Vamos falar de política: por que somos #elenão?

43103402_1965589976840185_2460453641367060480_nO primeiro nome deste site já diz: somos cientistas (ou divulgadoras científicas). Somos muitas e somos plurais. Estamos pelo Brasil todo e até mesmo fora do Brasil, estudando ou trabalhando. O segundo nome diz respeito a um valor muito claro: somos feministas. Ser feminista, acima de tudo, como bem já disse a escritora e intelectual negra Chimamanda Ngozie Adichie, é acreditar na igualdade social e econômica entre homens e mulheres na sociedade. É também lutar por esses valores, estudá-los, escrever sobre eles, encorajá-los e praticá-los.

Se não tivéssemos que prestar atenção nas questões de gênero e de raça, no mundo e no Brasil, não veríamos que os premiados do Nobel são em sua maioria homens – 97% desde 1901 – e brancos. A diversidade e a representatividade não são a regra no universo acadêmico. Mas há pessoas lutando para que esses valores sejam.

Vamos retroceder alguns dias para cutucar uma ferida: em 30 de julho de 2018, o candidato à presidência da República pelo PSL Jair Bolsonaro disse em entrevista no programa Roda Viva que não existe pesquisa científica no Brasil. No início de agosto, a hashtag #existepesquisanobr invadiu o Twitter e outras redes sociais, levando milhares de cientistas brasileiros a falar sobre seus projetos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Gente que trabalha e tenta contribuir para que a ciência brasileira avance em nosso país e a nível internacional. O que Bolsonaro disse simplesmente joga o trabalho de muitos profissionais no lixo e demonstra profundo desconhecimento sobre o que o Brasil produz, investe e estuda.

Em um apanhado da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que consolidou as propostas de governo de cada candidato para ciência, tecnologia e inovação, vemos que Bolsonaro é o candidato do empreendedorismo, de simpatia pela iniciativa privada em conjunto com universidades, do investimento no ensino básico e na visão de ciência como sinônimo de “produto, negócios, riqueza e oportunidades”. Nada contra o empreendedorismo, a iniciativa privada e o investimento em educação básica. Mas ao focar de forma pesada no espírito empreendedor que as universidades deveriam ter e no produto que a ciência deveria gerar, ele não contempla o contexto social brasileiro.

Hoje, no Brasil, segundo o Censo IBGE de 2010, pouco mais de 12,6 milhões de brasileiros concluíram alguma graduação. Para aumentar esse número, as oportunidades precisam ser apresentadas, inclusive estímulos sociais, a exemplo das cotas para entrada em instituições públicas. Outro ponto: a ciência não é só pesquisa aplicada e produtos que geram riquezas. Há muita gente fazendo pesquisa básica e, no projeto de governo de Bolsonaro, esse item passa batido. Ele também propõe reduzir a quantidade de ministérios, mas não diz, por exemplo, onde encaixará ciência e educação. Bolsonaro, de fato, é uma incógnita.

Mas há pontos em que ele é claro e cristalino. Bolsonaro é abertamente a favor da tortura, da família tradicional que envolve apenas homem e mulher, já foi racista e sexista em muitos discursos e é admirador escancarado de uma das pessoas mais horripilantes da história da Ditadura no Brasil: o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. Não adianta colar links para comprovar cada uma dessas coisas porque a verdade é que quem o defende sabe de seus valores e o apoia. Ele não tem vergonha de falar essas coisas. Ele é o que é. Mas nós não somos o que ele é. Quem é feminista nunca vai defender o que Bolsonaro defende.

Por isso, deixando bem claro os valores humanos que a gente quer ver em nosso país. Queremos candidatas e candidatos que apoiem a participação feminina em todos os setores da sociedade. Queremos ver nossas mulheres livres, sendo e exercendo o que elas desejam. Queremos respeito à população gay e trans e que essas pessoas possam andar nas ruas sem medo de serem agredidas. Queremos participação da sociedade na dívida histórica que temos com a população negra e indígena. Queremos entendimento sobre o que são os direitos humanos, além de candidatos que os apoiem. Queremos respeito à individualidade e diferença de cada ser humano. Esse mundo da tortura, do homem e da mulher branca acima de tudo, detentores do conhecimento e das boas educações, já marcou durante muito tempo a nossa história.

A história que queremos é bem diferente e não inclui retrocessos nos direitos humanos e sociais, tão pouco a apologia aberta pra que se cometa ainda mais violência no interior de nossa sociedade, tão débil de perspectiva de futuro. Nos colocamos contra qualquer forma de retrocesso, com avanço de uma ideologia neofascista encabeçada por Bolsonaro. As mulheres sempre estiveram à frente das lutas democráticas e da busca pelo bem comum; seguiremos firmes em nossos objetivos, até a vitória.

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