A História que sobreviverá ao Museu

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Quase nada se salvou da catástrofe que acometeu neste 2 de setembro o Museu Nacional, sendo muitos danos irreparáveis. Com este lugar, não apenas o povo brasileiro, como ainda pesquisadores do mundo inteiro, possuem dívidas históricas que sobreviverão à sua queda.

Algumas dessas dívidas constam de revista do próprio Museu Nacional (PPGAS/UFRJ) [1]. Em artigo recente sobre uma delas [*], o antropólogo Manuel Ferreira Lima Filho [3] afirma que pretendia: “(…) buscar conexões entre os itinerários dos atores e personagens relacionados à constituição da coleção, que pudessem revelar as representações sobre o desenvolvimento da antropologia enquanto disciplina nos Estados Unidos (…) e no Brasil, (…).” (FILHO, 2017, p. 475).

Entre essas personagens, afirma que a antropóloga Heloísa Alberto Torres, sua diretora no século passado (1938-1955): “(…) fez da necessidade da formação de novos antropólogos, fossem eles estadunidenses ou brasileiros, a sua meta mestra enquanto diretora do Museu Nacional (…).” (FILHO, 2017, p. 477). Dessa meta do Museu, nascia o melhor Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Brasil, ministrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGAS/UFRJ).

Ainda na época de Heloísa: “Havia um acordo informal entre o Museu Nacional do Rio de Janeiro e a Universidade de Columbia para a realização de pesquisas e a formação de etnólogos.” (FILHO, 2017, p. 477). Ao longo do tempo, acordos similares continuaram a ser firmados, como atesta o próprio Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) [3], até os últimos dias desta importante instituição.

Essa história, entre mil outras, serve para ilustrar como esse lugar, abandonado em tantas instâncias, serviu à cooperação entre os povos e ao avanço científico de nosso país ao longo de sua existência. Quiçá possa também servir para demonstrar uma parte das contribuições de museus que, atualmente, correm risco de ter o mesmo triste fim.

Que suas histórias sejam sempre recontadas, para que não se tenha apenas uma ideia desses locais como pontos turísticos, e sim como guardiães das verdadeiras riquezas de uma nação.

 


[*] Referências:

LIMA FILHO, M. F. “Coleção William Lipkind do Museu Nacional: Trilhas Antropológicas Brasil-Estados Unidos”. IN: MANA 23(3): pp. 473-509, 2017. PPGAS/UFRJ, Rio de Janeiro – DOI http://dx.doi.org/10.1590/1678-49442017v23n3p473 <03/set/2018>

Notas:

[1] http://ppgas.biblioteca.ufrj.br/index.php/mana <03/set/2018>

[2] http://lattes.cnpq.br/9114125597206149 <03/set/2018>

[3] http://www.museus.gov.br/tag/cooperacao/page/2/

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