Bell Burnell, uma história para se inspirar

Em tempos de retrocessos políticos é muito importante buscarmos forças para continuar nas lutas diárias, seja lá qual for a luta que você escolheu se dedicar. Hoje contamos aqui a história de uma mulher cientista (uma das principais astrofísicas do Reino Unido), pessoa generosa que dedica a sua vida por uma ciência que é inclusiva e garantimos que sua história é pura inspiração! Estamos falando da astrônoma Dame Susan Jocelyn Bell Burnell (momento dos aplausos!)

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Para começar podemos voltar à 1967, quando Bell Burnell estava na pós-graduação na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Foi nesse período que ela encontrou o primeiro Pulsar, que é uma estrela de nêutrons que transforma energia rotacional em energia eletromagnética. U-a-u! Mas o que é isso mesmo?

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Quando uma estrela morre, ela pode ter alguns tipos de finais diferentes, dependendo de sua massa. Se for uma estrela relativamente leve (como o nosso sol), ela poderá virar uma anã branca. Se for uma estrela com muita massa ela poderá virar um buraco negro ou uma estrela de nêutrons, também chamada de Pulsar, que foi observada no espaço pela primeira vez em 1967 por Bell Burnell.

Os Pulsares ou estrelas de nêutrons possuem um campo magnético muito grande e, ao fazerem rotação, feixes de radiação escapam pelos pólos magnéticos criando uma luminosidade como um farol no universo.

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Créditos: Michael Kramer (University of Manchester)

Quando Burnell trouxe esse grande conhecimento astronômico para o mundo era orientada pelo professor Antony Hewish e tinha em sua equipe o colega astrônomo Martin Ryle, que ganharam o Prêmio Nobel de Física em 1974 por conta da descoberta de Bell Burnell, no lugar dela. A comunidade científica nunca aceitou o fato de Bell Burnell não ser devidamente premiada mas em seus relatos, a astrofísica dizia que era apenas uma estudante de ciências e já ganhar o Prêmio Nobel não seria muito adequado…(WHAT?) [1]

Porém, Bell Burnell continuou sua carreira como pesquisadora em astrofísica e brilhou como um farol de Pulsar! Aos 75 anos, Burnell é professora de Astrofísica na Universidade de Oxford, e Chanceler da Universidade de Dundee. E mais recentemente, recebeu reconhecimento em setembro deste ano ganhando o Prêmio Especial de Inovação em Física Fundamental, do Breakthrough of the Year, levando US$ 3 milhões!

E o melhor está por vir! Pois bem, essa semana, durante a cerimônia de entrega da premiação, Burnell irá investir os US$ 3 milhões em bolsas de estudos para mulheres, refugiados e pessoas de etnias minoritárias, com o intuito de promover a diversidade na ciência. Isso mesmo, minhas caras e meus caros, essa mulher, que teve a vida injustiçada como muitas de nós irá lutar para que mais mulheres tenham espaço na carreira científica, não só mulheres como outras minorias. Acho que essa atitude é um lindo pisar nas costelas da sociedade patriarcal, não é mesmo? Em entrevista Burnell ainda disse: “Não quero e nem preciso do dinheiro sozinha, e me pareceu que essa era a melhor maneira de usá-lo”. Olhem bem para esse rostinho da década de 60, respire fundo e continue a lutar. [2]

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Créditos: ROGER W HAWORTH/WIKIMEDIA COMMONS

Referências

[1] Revista Galileu – 2018 https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/09/excluida-do-nobel-astronoma-ganha-premio-de-fisica-50-anos-depois-da-incrivel-descoberta.html

[2] BBC – 2018 https://www.bbc.com/portuguese/geral-45432286

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