Quando o segundo sol chegar…

…ou um outro planeta presente no sistema solar

Se você estava vivo no Brasil nos últimos 15 anos, tenho certeza que você já ouviu a música Segundo Sol, composta por Nando Reis e imortalizada na voz da querida Cássia Eller (sempre viva em nossos corações). Esses dias eu estava ouvindo a explicação do próprio Nando sobre a letra dessa música e ele conta que uma amiga espiritualista acreditava na possibilidade de existir um segundo sol (que não seria necessariamente um sol, mas um astro) que teria uma influência na vida das pessoas quando estivesse próximo a orbita da Terra.

Para os mais céticos parece uma loucura. Mas essa teoria está totalmente incorreta? Nesse texto trato dos relatos históricos e aspectos científicos da descoberta de um outro planeta presente no sistema solar.

Nibiru

Nancy Lieder é uma moradora do estado de Wisconsin nos EUA que afirma que na sua infância foi contatada por entidades extraterrestres cinzentas chamadas Zetas, que implantaram um dispositivo de comunicação em seu cérebro e a informaram que um planeta chamado Nibiru, ou o “Planeta X”.

Nancy_Lieder_2

Nancy e seus amigos Zetas lá no painel do fundo

Segundo a descrição de Lieder, feita em 1995, o Planeta X teria cerca de quatro vezes o tamanho da Terra e estaria muito próximo da Terra no dia 27 de maio de 2003. Esse rolê todo faria com que a rotação terrestre ficasse completamente parada por cerca de 6 dias. Além disso, a aproximação de Nibiru iria desestabilizar os do pólos da Terra e gerar uma mudança de pólos, causada pela atração magnética entre o núcleo da Terra e do magnetismo que passa pelo planeta.

Eu, particularmente, acho essa história digna do Cabo Daciolo, não é mesmo? Com certeza a mudança dos polos da Terra é o que iria mudar eixo de tudo, virar o planeta de cabeça pra baixo (como se no universo tivesse parte de cima e parte de baixo) pra finalmente rolar a instalação da Ursal.

12218620

Olha aí o mapa de ponta cabeça claramente depois da inversão de polos de Nibiru

Mas Nancy não foi a única a acreditar na chegada de um planeta externo não, ouviu?

Em 2012, Rodney Gomes, um cientista do Observatório Nacional do Brasil, modelou as órbitas de 92 objetos do cinturão de Kuiper e descobriu que seis delas eram mais alongadas do que o esperado. Rodney concluiu que a explicação mais simples era a atração gravitacional de um planeta distante. Dois anos depois, os astrônomos Konstantin Batygin e Mike Brown também se depararam com a possibilidade de existência de outro planeta que faria parte do sistema solar (não é Plutão, ok?). Em 2016 eles publicaram o artigo “Evidence for a distant giant planet in the solar system” mostrando os cálculos que evidenciavam a existência do planeta, que seria realmente gigantesco.

Os cálculos orbitais sugeriram que, se existir, este planeta tem a massa cerca de nove vezes maior que a massa da Terra e sua órbita seria um caminho elíptico ao redor do Sol que dura cerca de 20 mil anos. A sua menor distância da Terra seria o equivalente a 200 vezes a distância Terra-Sol, ou 200 unidades astronômicas. Essa distância o colocaria muito além de Plutão, no reino dos corpos gelados conhecidos como o cinturão de Kuiper.

orbita

Em laranja, a órbita do Planeta 9

 Apesar das evidências a respeito da sua massa e da sua órbita, a localização do Planeta 9 ainda é desconhecida pois ele poderia estar em qualquer lugar de sua imensa orbita. No final do artigo os cientistas deixam claro que o propósito não era, de forma alguma, “perturbar” a ciência e sim mostrar as evidências encontradas em seus cálculos. Brown declarou: “Adoraria encontrá-lo, mas também ficaria feliz se outra pessoa o encontrasse. É por isso que estamos publicando este estudo. Esperamos que pessoas se inspirem e comecem a buscá-lo”.

                Na minha humilde opinião, se esse planeta vier, que venha logo.

o-padre-fabio-de-melo-esta-mais-cansado-que-a-luc-2-11515-1478717040-1_dblbig

Referências

  1. BATYGIN, Konstantin; BROWN, Michael E. Early dynamical evolution of the Solar System: Pinning down the initial conditions of the Nice model. The Astrophysical Journal, v. 716, n. 2, p. 1323, 2010.
  2. BATYGIN, Konstantin; BROWN, Michael E. Evidence for a distant giant planet in the solar system. The Astronomical Journal, v. 151, n. 2, p. 22, 2016.
  3. BRASSER, R. et al. An Oort cloud origin for the high-inclination, high-perihelion Centaurs. Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, v. 420, n. 4, p. 3396-3402, 2012.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s