Resultados Recentes da Missão Juno

A sonda Juno, lançada pela NASA em 2011, tem como objetivo estudar profundamente o maior planeta do Sistema Solar, Júpiter. Aspectos como campo gravitacional, campo magnético e a composição do núcleo do planeta são alguns dos mistérios que Juno poderia ajudar a desvendar.

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Figura 1: 95 Minutos Sobre Júpiter. Fonte: https://www.nasa.gov/mission_pages/juno/images/index.html

Na mitologia Juno é a esposa do deus Júpiter e muitas brincadeiras foram feitas em relação a sonda, visto que muitos satélites de Júpiter, como Europa, Calisto e Io têm nomes de amantes de Júpiter.

Juno entrou na órbita de Júpiter em meados de 2016, e já estamos colhendo os frutos da missão. Quatro artigos sobre os resultados de Juno foram publicados na edição de 8 de março da revista Nature.

Entre as descobertas, divulgou-se que as famosas faixas atmosféricas de Júpiter, já conhecida desde Galileu Galilei, seriam mais profundas do que se imaginava. A superfície visível de Júpiter é dividida em um número de bandas paralelas com o equador. Existem dois tipos de bandas: “zonas”, que possuem uma cor clara, e “cinturões”, bandas de cor mais escura. A diferença na aparência entre zonas e cinturões é causada por diferenças na opacidade das nuvens. As bandas de Júpiter são limitadas por fluxos atmosféricos zonais chamados “jatos”. Os fluxos atmosféricos (ventos) do planeta gigante se estendem profundamente em sua atmosfera e duram mais do que os processos atmosféricos similares encontrados aqui na Terra.

Os jatos penetrariam cerca de 3.000 quilômetros de profundidade e conteriam uma massa equivalente a três Terras, cerca de 1% da massa de Júpiter. Em contraste, a atmosfera da Terra tem menos de um milionésimo da massa total da Terra.

A sonda Juno tem fornecido uma imagem em 3D desses fluxos. Como os ventos de Júpiter podem chegar a cerca de 360 km/h, isso perturba a massa espalhada pelo planeta. Portanto, o mapeamento do campo gravitacional de Júpiter pode esclarecer o quão profundo essas faixas se estendem abaixo da superfície. Quanto mais profundos os jatos, mais massa eles contêm, levando a um sinal mais forte do campo gravitacional. Assim, a magnitude da assimetria na gravidade determina a extensão das correntes de jato.

 

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Figura 2: Hemisfério Sul de Júpiter. Fonte: https://www.nasa.gov/mission_pages/juno/images/index.html

Outro resultado interessante é que sob a camada climática Júpiter giraria quase como um corpo rígido e não como um fluído como esperávamos para um planeta gasoso. Isso ocorre porque as altas pressões encontradas no planeta geram forças que impedem os ventos de fluirem em direções opostas.

Já os pólos de Júpiter são um contraste gritante com os cinturões e zonas que circundam o planeta em latitudes mais baixas. Seu pólo norte é dominado por um ciclone central cercado por oito ciclones circumpolares com diâmetros que variam de 4.000 a 4.600 quilômetros de diâmetro. O pólo sul de Júpiter também contém um ciclone central, mas é cercado por cinco ciclones com diâmetros que variam de 5.600 a 7.000 quilômetros de diâmetro.

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Figura 3: Formações de Nuvem em Júpiter. Fonte: https://www.nasa.gov/mission_pages/juno/images/index.html

A sonda Juno tem feito um ótimo trabalho possibilitando descobertas fantásticas, podendo até colaborar para desvendar os mistérios da formação planetária. Além disso, Juno tem nos fornecido belíssimas imagens, como podemos ver no decorrer do texto.

Referências:

[1] Ingersoll, A.P.; Dowling, T.E.; Gierasch, P.J.; et al. (2004). “Dynamics of Jupiter’s Atmosphere”. In Bagenal, F.; Dowling, T.E.; McKinnon, W.B.Jupiter: The Planet, Satellites and Magnetosphere.

[2]L. Iess, et al., “The measurement of Jupiter’s asymmetric gravity field,” Nature volume 555, pages 220–222 (08 March 2018).

[3] Y. Kaspi, et al., “Jupiter’s atmospheric jet-streams extending thousands of kilometers deep,” Nature volume 555, pages 223–226 (08 March 2018).

[4] T. Guillot, et al., “A suppression of differential rotation in Jupiter’s deep interior,” Nature volume 555, pages 227–230 (08 March 2018).

[5] A. Adriani, et al., “Clusters of Cyclones Encircling Jupiter’s Poles,” Nature volume 555, pages 216–219 (08 March 2018).

 

 

 

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