Veículos autonômos: quão perto estamos de ver carros dirigindo completamente sozinhos nas ruas?

Imagine que você está fazendo uma viagem longa de carro ou está preso no trânsito das cidades grandes, como em São Paulo, por exemplo, onde os motoristas passam o equivalente a 1 mês e meio no trânsito por ano1 E pensa “não seria ótimo se eu pudesse só falar para o meu carro onde eu quero ir e ele me levasse até lá sem nenhum esforço meu?”. Depois de milhares e milhares de pessoas passarem por essa situação e, claro, com a ajuda de avanços tecnológicos, cientistas começaram a desenvolver veículos autônomos, ou seja, que não necessitam de alguém na posição de motorista. O funcionamento dos veículos autônomos é explicado no vídeo a seguir:

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Como funcionam veículos autônomos. Fonte: Neowin.

O rápido desenvolvimento das tecnologias necessárias para viabilizar esses veículos tem trazido eles para uma realidade mais alcançável. Veículos autônomos são equipados com milhares de sensores, principalmente de três tipos: sensores de distância LIDAR (Light Detection And Ranging), câmeras coloridas e radares.2 Computadores de bordo leem os valores medidos por estes sensores constantemente, e utilizam estas informações para interpretar o que está à frente do carro, seja uma estrada, um outro carro, um pedestre, um cachorro, ou simplesmente um cruzamento. Para que seja possível identificar estes diferentes objetos, é necessário que estes sistemas tenham acesso a uma enorme base de dados para maximizar sua eficiência e precisão, e ao mesmo tempo sejam rápidos em seu tempo de resposta. Estima-se que seja necessário acumular dados de mais de 10 bilhões de milhas rodadas pelos veículos para que seja estatisticamente possível garantir a segurança. Existem atualmente mais de 50 empresas testando seus veículos, e a mais avançada é a Waymo, do grupo da Google, com um total de 8 milhões de milhas (quase 13 milhões de quilômetros) rodadas. Especialistas dizem que a substituição da frota de carros por carros autônomos pode solucionar problemas como trânsito e engarrafamentos em grandes cidades, diminuir (e até eliminar) acidentes, já que 90% deles ocorrem por erro humano, como embriaguez ou distração na direção. Alguns dizem até que os semáforos podem se tornar obsoletos, já que a comunicação entre os carros nas ruas pode fazer com que eles não sejam mais necessários.

Tudo parece muito bom, mas os veículos autônomos enfrentam vários desafios. Alguns deles são os mesmos que os veículos elétricos, como acesso limitado a estações de recarga, baixa capacidade de armazenamento de energia das baterias utilizadas e, consequentemente, baixa autonomia. Mas há centenas de grupos de pesquisa trabalhando para solucionar estes problemas. Além disso, os maiores desafios enfrentados pelos veículos autônomos são as questões éticas e comportamentais envolvidas em tirar completamente uma pessoa do controle do carro, e substituí-la por um computador. Este problema se agravou mais ainda após o acidente com o veículo da Uber em Tempe, Arizona, no qual uma mulher morreu após ser atropelada por um veículo em teste.3 Além deste, outros acidentes foram registrados recentemente4,5, questionando a viabilidade desta tecnologia nos próximos anos. Uma pesquisa de agosto de 2018 da empresa Axios concluiu que a principal causa dos acidente envolvendo veículos autônomos são as pessoas6, seja as que estão controlando ou monitorando os veículos durante os testes, ou as que estão nas ruas interagindo com eles. E ainda casos foram registrados de pessoas que “atacaram” veículos autônomos em teste, batendo neles ou tentando subir em cima deles.

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Conceitos de veículos autônomos promovem conforto e a possibilidade de realizar tarefas durante o trajeto com segurança. Fonte: AlealL / Getty Images.

Cientistas da Universidade de Stanford (Califórnia) defendem que é possível alcançar níveis de segurança no trânsito muito acima dos atuais simplesmente ao substituir pessoas por computadores na direção de veículos.7 Porém, existem ainda outros problemas envolvidos na introdução desta tecnologia no nosso dia-a-dia, como a substituição de seres humanos em táxis e transportes de carga, fazendo com que milhares de pessoas percam seus empregos. Além disso, existe um grande debate em torno do que é necessário simular para que um veículo autônomo seja capaz de operar de maneira responsável. Muito do que está envolvido na operação de veículos se baseia na capacidade do ser humano de tomar decisões. Uma das grandes questões éticas e filosóficas que se aplicam a estes veículos é o dilema do bonde, que consiste em um cenário hipotético onde o operador de um bonde tem a opção de seguir em um de dois trilhos. No trilho em que ele se encontra existem 5 pessoas amarradas, mas se ele tomar a decisão de ir pelo outro trilho, ele irá atropelar 1 pessoa. A questão é: como programar um veículo para tomar uma decisão deste tipo? Como ensinar uma máquina a tomar decisões que possam colocar em risco o seu passageiro ou um pedestre na rua? Como fazer a escolha?

Muitas destas perguntas provavelmente nunca terão uma resposta 100% correta. Mas com os desenvolvimentos e as pesquisas realizadas em todo o mundo atualmente, e com uma grande integração entre os grupos de pesquisa que atacam as questões de engenharia e as questões éticas envolvidas em veículos autônomos, é muito provável que na próxima década cresça significativamente a quantidade de carros “sem motoristas” nas ruas. O que nos resta é acreditar nos cientistas, confiar na tecnologia, e tentar se acostumar com a imagem de um carro dirigindo sozinho. Por enquanto, veja este vídeo de um carro aparentemente autônomo e da reação das pessoas nas ruas:

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Referências:

1 Paulistano passa 45 dias por ano preso no trânsito, segundo pesquisa, O Globo

2 Self-driving cars face a long road to becoming transportation’s future, Venture Beat

3 Uber’s self-driving cars are back on public roads, but under human control, The Verge

4 TESLA’S AUTOPILOT WAS INVOLVED IN ANOTHER DEADLY CAR CRASH, Wired.com

5 One of Apple’s secretive self-driving cars got in a crash for the first time — but it doesn’t seem to be Apple’s fault, Business Insider

6 People cause most California autonomous vehicle accidents, Axios

7 Stanford scholars, researchers discuss key ethical questions self-driving cars present, Stanford News

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Um comentário sobre “Veículos autonômos: quão perto estamos de ver carros dirigindo completamente sozinhos nas ruas?

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