Quem malha seus males espanta! Como a atividade física ajuda na redução de danos neurológicos

Tem gente que adora fazer atividade física! Corre, dança, nada, malha. Está sempre bem-disposto, de bem com a vida, cara de gente saudável! Mesmo aqueles que não são tão simpáticos a fazer atividades físicas sabem dos seus benefícios para manter o corpo são, mas será que eles sabem que podem estar prevenindo doenças neurológicas que poderiam vir a acontecer?Parece tão distante e não relacionado correr e com isso melhorar a função cerebral, mas um grupo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, liderado pela Dra Fernanda De Felice (1), mostrou que essa relação existe sim! Os autores mostraram que pacientes em estágio avançado de Alzheimer não possuíam uma proteína chamada irisina no fluido cerebrospinal. Os autores já conheciam essa proteína de estudos anteriores. O nome irisina foi dado em homenagem a Íris, mensageira dos deuses gregos (2) e como todo bom mensageiro, ela leva uma informação de um lugar para o outro. No caso da irisina a mensagem é levada para várias partes do corpo onde ela pode agir como uma molécula anti-inflamatória, reduzir a replicação de células de câncer, fortalecer os ossos entre outras atividades biológicas que podem recuperar um tecido danificado (3). Ela também pode chegar ao cérebro e, sabendo dessa característica, os autores se perguntaram se seria possível que manter os músculos em atividades, a famosa atividade física, poderia levar a uma melhora das condições cerebrais de pacientes com Alzheimer. Por questões éticas, não foi possível usar pacientes, mas os autores usaram animais com danos cerebrais parecidos com o Alzheimer e viram que, quando esses animais eram submetidos a atividade física regular, eles apresentavam aumento na comunicação entre os neurônios – o que levou a recuperação da memória. Mais do que a melhora do prognóstico, animais que já faziam exercícios regulares mostraram um perfil clínico de proteção ao desenvolvimento da doença.

Adaptado de: An exercise-induced messenger boosts memory in Alzheimer’s disease.

Pessoas que tem Alzheimer geralmente são idosas e costumam ter outras comorbidades como artrite reumatoide, problemas cardíacos, obesidade e depressão. Logo a prática de exercício físico não é uma alternativa viável num primeiro olhar, até por isso outras alternativas terapêuticas vêm sendo estudadas, como já vimos por aqui antes. Mas, assim como a administração de medicamentos requer supervisão, quem sabe, no futuro, a supervisão se estenda aos exercícios físicos. Por hora nos resta a parte da prevenção. Está nas nossas mãos. Já estamos cheios de motivos para levantar do sofá e começar a nos exercitar, certo?

(1) https://www.nature.com/articles/s41591-018-0275-4

(2) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3522098/

(3) Irisin as a Multifunctional Protein: Implications for Health and Certain Diseases

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