

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Figura 1: Conselhos na gripe espanhola. Fonte: O Globo (2020)

Apesar das semelhanças nas medidas, a luta no combate é muito diferente. Falamos de 102 anos de diferença e de muita tecnologia desenvolvida nesse período. Incluindo, por exemplo, o desenvolvimento dos computadores, controle, automação, materiais e muita aplicação na área hospitalar. E é sobre essas tecnologias que falaremos a seguir.

Temos ouvido falar muito nos últimos dias que temos que usar máscaras para nossa proteção, que é preciso saber higienizá-las ou descartá-las de forma adequada. Além disso, sabemos que muitas pessoas estão usando respiradores pulmonares em casos graves e que novas invenções brasileiras estão amenizando o tempo de internamento. Mas muitas dúvidas ficam no ar: qual a melhor máscara? Onde o respirador realmente atua? O que temos feito para amenizar os riscos? Então agora vamos explicar!

Segundo os Médicos Sem Fronteiras (2020) o vírus COVID 19 (SARS-CoV2, coronavirus desease 2019) – mais conhecido como coronavírus – é da mesma família da Síndrome Aguda do Oriente Médio (MERS-CoV) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV), e apresenta desde característica comuns de uma gripe até crise respiratórias graves levando à óbito por insuficiência respiratória.

 Não há vacina nem cura  até o momento, então o que pode ser feito é o tratamento para amenizar os sintomas.

A transmissão ocorre por meio físico, não pelo ar. Para isso é necessário que haja contato com quem tem a doença ou com algo que essa pessoa tocou. No entanto é necessário que o vírus tenha contato com as mucosas da pessoa: olhos, nariz, boca. Por isso nossas mãos são o agente transmissor mais provável. E para isso destaca-se a necessidade de higienizá-la sempre, seja com água e sabão ou álcool em gel,  já que levamos muito as mãos ao rosto. Para evitar esse processo o Ministério da Saúde tem recomendado que as pessoas usem máscaras quando saem de casa.

O uso de máscaras se faz necessário para evitar que gotículas da saliva de alguém contaminado possam  atingir outra pessoa seja em um espirro ou mesmo em uma conversa. A máscara também evita que as pessoas contaminadas transmitam o vírus. Por isso é essencial que saibamos qual máscara devemos usar.

O ideal seria que todos pudessem usar as máscaras cirúrgicas, feitas de TNT (Tecido Não Tecido), PFF (Peça Semifacial Filtrante), N95, N99 ou N100 (o número indica a Eficiência de Filtragem de Partículas).

A TNT seria melhor para uso comum em ambientes hospitalares, além de ser descartável (figura 2).

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Figura 2: Máscara de TNT. Fonte: Pixabay.

Ela seria a ideal para o uso pelas pessoas nas ruas, no entanto como o coronavírus é uma pandemia mundial, e a maioria das máscaras deste material eram exportadas pela China (primeiro epicentro de contágio), há uma escassez nesse produto. No Brasil elas estão sendo direcionadas principalmente para os locais de atendimento às pessoas com suspeita de contaminação.

Desta maneira o Ministério da Saúde tem recomendado que as pessoas usem máscaras caseiras (figura 3), feitas de pano, que têm um grau de eficiência de filtragem baixa, mas que protegem de forma razoável, brandamente. 

As máscaras de panos são fáceis de fazer, mas alguns cuidados são necessários como: usar no máximo por 2 horas se o usuário falar durante o uso, e por 4 horas em caso contrário, além da higienização assim que deixar de usá-la que pode ser 20 minutos em água sanitária e depois lavar com água e sabão esfregando bem. Também jamais colocar as mãos na parte externa da máscara e evitar ficar ajustando-a ao rosto. Especialistas da UFSC mostram aqui como é possível fazer a máscara com as medidas e tecidos certos.

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Figura 3: Máscara caseira. Fonte: Pixabay.

Para população em geral as duas máscaras citadas acima já são o suficiente, no entanto, os profissionais da saúde necessitam de mais proteção que o normal, pois estão em contato direto com as pessoas contaminadas. Nesses casos eles usam as máscaras PFF2 ou N95 (figura 4) mais comumente, estas máscaras podem ser reutilizadas se forem usadas somente como máscara normal, mas em qualquer contato com gotículas elas devem  ser descartadas.

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Figura 4: Máscara N95. Fonte: Bisturi Material Hospitalar (2020).

Estas máscaras têm elementos filtrantes bastante eficientes e por isso oferecem mais proteção ao profissional da saúde que realmente necessita devido ao contato com pacientes com Covid-19. Algumas também possuem respiradores que facilitam o uso contínuo e dão mais conforto ao usuário. Pessoas infectadas também devem usar este tipo de máscara, assim evitam contagiar outras pessoas (lembrando que o isolamento integral também é indicado para os pacientes que não estão em casos graves).

Estas máscaras podem ser desinfectadas e reutilizadas, mas é necessário que sejam usados métodos confiáveis, uma vez que o vírus não pode ser visto. Pensando nisso a USP – Universidade de São Paulo, através do Instituto de Física de São Carlos,  fez uma Câmara de Ozônio (figura 5) que desinfecta 1000 máscaras em 2 horas. Inicialmente as máscaras são colocadas em sacos de poliéster e submetidas a um ambiente de vácuo e depois é injetado ozônio (O3), este ciclo é repetido várias vezes, pois o ozônio deve penetrar nas tramas das máscaras. A ação do ozônio é microbiocida, ele consegue destruir a cápsula proteica (envelope do vírus) e destruí-lo.

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Figura 5: Câmara de Ozônio. Fonte: Jornal da USP (2020)

Outro tipo de proteção muito usado que evita ainda mais o contágio nos profissionais de saúde são as máscaras tipo Face Shield, que protegem todo o rosto do usuário (figura 6).

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Figura 6: Máscara tipo Face Shield. Fonte: Governo de São Paulo (2020).

Essas máscaras estavam em falta no mercado, “estavam” pois, várias pessoas que possuem impressoras 3D estão se unindo em prol da saúde do país e estão produzindo milhares de máscaras e doando para os hospital e postos de atendimento. Alguns grupos disponibilizaram o projeto (figura 7) na Internet de forma gratuita. Para quem tem interesse o grupo de Pernambuco Hardware PE abriu aqui no seu site. É necessário filamento para impressão 3D usado no fixador e base de acrilato transparente para proteção.

 

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Figura 7: Projeto Face Shield. Fonte: Pernambuco Hardware (2020).

Além destes equipamentos, outros fundamentais para recuperação dos pacientes são os respiradores, ou Ventiladores Pulmonares (figura 8), como são mais conhecidos.

 

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Figura 8: Ventilador Pulmonar. Fonte: Emitec (2020) 

Um dos sintomas mais graves do Covid-19 é a falta de ar, isso significa que o paciente não consegue realizar atividades simples como levantar-se ou tomar banho. Nesses casos é necessário que a pessoa procure imediatamente o sistema de saúde. Desta forma, observando a gravidade da situação o paciente será necessário o uso desse equipamento. Em alguns casos mais brandos a ventilação externa, com inalador pode ser o suficiente. Em outros somente a ventilação mecânica ajudará o paciente a respirar. Segundo Button (2002), na maioria dos ventiladores uma fonte de pressão positiva entrega ar para os pulmões do paciente que faz a troca gasosa, e então retira a pressão para que ocorra a expiração. A ventilação artificial pode ainda ser feita pela via nasal, oral ou por tubo de traqueostomia. O processo que o equipamento trabalho é explicado na figura 9.

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Figura 9: Ventilador mecânico. Fonte: Button (2002)

O processo consiste em controlar três parâmetros importantes: pressão, volume e ciclo (tempo). Assim será controlado o fluxo de entrada do ar nos pulmões, na quantidade certa e respeitando o ciclo respiratório do paciente. São fatores que devem trabalhar em sincronia perfeita. A diferença entre a respiração pulmonar comum e a com o ventilador está representada nos gráficos da figura 10 a seguir.

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Figura 10: (a) Ventilação espontânea; (b) Ventilação mecânica. Fonte: Button (2002).

Normalmente nesta situação o paciente ficará sedado para não sentir qualquer incômodo ao processo, no entanto, mesmo com esse procedimento muitas pessoas estão vindo a óbito. Portanto a melhor indicação ainda é prevenir, manter os grupos de risco longe de contágio, e ficar em casa o máximo possível, seguindo todas as recomendações da OMS – Organização Mundial de Saúde.

Nem todo leito de UTI possui ventilador mecânico, o Ministério da Saúde recomenda que haja um ventilador para cada dois leitos. No entanto, nesse momento, o uso deste equipamento será de grande demanda, assim muitas pessoas querem inventar equipamentos de baixo custo para auxiliar nessa necessidade urgente. Devemos ficar alertas ao seguinte: a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é que aprova se esses equipamentos poderão ser utilizados, e os parâmetros sobre a segurança do paciente são super rigorosos. Então mesmo que alguns pareçam bastante eficientes, só serão aprovados após muitos testes de validação que duram meses, até anos. Por isso é bom ficarmos alertas a soluções milagrosas.

Outras soluções estão sendo propostas e uma que tem dado resultados positivos é a manutenção dos ventiladores que estão em desuso em todo país. Universidades, Senai’s e o Exército Brasileiro formaram grupos para colocarem esses equipamentos em funcionamento, já que se estima que haja no país aproximadamente 3500 respiradores parados por falta de manutenção. Um desses grupos é o Médico de Máquinas formado na UFPR (Universidade Federal do Paraná) que começou com alunos do curso de Especialização em Manutenção 4.0 e agora já conta com mais de 180 profissionais em sua maioria da área de engenharia. Em alguns casos o ventilador consertado é o único disponível na cidade e que estava parado. A iniciativa começou na cidade de Curitiba, agora é vista por todo o estado do Paraná e outros estados têm entrado em contato para poderem replicar essa experiência em suas regiões.

E assim é o brasileiro, não desiste de lutar. E foi observando a situação dos pacientes nos leitos e nas condições de tratamento que a Samel Health Tech através do Instituto Transire de Tecnologia e Biotecnologia do Amazonas criaram a Cápsula Vanessa (figura 11).

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Figura 11: Cápsula Vanessa. Fonte: Folha (2020).

Ela é composta de uma proteção revestida de vinil transparente, armação de pvc e um exaustor para troca de ar que cobre a cabeça e a região torácica do paciente. Desta maneira, evita mais contaminação externa, além de proteger melhor os profissionais da saúde. Os resultados foram apresentados pela Rede Samel que afirmam que com 80 pacientes em internamento nenhum precisou de ventilação mecânica, além de reduzir o tempo de internamento em unidade intensiva para 6 ou 7 dias. Essa alternativa foi desenvolvida em Manaus, onde o Covid 19 está em grau elevado de contaminação, mas já está sendo estendida para outros estados. Entendendo a gravidade da situação, eles mantiveram a patente aberta e disponibilizam aqui o manual de construção. O custo fica em torno de R$ 200,00. Ainda não há estudos mais aprofundados que atestem a eficiência, mas não possui nenhuma contra indicação, só cuidados na montagem e desinfecção.

O brasileiro mostra, nesse momento, que além de muito solidário é bastante criativo. Várias pessoas ajudando como podem: confeccionando máscaras caseiras e distribuindo, face Shields para hospitais, câmaras de ozônio, câmara Vanessa como foi descrito. Ainda estão fazendo álcool gel, distribuindo comida para os mais necessitados, ajudando o vizinho que faz parte do  grupo de risco a fazer suas compras sem se expor, e tantas outras ações. Se você quer ajudar e não sabe como têm vários grupos que precisam de voluntários, rapidamente você conseguirá achar algo onde pode ser útil. E não vamos esquecer que em algum momento todas as áreas serão necessárias. Senão agora, depois da pandemia certamente. O melhor que podemos fazer sem dúvida é ficar em casa, não somente para não nos contaminarmos, mas também para não transmitirmos o vírus caso sejamos assintomáticos. Fiquem em casa!

A tecnologia hoje nos mostra um cenário muito diferente da época da gripe espanhola, temos acesso à informação em casa pela televisão e pelos celulares. Sabemos quase em tempo real a situação atual, mas também podemos nos estressar com excesso de informação. Então vamos usar os recursos de forma útil, e desconectar também é importante. Para que a saúde mental se mantenha bem.

Tecnologia e proteção temos, é só usar com responsabilidade.

 

Referências

ttps://blogs.oglobo.globo.com/blog-do-acervo/post/coronavirus-resgata-recomendacoes-e-medidas-restritivas-da-epidemia-de-gripe-espanhola.html

Batista, F. Você conhece um ventilador pulmonar? Saiba o seu funcionamento e as principais falhas. https://blog.arkmeds.com/2018/02/23/saiba-o-funcionamento-e-as-principais-falhas-de-um-ventilador-pulmonar/ Acesso em 15 de abril de 2020

Button, V. L. S. N. Equipamentos médico hospitalares e gerenciamento da manutenção. Ministério da Saúde, Brasília, 2002.

https://www.myminifactory.com/object/3d-print-faceshield-hardware-pe-flat-protetor-facial-116206

https://www.fiocruzbrasilia.fiocruz.br/covid-19-orientacoes-sobre-o-uso-de-mascaras-de-protecao/

https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-04-08/como-fazer-sua-mascara-de-protecao-em-casa.html

https://ciclovivo.com.br/covid19/aprenda-a-fazer-uma-mascara-caseira-segura/

https://www.folhadelondrina.com.br/tags/coronavirus

https://www.segurancadopaciente.com.br/protocolo-diretrizes/mascaras-n95-recomendacoes-para-uso-prolongado-e-reutilizacao/

https://jornal.usp.br/ciencias/camara-de-ozonio-criada-na-usp-descontamina-ate-mil-mascaras-em-duas-horas/

https://www.samel.com.br/wp-content/uploads/2020/04/samel-cabine-de-protecao-passo-a-passo.pdf

https://bncamazonas.com.br/municipios/samel-esclarece-capsula-vanessa/

https://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/coronavirus?utm_source=adwords_msf&utm_medium=&utm_campaign=covid-19_comunicacao&utm_content=_epidemias_brasil_39923&gclid=CjwKCAjwhOD0BRAQEiwAK7JHmDjMZqxn3qUvtD2bbBXqkDJmv4THPTlI_xTQ-OY_DL04ST3ebcxB6RoCn8sQAvD_BwE

https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/engenheiros-da-ufpr-criam-grupo-para-consertar-e-fazer-a-manutencao-em-respiradores-hospitalares/

 

 

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Carro elétrico – entre idas e vindas agora veio para ficar.

Quando falamos sobre carro elétrico logo pensamos em meio ambiente, sustentabilidade, emissão zero e preços altos. Hoje muitas pessoas engajadas na pegada ambiental já têm modificado muitas atitudes de consumo e comportamento, mas o carro elétrico sempre é uma dúvida, uma incógnita sobre a sua real contribuição para tudo isso.

Mas antes de qualquer coisa, parafraseando o querido professor Tibúrcio…

… SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA!!!

Você sabia que o carro elétrico existe há muito tempo? Antes mesmo do carro à combustão interna, os que usamos atualmente, surgirem?

A primeira tentativa de um carro vem da época de Isaac Newton, mas foi efetivado mesmo em meados de 1770, o carro à vapor. Criado por Nicolas-Joseph Cugnot, inventor francês e sua carroça a vapor.

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Figura: Modelo de carro à vapor. Créditos: Boxonline

Agora imaginem o “conforto” de estar em um carro construído com uma caldeira que necessitava ser abastecida constantemente por lenha ou carvão, e ainda suportar a temperatura de vapor superaquecido da água, algo em torno de 200˚C. Dava para passear e fazer um churrasquinho ao mesmo tempo.

Dado a  inconveniência do calor notou-se que esse método não era o mais eficaz.

Então entre 1832 e 1839, aproveitando já a invenção do motor elétrico, o escocês Robert Anderson e o americano Thomas Davenport construíram as primeiras carroças com propulsão elétrica utilizando pilhas não recarregáveis. Esses equipamentos eram muito caros e tornaram-se objeto de desejo de alta classe da época. Assim devido ao grande sucesso eles começaram a ser construídos em maior escala, e em 1898 a Baker Motor Vehicle Company começou a produzir ao custo de 2 mil dólares, hoje o equivalente custaria 60 mil dólares, ou incríveis 200 mil reais.

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Figura: Baker Car – primeiro carro a ser produzido industrialmente. Créditos: Tricurioso

O primeiro carro também a chegar aos 100 km/h foi um carro elétrico, em 1899.

Então com toda essa tecnologia o que aconteceu para mudar toda história automobilística e hoje sermos tão dependentes do petróleo?

Ao mesmo tempo em que os elétricos estavam sendo desenvolvidos o casal alemão, Bertha e Karl, criavam o primeiro carro à combustão interna. No entanto foram muito desacreditados, pois os carros elétricos se mostravam mais seguros e a invenção deles, que usava um motor com explosões controladas parecia muito perigoso. Karl já não saía mais da cama, em uma depressão grave por conta da falta de sucesso. Mas Berta, a grande mulher da história do automobilismo, não conformada com a frustração do marido pegou seus dois filhos Richard (13 anos) e Eugen (15 anos), em 5 de agosto de 1888, e fez a primeira viagem longa da história, sem autorização do marido, o que para a época é um absurdo. A viagem durou 3 dias, e a própria Bertha resolveu os problemas que foram surgindo,como o entupimento do cano de combustível, e desgaste dos freios.

Isso chamou muito a atenção das pessoas. E ainda havia uma grande diferença de eficiência entre os dois tipos de carros. A autonomia do carro elétrico era de apenas 60 km, o que significava que ele teria que parar e demorar horas para voltar a funcionar, enquanto o carro à combustível líquido só necessitava de reabastecimento para funcionar imediatamente.

Alguns anos se passaram, e Bertha e Karl Benz ganharam essa briga. Logo em seguida Henry Ford surge e modifica toda a História.

Assim, o carro elétrico foi caindo no esquecimento, apesar de ser mais leve e mais silencioso que os à gasolina. E assim a indústria do petróleo veio para ficar, e arcamos com suas consequências ambientais até hoje.

O carro deu liberdade para sociedade, as pessoas foram cada vez mais longe, e as cidades foram crescendo e se desenvolvendo cada vez mais.

E os carros de combustão dominaram o mercado por mais de um século, até agora.

Mas algo mudou. A consequência do conforto do mundo moderno é grave, carros produzem gases, que em excesso, são extremamente nocivos ao meio ambiente e a nós mesmos. E a existência do carro à combustão vem sendo questionada ano a ano.

Não é de hoje que vários cientistas tentam encontrar formas alternativas de energia para os motores automotivos. Muitas invenções incríveis como o Diesel, que era para aproveitar óleo de cozinha, foram desvirtuadas para o uso novamente do petróleo. Seu inventor, Rudolf Diesel, quando estava indo apresentar a novidade nos EUA, fatalmente “caiu” do navio e morreu afogado. E assim outros inventores tiveram destinos semelhantes quando tentaram defender suas ideias, incluindo Nicola Tesla.Essas histórias podem ser vistas no documentário “Power- o poder por trás da energia” exibido pelo History Channel.

O domínio da indústria do petróleo perdurou muito, mas a necessidade de mudar de atitude surgiu nos últimos tempos de forma muito intensa. Pessoas muito ricas decidiram dar um basta e retomar antigos projetos sustentáveis. E assim os carros elétricos voltaram, e junto com eles as pesquisas para solucionar os mesmos problemas que assombraram no século XIX.

Autonomia. Baterias duráveis. Formas de abastecimento. O mundo, ainda, não está pronto. Mas muita coisa mudou.

No Brasil, João Gurgel, nosso engenheiro pioneiro que criou o carro 100% brasileiro, também criou uma alternativa elétrica. E assim surgiu o Gurgel Itaipu Elétrico, que tinha um motor de 11 cv, tinha autonomia de 127 km e chegava a 80 km/h, isso em 1974, em plena crise mundial do petróleo e surgimento do Proálcool.

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Figura: Gurgel Itaipu Elétrico 100% brasileiro. Créditos: Motorshow

No entanto um grande problema atormentou essa criação: ele precisava de tomadas especiais e levava de 6 a 8 horas para carregar suas baterias de chumbo-ácido. E isso foi um imenso inconveniente.

Em 1974, Erlon Musk, o grande milionário e visionário dono da Tesla, tinha somente 3 anos. E hoje ele modificou a história dos veículos elétricos.

Em 2018, após superar os problemas de abastecimento e autonomia, foram vendidos 1 milhão de Teslas em apenas 6 meses! No entanto o preço ainda é salgado para os bolsos brasileiro: um Model 3 custa em torno de 300 mil reais. E ainda temos pouco acesso a postos de abastecimento específico.

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Figura: Tesla Model 3 vendeu 1 milhão de unidades em 6 meses de 2018. Créditos: Olhardigital

Em uma tomada comum, de 220 V, ele ainda leva 8 horas para carregar. Mas há as opções Supercharger, da própria montadora, que leva em torno de 1 hora. Ou seja, ainda é um problema. Uma opção é instalar um ponto de carregamento em casa que custa em torno de 4 mil reais, mas ainda precisando de horas na tomada para carregar. Um ponto positivo é que você economizaria em torno de 3 mil reais em combustível por ano.

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Figura: Estação de abastecimento Supercharger Tesla. Créditos: Olhardigital

Outro inconveniente, a manutenção das baterias pode ser uma dor de cabeça. Baterias, também chamada de células combustíveis para os mais especialistas, podem variar de 10 mil reais em um Prius até 200 mil reais em um BMW, geralmente nos carros híbridos (que funcionam tanto à eletricidade quanto à combustão). Essas baterias duram aproximadamente 8 anos, dependendo da frequência de uso do veículo pode durar menos, já a de carros convencionais duram em torno de 3 anos e seu custo varia de 200 a 500 reais.

E afinal: como funciona o carro elétrico?

O motor que movimenta o eixo é o elétrico, utilizando a energia de um conjunto de baterias armazenadas através de carregamento por tomadas. O sistema é simples, necessita somente de um regulador de alta tensão e regulador de potência. É como um rádio a pilha gigante: a bateria alimenta o motor e necessita ser trocada (recarregada) de tempos em tempos.

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Figura: Estrutura de carro elétrico. Créditos: Pontoscardeais

Nessa imagem o painel de captação solar auxilia, mas não supre toda a necessidade do carro.

As maiores qualidades são que esses carros são silenciosos, tanto que algumas pessoas estranham bastante, e alguns esportivos têm geração de ruído para criar a sensação de “potência” de motor através do som. E são de emissão zero, não geram poluentes, pois não queimam combustíveis. No entanto há uma discussão sobre a emissão indireta, pois se a energia for gerada por energias limpas como hidrelétricas, solares ou eólicas, caracteriza-se que o carro realmente não gere resíduos. No entanto, se a eletricidade que o abastece for proveniente de Usinas Térmicas haverá emissão de gases poluente, e assim a função sustentável entra em questionamento.

O carro elétrico veio para ficar, e muitas montadoras agora estão assumindo seus projetos inovadores e lançando no mercado, mesmo que ainda com alto custo, seus veículos elétricos. A Noruega já anunciou que não permitirá mais a compra de carro à combustão e está mudando toda a sua malha energética para auxiliar no abastecimento. A Alemanha está incentivando suas montadoras e a Mercedez Benz e a VW só investirão em projetos de carros elétricos, assim como a Volvo e a Daimler.

Ainda há os carros híbridos, que funcionam à eletricidade e também à combustível, que prometem diminuir o tempo de recarga, mas ainda geram emissão. E deixaremos essa história para um outro post, dedicando atenção especial.

A tecnologia tem suas idas e vindas, graças às novas invenções que vão melhorando e solucionando os problemas que seriam impossíveis de serem resolvidos em outras épocas.  


Referências

https://boxonline.wordpress.com/2011/09/26/carro-movido-a-vapor/

https://www.tricurioso.com/2017/08/01/qual-foi-o-primeiro-carro-eletrico-do-mundo/

https://dana.com.br/canaldana/2019/01/10/veiculos-eletricos-uma-novidade-que-completou-190-anos/

http://www.in2013dollars.com/1900-dollars-in-2016?amount=1

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bertha_Benz

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/galeria/bertha-benz-primeira-viagem-automovel-historia-carro.phtml

https://motorshow.com.br/gurgel-itaipu-e-400-o-primeiro-carro-eletrico-produzido-em-serie-no-brasil/

https://olhardigital.com.br/carros-e-tecnologia/noticia/carro-mais-barato-da-tesla-model-3-pode-custar-mais-de-r-300-mil-no-brasil/77251

https://olhardigital.com.br/carros-e-tecnologia/noticia/carro-mais-barato-da-tesla-model-3-pode-custar-mais-de-r-300-mil-no-brasil/77251

https://www.uol.com.br/carros/noticias/redacao/2018/09/12/saiba-agora-quanto-custam-baterias-de-carros-eletricos-e-quem-recicla.htm

https://pontoscardeais.com/carro-eletrico-entenda-como-funciona/

https://www.noticiasautomotivas.com.br/mercedes-benz-confirma-o-fim-do-desenvolvimento-de-motor-a-combustao/

Power – o poder por trás da energia. History Channel. Documentário. 2014.

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Precisamos falar sobre o Nióbio!

Nos últimos dias nossa Jóia do Infinito esteve de novo nos principais meios de comunicação e redes sociais, e junto uma série de notícias que nos fazem perguntar: se o Nióbio é tão maravilhoso por que ele é tão mal explorado?

Para responder essa questão antes precisamos falar o que é o Nióbio? Com número atômico 41 e massa de 92,9 unidades atômicas, esse elemento pertence ao Grupo e Período de número 5, na área dos metais de transição. Suas principais características são a leveza e a resistência, principalmente em condições extremas de temperatura. Realmente é um elemento completo, o metal dos sonhos.

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Figura 1: Nióbio na tabela periódica.

A condição particular que agrega a si grande resistência faz dele um produto de excelente uso em diversas áreas como indústria aeroespacial, máquinas de tomografia, supercondutores eletrônicos, caldeiras, usinas nucleares, estruturas metálicas, construções marítimas, oleodutos, gasodutos e outras diversas opções.

Conhecido inicialmente como Columbio, o Nióbio foi confundido com o Tântalo durante algum tempo. Foi descoberto no Brasil na década de 20, mas somente nos anos 60 é que realmente despertou interesse para seu uso. Possuímos 98,2% de todo Nióbio do mundo, somos detentores praticamente únicos deste elemento tão coringa. A maior quantia fica na cidade de Araxá – MG, 70% aproximadamente, depois na Região Amazônica e em Catalão – GO. Além de nós, os outros quase 2% pertencem aos Canadá, EUA, Gabão, Tanzânia e Austrália. Ao custo hoje de 26 dólares o quilo, o Brasil produz em torno de 1 bilhão de dólares ao ano, com uma extração que recebe 2% de commodities de indústrias que o exploram. Isso significa que a exploração deste material é particular e quem realiza este processo paga ao país somente 2% do que recebe ao exportá-lo. Para uma comparação, a exploração de Petróleo beira os 10%, assim como outros minérios.

O Nióbio está para o Brasil assim como o Vibranium está para Wakanda, cidade fictícia do filme Pantera Negra produzido pela Marvel, onde esse material é o mais eficiente existido e transforma Wakanda, a cidade, em um lugar extremamente tecnológico, inexistente em qualquer lugar do mundo. Ela se mantém escondida para evitar exploração desenfreada.

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Figura 2: Cidade Wakanda do filme Pantera Negra.

A diferença básica é o desenvolvimento tecnológico necessário para potencializarmos o uso desse material como ele merece. Os produtos aonde ele é utilizado são altamente tecnológicos, e com demandas limitadas. O mercado de foguetes no mundo é muito restrito, vale lembrar que são somente partes das turbinas e não o material estrutural que ele compõe. Assim como a indústria de construção de tomógrafos, ou de construção de usinas nucleares é reduzida. Além disso, a demanda é pouca perto da quantia que temos no país, rapidamente saturaríamos o mercado e o valor ficaria muito elevado, pois supriríamos itens específicos. Ganharíamos dinheiro por pouco tempo e depois ficaríamos com estoque “encalhado”. Mas o que mais atrapalha nossa fantástica evolução a partir do uso deste material é a semelhança dele com outros materiais muito mais disponíveis como: titânio, tungstênio, vanádio, tântalo, molibidênio. Metais com maior disponibilidade e menor custo de obtençãono mercado internacional.

A forma mais comercializada é a liga Fe-Nb que é constituída de 65% Nb, 30% Fe e 5% de outros elementos. A coloração é cinza metálico e pode ficar azulada dependendo do tratamento térmico.

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Figura 3: Liga Fe-Nb.

O processo de obtenção é bem complexo, são ao menos 15 etapas para que a partir do mineral Columbita para chegarmos ao Nióbio puro.

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Figura 4: Mineral Columbita.

Além disso, cada 1 quilo de minério columbita produz 25 gramas de Nióbio, o que torna a eficiência econômica do processo muito baixa. Por isto, é muito mais atrativo para o país extrair outros minerais rentáveis. Na frente há a extração da ferrita e do ouro, que praticamente brota da terra durante o garimpo. Assim, o Brasil investe naquilo que realmente gera muito mais lucro. O grama do ouro custa, em média, R$ 170,78. Enfim, extrair, qual seja o material, só será interessante se realmente for rentável.

Algumas pesquisas no país têm avançado, principalmente nas universidades de Minas Gerais, para abranger a utilização como materiais compósitos de bagaço de cana enriquecido com nióbio, tratamentos superficiais e fotocatálises.

Concluindo, o Nióbio é sim um material metálico de propriedades muito interessantes, utilidade em áreas tecnológicas avançadas, o temos em abundância e quase em exclusividade. Para explorar o potencial econômico do Nióbio é necessário continuar avançando na sua pesquisa e em possíveis aplicações industriais, e isso requer investimento, estratégia e colaborações entre setores de tecnologia e industriais. E quem sabe um dia seremos a real potência sonhamos de que o Brasil seja finalmente “Wakanda forever” !

Referências Imagens

Figura 1: depositphotos_102907792-stock-photo-niobium-symbol-nb-element-of

Figura 2: https://glitched.africa/south-africa-could-get-a-wakanda-themed-amusement-park/

Figura 3: https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/o-que-e-niobio-e-como-ele-pode-cair-no-vestibular/

Figura 4: https://all.biz/br-pt/coltan-columbita-tantalita-niobio-g112526

Referências Vídeos:

Superinteressante:https://www.youtube.com/watch?v=1DV9TJOSuk0

Fatos Desconhecidos:https://www.youtube.com/watch?v=bR_u6mSC1Qw

Canal do Pirula:https://www.youtube.com/watch?v=RqohMBQfWvk

Referências Bibliográficas:

A. Cuervo, J. E. Munoz, J. S. Pantoja, F. F Vallejo Bastidas, J. J. Olaya Flórez. (2015). Recubrimentos de carburos de Nb-V-Cr depositados mediante el processo de difusión termorreactiva (TDR). Ciencia e Ingeniería Neogranadina, 25, pp. 5-20.

Lopes, O. F.; Mendonça, V. R.; Silva, F. B. F.; Paris, E. C.; Ribeiro, C. Óxidos de Nióbio: uma visão sobre a síntese do Nb2O5 e sua aplicação em fotocatálise heterogênea. Química Nova, vol. 38, No. 1, 106-117, 2015.

Melo, N. P. A. Nióbio do Brasil: um estudo sobre a variação do valor das exportações do minério (1999-2016). Trabalho de conclusão de curso em bacharel em relações internacionais. Universidade Federal de Uberlândia. Julho, 2017.

 

 

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Seja Maker!!!

Quando falamos de tecnologia vários pensamentos diferenciados vêm nas mentes das pessoas: não é para mim; isso é coisa de nerds; é para quem tem dinheiro. A imagem estereotipada de um aluno, ou aluna, pálidos, de óculos fundo de garrafa atrás de um monte de livros está bastante ultrapassada.

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A Geração Young Millenium trata-se da geração que nasceu conectada, com a tecnologia digital em suas mãos. Não é raro, mas ainda muito surpreendente, para as outras gerações a facilidade que essas crianças, hoje já também jovens, dominam o celular e o computador. A impaciência é uma característica, fatos os desviem dos objetivos são rapidamente descartados.

No entanto, são crianças antenadas educadas por pessoas que não tiveram a mesma forma de educação que elas. Uma educação padronizada que replica modelos de salas de aula da época da Revolução Industrial tipo linha de montagem. Uma sala, 40 alunos, entra o professor, despeja o conteúdo, sai e entra outro, despeja mais conteúdo. E no fim de tudo é avaliado através de provas o que “aprendeu”. Aprendizagem passiva (Figura 2).

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Como a tecnologia entra nesta nova mudança?

Antes para termos acesso a alguma informação mais específica íamos até uma biblioteca, fazíamos um cadastro, informávamos a bibliotecária qual o assunto, e dependendo da complexidade deveríamos aguardar alguns dias. Hoje na palma da mão temos praticamente toda informação que queremos. Mas é informação, não conhecimento.

O processamento dessa informação através do estudo é que nos dá a base do que precisamos saber, e reter. Nosso cérebro precisa de tempo para aprender.

A primeira grande mudança em novas formas de aprendizado foi o surgimento dos computadores pessoais, caros e acessíveis só para quem estudava em bons colégios. Mas a estrutura de aula permanecia exatamente igual, agora com 40 computadores.

Então surgiram os Geeks, pessoas ligadas em tecnologias, em geral computadores, games e ultimamente robôs de pequeno porte. Mas a velocidade das novidades e de sua obsolescência programada faz com que só esses “brinquedos” sejam insuficientes.

Não dá mais para ficar sentado na frente do computador (a TV está deixando de ser consumida por esse público) jogando, programando. E um novo movimento está surgindo: por que consumir se eu posso produzir? Mas como produzir?

Simples. Milhares de pessoas no mundo estão compartilhando suas experiências boas ou ruins, engraçadas ou trágicas através de vídeos publicados na Internet. Vídeos que diferente do professor chato da sala de aula tem uma linguagem muito mais próxima a este público, informal e de fácil assimilação. E estes vídeos também ensinam, e assim as pessoas estão em suas casas construindo coisas com as ferramentas que tem.

Segundo a Youtube Insights 2018, 31% dos brasileiros consideram o Youtube como fonte de aprendizado, 79% afirmam que é melhor assistir a tutoriais na plataforma do que ler instruções.

O Geek está virando Maker. Isso significa que a educação deixa definitivamente de ser passiva e se transforma em educação ativa, aprender fazendo. E isso não significa necessariamente que deverá fazer corretamente da primeira vez, os conceitos sobre errar também estão sendo atualizados como aprendizagem. Aprender como não se deve fazer também é aprender.

Os espaços makers são oficinas de criatividade e inovação aonde a pessoa desenvolve projetos desde a concepção até a execução final. A aprendizagem é o caminho, e aprender por si é muito mais eficiente do que simplesmente assistir uma aula expositiva. Segundo Blikstein (2018) ensinar ciência deve ser um processo de aprender fazendo o que os cientistas fazem, e não aprender sobre o que eles fazem.

Apesar de ser um espaço livre no seu uso (Figura 3), não formal para transformação de idéias. Ele converge arte, ciência e tecnologia. Além da auto manutenção e auto produção. Então alguma disciplina é necessária para que haja organização e segurança.

Foto: Priscilla Fiedler

Diferente da aprendizagem formal em um mesmo projeto a criança poderá programar sensores em uma placa Arduino, que é um pequeno circuito que pode responder a uma programação básica que auxilia em conexão de sensores, e comandos computacionais. Imprimir seu projeto em uma impressora 3D para peças plásticas. Ou construí-la em uma CNC (Comando Numérico Programável), máquina que usina materiais e transforma desenhos de CAD em peças reais de acrílico, nilon, metal. Produzir um painel de Led, entre outras inúmeras técnicas permitidas. Assim estuda princípios de Física, Matemática, Eletrônica, Mecânica, Programação, Robótica, Materiais, Administração, Empreendedorismo ao mesmo tempo.

A importância dessa mudança na aprendizagem é o fato de que a nova geração não só precisa aprender as novas tecnologias como vai utilizá-la como novas ferramentas de trabalho.  O último Fórum Econômico Mundial afirmou que 65% das crianças trabalharão com habilidades que não existem hoje ainda. Assim como antigamente as crianças voltam ao lúdico, manual e artesanal para construir o futuro, de forma mais segura e eficiente.

Escolas do país todo estão se adaptando a esse novo estilo de ensino, complementando o tradicional, mas participar depende do interesse da criança. A função mais importante dos pais será estimular esse movimento, tirar seus filhos, assim como a si mesmo do sedentarismo, e dar vazão ao estilo Maker. Pode ser que a maior disrupção será entender a partir daí que o quarto do seu filho não será mais simplesmente um quarto bagunçado. Pode ser que ele esteja virando um espaço Maker e você nem percebeu.

 

Referências:

http://www.foursales.com.br/carreira/as-previsoes-do-forum-economico-mundial-sobre-o-futuro-do-trabalho/

http://movimentopelabase.org.br/wp-content/uploads/2016/08/6.3-Cie%CC%82ncias-da-Natureza_Ana%CC%81lise-de-Paulo-Blikstein-Stanford-Univeristy.pdf

https://exame.abril.com.br/marketing/existem-dois-tipos-millennials-muito-diferentes/

http://www.clubedecriacao.com.br/ultimas/youtube-insights/

http://espaconav.com.br/

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Qual a temperatura ideal dos ambientes?

Verão chegando, 42ºC marcando nos termômetros na rua, e nada melhor do que chegar ao trabalho ou em casa e ligar o ar condicionado. Quanto mais frio melhor é o que pensamos, afinal, só um ar bem gelado para ficarmos bem. Será que isto é mesmo verdade?

Após 40 minutos começa a ficar frio, quem está perto da ventilação do ar condicionado se afasta, mas não aumenta a temperatura do aparelho,  pois outras pessoas estão chegando da rua querem um ar bem refrigerado também. Uma hora e meia depois com um calor de 40ºC lá fora você encontra-se em uma sala refrigerada vestida com casaco, pois está com muito frio. Mudar a temperatura vira uma discussão interminável, pois alguns já estão congelando enquanto outros se pudessem deixariam o grau menor ainda. Afinal, qual é a melhor temperatura, set point, para o ar condicionado?

A função básica do ar condicionado é através da troca de calor deixar o ar de ambientes internos agradável aos seus usuários, os equipamentos mais modernos tanto esfriam quanto aquecem o ar. O maior problema é determinar qual a temperatura mais agradável para seu uso.  O consumo elétrico destes aparelhos é muito alto, em prédios comerciais este valor acaba sendo o vilão das contas de energia (Figura 1).

Res Pub

Figura 1 – Distribuição de energia elétrica. Fonte: Eletrobrás, 2017.

Nas residências o consumo chega a 20% e nos prédios comerciais a quase 50% do consumo total de energia elétrica. Em tempos de crise energética ações como o uso incorreto deste equipamento podem contribuir para agravar esse tipo de situação. Mas algumas medidas muito simples podem reduzir o consumo e tornar o uso de ar condicionado mais agradável. É necessário entender um pouco de conforto térmico onde a pessoa não sente as influências de calor ou frio do ambiente. Pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a temperatura ideal do ar condicionado no verão deve estar de 23 a 26ºC e no inverno de 20 a 22ºC. Isso faz com que as pessoas não se sintam incomodadas com a temperatura.

O corpo humano tem reações diferentes para cada temperatura, a umidade do ar também influencia bastante na sensação de calor ou frio. A Figura 2 mostra como a transpiração ocorre nos dois casos.

Ar seco e umido

Figura 2 – Suor em clima seco e úmido. Fonte: Lamberts et al, 2014.

 

No caso do ar seco um bom sistema de ventilação que proporciona a evaporação do suor já é o suficiente para uma sensação de conforto. Somente nos casos de ambiente quente e úmido que não há evaporação do suor que é necessário o uso de recursos como ar condicionado, pois ele além de refrigerar também retira a umidade do ar. No entanto, não é bom para ambientes quentes e secos que podem usar recursos de ventilação para chegar a um ambiente confortável.

O Brasil possui 6 regiões climáticas distintas, e isto ocasiona em características de conforto diferentes para cada região. A Figura 3 mostra a localização de cada clima.

Brasil Bioclima

Figura 3 – Mapa climático do Brasil. Fonte: Lamberts et al, 2014.

 

Para saber mais sobre qual o clima de cada região existe uma carta psicométrica que mede as condições de temperatura e umidade ao longo do ano, mostrando as zonas frias, quentes, úmidas e secas. Essa carta pode ser um bom norteador de medidas para o uso de equipamentos ou não de refrigeração. Na Figura 4 dá para ver cada situação que varia TBS (temperatura de bulbo seco) que seria a temperatura medida no ambiente, a umidade relativa do ar e massa de vapor (g/kg).

Carta bioclimática.

Figura 4 – Carta bioclimática. Fonte: Givoni, 1992.

 

Cada área representa uma situação climática e que tipo de medida de conforto seria ideal para cada região:

A – Zona de aquecimento artificial (calefação);

B – Zona aquecimento solar da edificação;

C – Zona de massa térmica para aquecimento;

D – Zona de conforto térmico (baixa umidade);

E – Zona de conforto térmico;

F – Zona de desumidificação (renovação de ar);

G + H – Zona de resfriamento evaporativo;

H + I – Zona de massa térmica de refrigeração;

I + J – Zona de ventilação;

K – Zona de refrigeração artificial;

L – Zona de umidificação de ar.

 

Esse mapa é feito por região de acordo com suas condições climáticas ao longo de um ano, assim podemos observar (Figura 5) que regiões como Curitiba raramente precisam efetivamente de refrigeração artificial.

Carta Curiitba

Figura 5 – Carta bioclimática de Curitiba (PR). Fonte: Alucci, 2011.

 

Observa-se que o clima mantém-se a maior parte do ano entre D e E de conforto térmico ou I e J que são zonas de ventilação. O clima, baseado na carta bioclimática é mais seco no inverno e no verão, ou períodos mais quentes a umidade é confortável. O que demonstra que somente sistemas de ventilação já são suficientes para atingir o conforto térmico. Caso oposto a esse encontramos em Belém (Figura 6) que possui características climáticas muito diferentes.

Carta Belem

Figura 6 – Carta bioclimática de Belém (PA). Fonte Alucci, 2011.

 

Nesta figura o clima predominante é sempre quente e muito úmido, em sua maior parte do ano, sendo necessária a maior parte do tempo o uso de refrigeração artificial, pois o ar condicionado não só irá refrigerar como auxiliará na desumidificação do ar. O Rio de Janeiro também tem características semelhantes como indicado na Figura 7.

Carta Rio

Figura 7 – Carta bioclimática do Rio de Janeiro (RJ). Fonte: Alucci, 2011.

 

Uma boa parte do ano encontra-se quente e úmido também justificando a necessidade de refrigeração intensa. Enquanto em Brasília que é bastante conhecida por seu clima muito seco apresenta as características da Figura 8.

Carta Brasilia

Figura 8 – Carta bioclimática de Brasília. Fonte: Alucci, 2011.

 

Mesmo com altas temperaturas o clima mantém-se seco a maior parte do ano, para estes casos a ventilação seria o melhor recurso para proporcionar conforto térmico, mas utiliza-se o ar condicionado na intenção de diminuir a temperatura sem observar que ele desumidifica o ar intensificando o problema.

Podemos ver que muitas vezes com a intenção de aliviar o calor as pessoas tomam medidas erradas por desconhecimento do melhor tratamento climático para cada ocasião. Em casos de clima quente e seco, a ventilação é suficiente para atingir o conforto térmico, claro que a vestimenta contribui. Os efeitos do ambiente e das vestimentas no corpo são mostrados na Figura 9.

Conforto termico

Figura 9 – Efeitos de conforto térmico no corpo humano. Fonte: Mitsidi, 2017.

 

O uso de roupas apropriadas também auxilia no conforto térmico, então é totalmente inapropriado que no verão as pessoas trabalhem de casaco com refrigeração intensa sendo que poderiam estar com uma vestimenta mais confortável em uma temperatura agradável.

Qual seria então a temperatura ideal do ar condicionado? A resposta é mais simples do que se imagina: 22ºC.

As pessoas colocam o ar no grau mais baixo possível achando que vai esfriar mais rápido, mas não é isto que ocorre, o ambiente vai resfriar até chegar à temperatura indicada no aparelho. Então para reduzir o calor ele insuflará ar refrigerado a uma temperatura bem inferior, forçando as pessoas próximas a área de ventilação a ficarem imediatamente desconfortáveis. A temperatura baixa demorará mais para ser atingida e quando ocorrer o aparelho desligará. Como está bem quente logo ele religará para novamente equilibrar a temperatura baixa do local e assim o consumo de energia elétrica atingirá valores bem altos. E 18ºC não é uma temperatura confortável.

Baseado nas cartas bioclimáticas a necessidade de refrigeração forçada somente ocorrerá em locais efetivamente úmidos e quentes, a conscientização disto já reduziria muito o consumo de energia no país. O pico de energia que há dez anos era entre 18 e 20 horas por conta dos chuveiros elétricos foi alterado para o período entre 14 e 17 horas, pois é quando as pessoas retornam do almoço com calor e ligam, ou diminuem a temperatura dos escritórios.

Manter o set point em 22ºC é uma questão de hábito. Inicie aos poucos, em curtos períodos e faça um comparativo entre um período mais frio ou confortável. Não esqueça de ventilar o ambiente de tempos em tempos, pois uma sala fechada acumula CO2 da respiração e torna as pessoas sonolentas. E se possível nem use o ar condicionado, opte pelas janelas abertas se houver possibilidade, principalmente em dias muito secos. Mantenha a manutenção do sistema de refrigeração em dia.

A empresa Mitsidi em uma pesquisa recente com dados práticos descobriu que cada vez que se muda o set point em 2ºC para mais de um prédio comercial a conta de luz tem uma redução de 7%. Sem nenhum valor gasto para isto.

Referências:

ALUCCI, Marcia. Climaticus, Labaut, FAUUSP,  2011.

GIVONI, B. ComfortClimate Analysis and Building Design GuidelinesEnergy and Buildings, v. 18, n. 1, p. 11-23, 1992.

LAMBERTS, Roberto, et al. Eficiência Energética na Arquitetura. 3ed. Rio de Janeiro: ELETROBRAS/PROCEL, 2014.

http://mitsidi.com

http://www.fau.usp.br/pesquisa/laboratorios/labaut/conforto/index.html

 

 

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Exoesqueletos Made in Brazil

Observe a natureza e ela te dará respostas. Uma das soluções que a natureza criou para proteger os seres vivos mais geniais é o exoesqueleto, literalmente esqueletos externos, que dão proteção e apoio ao corpo de muitos insetos, crustáceos e outras espécies. Antigamente só ouvíamos falar desta palavra na biologia, pois quando uma pessoa tinha uma lesão séria que precisasse de uma prótese ela deveria ser o mais escondida possível. A semelhança com os membros humanos era fundamental para não haver nenhum tipo de discriminação. Com o avanço da tecnologia veio também a preocupação não só com a estética mas também com a eficiência destes dispositivos de apoio. E as próteses internas, de implantação dolorosa passaram a não ser efetivamente as melhores opções.

Poderíamos dizer que exoesqueleto é a extensão que potencializa nosso corpo, e também nos protege. Então um carro, bicicleta ou mesmo um martelo não deixa de ser um dispositivo que melhora nossos movimentos, ou seja, assim como os caramujos, também utilizamos exoesqueletos diariamente.

Copa do Mundo de 2014 no Brasil, o país paralisado em frente das televisões no dia da abertura. Além da encenação teatral houve show com grandes astros da música mundial, e em meio a tanta festa um feito inédito para quem respira, vive e ama a ciência.

Juliano Pinto, de 29 anos e, paraplégico, deu o primeiro chute da competição com o auxílio de um exoesqueleto comandado pelo seu cérebro através de sensores conectados numa espécie de capacete onde o pensamento ordena o movimento das suas pernas. Um feito maravilhoso para a ciência brasileira que enfim seria reconhecida e aplaudida por um público mundial de aproximadamente 3,5 bilhões de pessoas. Sim, meio planeta veria o “chute simbólico”. Mas infelizmente em uma chamada urgente para mostrar o ônibus da seleção brasileira, aquela do 7 x 1 (para quem não lembra: gol da Alemanha!), o grande espetáculo científico resumiu-se a um chute de 3 segundos. Somente 3 segundos mostrando o trabalho de mais de 150 pesquisadores de vários países, comandados pelo Professor brasileiro Miguel Nicolelis. Seriam 29 segundos, uma apresentação internacional sobre pesquisa na área de robótica do mundo resumida em pouquíssimo tempo. Foram apenas 3 segundos…

Exoesqueleto brasileiro

Juliano no momento do chute na Copa do Mundo do Brasil. Fonte: G1/Globo.

Esse é o valor agregado à pesquisa na área de robótica no país do futebol. Após todo esse imbróglio as esperanças foram diminuindo sobre investir, estudar e pesquisar neste país.

Até conhecer estas mulheres que sem saber que era impossível elas foram lá e fizeram (Jean Coteau).

Michele de Souza, neuroengenheira, criou um exoesqueleto junto com um grupo multidisciplinar (o Cycor) que montou este equipamento inteiro no Brasil, com usinagem de baixo custo e desenvolvimento de alta tecnologia. A princípio foram pequenos passos que prometem grandes possibilidades. Muitos pesquisadores no mundo realizam o mesmo feito, a diferença é que este grupo está produzindo protótipos que já estão sendo testados e serão comercializados brevemente. O maior objetivo não é apenas promover a tão sonhada independência para estes usuários, mas sim comercializar o exoesqueleto com um valor semelhante ao de uma cadeira de rodas, em torno de mil reais. Antes desse projeto o valor de um exoesqueleto era inacessível e não comercializável.

Geane Poteriko, professora de Letras da rede estadual do Paraná, viu-se diante de um grande desafio quando sua filha, Dara (foto abaixo), teve a Síndrome da Brida Amniótica. Esta síndrome causa formação de faixas e cordões de tecido fibroso que aderem ao feto, podendo comprimir partes do corpo e causando malformações levando a possíveis amputações no bebê no próprio útero. Dara foi afetada na mão direita e Geane procurou soluções que auxiliassem a independência da sua filha. Descobriu um projeto americano que fornece mãos biônicas de baixo custo criadas para impressoras 3D, através de códigos de construção que eles doam para o mundo todo. Já existem alguns voluntários no Brasil, mas antes mesmo de fazer uma mão para Dara, a mãe começou a pensar que poderia ajudar outras pessoas. Assim Geane criou a Associação Dar a Mão com o professor engenheiro Osiris Canciglieri e a professora engenheira Lúcia Miyake da PUC-PR, e começaram a projetar e construir mãos biônicas de baixo custo. No Brasil esses dispositivos são vendidos em torno de mil e quinhentos reais – o que impossibilita muitas famílias de adquiri-los – e a equipe de Geane sabendo que o custo fica em torno de duzentos reais tomou a decisão de fabricar e doá-los para quem precisa e não pode comprar. Ela criou uma rede de fabricantes voluntários e transformou um desafio pessoal em uma missão humanitária. Dara tem um dispositivo protético 3D de “princesas”, cor de rosa e linda como sua dona. Expõe sua mão com orgulho e a usa melhorando a parte muscular e as cognições cerebrais da região. Outras mãozinhas de heróis estão sendo fabricadas e entregues para crianças que melhoram a autoestima e confiança. Parece brinquedo, mas muda uma vida.

Dara

Dara com sua mão biônica. Créditos: Geane Poteriko.

Fazer robótica no Brasil é complicado. Pouco incentivo financeiro para pesquisas e muito menos para desenvolvimento de dispositivos tão importantes. Seria mais fácil simplesmente ignorar e ir para o exterior realizar estas pesquisas. Estas mulheres superaram todos estes problemas e resolveram que sim: elas podiam! Estão fazendo, não só exoesqueletos, mas história.

Sem dúvida, parafraseando Neil Armstrong: é um pequeno passo para o homem, mas um salto gigantesco para a humanidade. Essas mulheres resolveram que era só “Dar a Mão” e mudar o mundo.

Referências

http://g1.globo.com/pr/parana/videos/v/projeto-feito-por-voluntarios-tem-devolvido-o-sorriso-a-quem-precisa-de-proteses/6002353/

http://g1.globo.com/pr/parana/videos/v/exoesqueleto-e-esperanca-de-mobilidade-para-paraplegicos/5867291/

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/06/jovem-paraplegico-usa-exoesqueleto-chuta-bola-na-abertura-da-copa.html

http://aasdap.org.br/projetos/projeto-andar-de-novo/

http://associacaodaramao.blogspot.com.br/

http://www.cycor.com.br/

http://enablingthefuture.org/