8Março2019: Dia histórico em Portugal!

Um dia histórico e emocionante – será assim que o dia 8 de Março de 2019 será lembrado, por muitas das mulheres que o viveram em Portugal. Neste dia que assinala o Dia Internacional da Mulher estavam marcadas manifestações em 13 cidades (Albufeira, Amarante, Aveiro, Braga, Coimbra, Covilhã, Chaves, Fundão, Lisboa, Ponta Delgada, Porto, Vila Real e Viseu) para reivindicar igualdade de direitos e para protestar contra as violências praticadas contra as mulheres, num ano que se iniciou particularmente trágico, porque em dois meses foram assassinadas 12 mulheres, pelos seus companheiros [1].

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Porto, foto de Helena Ferreira 

Estava, também, marcada uma greve feminista inédita, em solidariedade com a greve internacional, que se concretiza com bastante sucesso, pelo terceiro ano consecutivo, em países como Espanha, Argentina e Itália. Andrea Peniche, de “A Coletiva” e da “Rede 8 de Março”, explica que esta “não é uma greve como as outras, é uma greve social, que coloca no centro a realidade da vida das mulheres, para perceber o significado do conceito “trabalho”” e “que se organiza em quatro eixos fundamentais: greve ao trabalho assalariado, greve ao trabalho doméstico e dos cuidados, greve ao consumo e greve estudantil” e explica, por miúdos, que neste país ainda: 1. enfrentamos uma justiça machista, que culpa as vítimas e desculpabiliza os agressores; 2. trabalhamos 58 dias sem receber, porque os nossos salários são mais baixos do que os dos homens quase 16%; 3. somos o principal rosto da pobreza; 4. não temos direito a lazer, porque acumulamos o trabalho assalariado com o trabalho doméstico e dos cuidados; 5. trabalhamos mais duas horas diárias que eles nestas tarefas, ou seja, dedicamos-lhe 4h30 por dia; 5. e continuamos a ser objectificadas, mercadorizadas e invisibilizadas. Por tudo isto “não queremos flores, queremos direitos” [2].

 

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Lisboa, foto de Bruno Góis 

É ainda Andrea Peniche que salienta que o movimento sindical foi desafiado a juntar-se a esta greve, mas houve apenas cinco pré-avisos: do Sindicato das Indústrias, Energia, Serviços e Águas de Portugal (Sieap), do Sindicato Nacional do Ensino Superior (Snesup), do Sindicato dos Trabalhadores de Saúde, Solidariedade e Segurança Social (STSSS), do Sindicato dos Trabalhadores de Call-Center (STCC ) e do Sindicato de todos os Professores (STOP) —, permitindo que só as mulheres (e homens, se o desejassem) que trabalham nestas diferentes áreas pudessem parar de trabalhar legalmente.

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Coimbra, foto de Daniel Sansão 

Patrícia Martins, também da “Coletiva” e da “Rede 8 de Março” e uma das maiores dinamizadoras do movimento [3], a nível nacional, que coloca na ordem do dia os problemas da desigualdade e da violência contra as mulheres e exige respostas, salienta que “muitas mais mulheres gostariam de ter feito greve, mas não lhes foi possível. Espera-se que para o ano o dia seja de greve geral”.

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Em Vila Real, foto de Gil Rego

Quanto ao facto deste dia 8 ficar na história como o que uniu milhares de pessoas (20 000 em Lisboa, 7 000 no Porto, 500 em Braga, e as restantes pelas outras localidades), principalmente mulheres, nas lutas feministas revela que “este é o resultado de um processo de mobilizações feministas que têm acontecido no Porto, nos últimos dois anos, desde a Marcha das Mulheres, como as concentrações em frente ao Tribunal da Relação do Porto (para protestar contra a justiça machista) e outras que se têm realizado devido à persistência de uma cultura de violação em Portugal”.

Para o ano esta organização pretende aumentar o nível de participação nas manifestações e organizar a maior greve feminista alguma vez realizada em Portugal, porque “se as mulheres param, o mundo pára”.

Até lá, queremo-nos vivas, livres e unidas!

[1] https://www.dn.pt/pais/interior/dois-meses-e-11-dias-23-pessoas-mortas-14-por-violencia-domestica-10667254.html

[2] https://www.publico.pt/2019/03/06/sociedade/opiniao/nao-queremos-flores-queremos-direitos-1864358?fbclid=IwAR36JhoG8Sc5xRi61aQXGCQAkZynPSzI2TVs0B6h-heu0MJ6P6cjUEKFVkQ#gs.u0OxqvCf

[3] https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/patricia-martins-temos-uma-sociedade-estruturada-na-exploracao-do-trabalho-das-mulheres-gratuito-e-invisibilizado-390145?fbclid=IwAR39-Bu1-PCs-wSfTCwHP5KigaFiUBFJpQWfLIE4TacVgIMtCYNyGGSwh6s#.XH-vy211vLc.facebook

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