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A moeda do momento: suas informações

O mundo gira pela roda do capitalismo, o consumo é a base da sociedade atual, ela que molda seu trabalho e até suas relações pessoais e é claro que as empresas sabem disso.

Já algum tempo as empresas utilizam dos seus desejos mais secretos para fazê-lo consumir mais. Antigamente você ia até uma loja e lá um funcionário lhe ajudaria a achar o que mais lhe agradasse, hoje o tempo que você passa vendo uma propaganda na internet, um like em um artista, uma pesquisa num buscador é muito mais do que o suficiente para traçar o seu perfil e enviar marketing personalizado para você. Por um lado pode até facilitar a sua vida quando necessário mas e quando isso extrapola a necessidade? Milhões de pessoas se endividam devido a um consumo exagerado e essas propagandas direcionadas tem colaborado fortemente para isso.

O Customer Relationship Management (CRM) é um termo em inglês que pode ser traduzido para a língua portuguesa como Gestão de Relacionamento com o Cliente. Foi criado para definir toda uma classe de sistemas de informações ou ferramentas que automatizam as funções de contato de empresas com os clientes.

Por um tempo essa relação entre os clientes e as empresas eram feitas de outras formas, muitas vezes também não muito honestas como em caso de compras de dados telefônicos e cpf ou a famosa abordagem aos aposentados pelas empresas de empréstimos. Agora a coleta de dados é automatizada e quem está disponibilizando as nossas informações somos nós mesmo.

As ferramentas que utilizam o CRM ajudam a montar campanhas específicas para certos públicos e manter um bom relacionamento com seus clientes armazenando e inter-relacionando de forma inteligente, informações sobre suas atividades e interações com a empresa.

Os dados são a nova força vital do capitalismo.O fluxo de dados agora contribui mais para o PIB mundial do que o fluxo de bens físicos.

Em outras palavras, há mais dinheiro na movimentação de informações entre fronteiras do que movendo soja e refrigeradores.

A circulação global de dados é realmente sobre a circulação global de capital. E tem enormes consequências para a organização global da riqueza e do trabalho.

Os fluxos de dados permitem que os empregadores em países com salários mais altos terceirizem mais tarefas para trabalhadores em países com baixos salários. Eles ajudam as empresas a coordenar cadeias de fornecimento complexas que empurram empregos de manufatura para os lugares com os custos de mão de obra mais baratos.

O quanto é irresponsável para o planeta esse consumo desenfreado com o modelo capitalista que virá a causar uma catástrofe ambiental em nome do lucro. Mas a coleta de dados não são apenas para o consumo, suas informações podem ser usadas para definir governos.

Recentemente o Facebook aceitou pagar multa de 500 mil libras pelo caso Cambridge Analytica, uma grande empresa de mineração de dados nas redes.

A empresa britânica Cambridge Analytica foi acusada de coletar e explorar sem consentimento os dados pessoais de milhões de usuários, que foram disponibilizados pelo Facebook, com uma finalidade política, sobretudo para fazer o Brexit ganhar no Reino Unido e Donald Trump nas eleições presidenciais americanas de 2016.

O documentário “Privacidade Hackeada” mostra os bastidores desse escândalo. A empresa britânica utilizava dados pessoais de usuários do Facebook para traçar perfis da população americana e criar anúncios segmentados para grupos de indecisos. Essa prática teria exercido uma influência decisiva na corrida eleitoral do EUA, mas não somente lá.

Em Trindad e Tobago a estratégia foi outra, minimizar a atuação política dos jovens, em especial dos jovens caribenhos de forma que o partido de maioria afro-caribenha, Movimento Nacional do Povo (PNM), cedesse o lugar ao partido indiano UNC.

A campanha teve traços perversos, um slogan “Do So” (Não Vote) e impulsionou os jovens nas redes e nas ruas de maneira que parecia um movimento genuíno da juventude mas que foi justamente programado para tal.

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Pôster da campanha “Do so”, promovida pelo UNC. Foto: Kierron Yip Ngow/ Facebook

Vimos recentemente o grande efeito das fake news, divulgadas nas redes sociais, nas questões políticas no Brasil mostrando que também estamos suscetíveis a esse tipo de interferência cibernética. Tudo que compartilhamos e recebemos nas redes tem impactado cada vez mais em questões que extrapolam a internet, economia e governo. Não existe mais uma separação entre vida real e virtual, tudo está conectado.

Referências

1)Documentário “Privacidade Hackeada”, Karim Amer e Jehane Noujaim, 2019.

2)https://news.harvard.edu/gazette/story/2019/03/harvard-professor-says-surveillance-capitalism-is-undermining-democracy/

3)https://exame.abril.com.br/negocios/facebook-aceita-pagar-multa-de-500-mil-libras-por-caso-cambridge-analytica/

4)https://www.theguardian.com/technology/2018/jan/31/data-laws-corporate-america-capitalism

5)https://www.smartdatacollective.com/ways-big-data-changing-capitalism-centuries-come/