A terapia de estimulação cerebral profunda e a Doença de Parkinson

No dia 11 de abril se comemora o Dia Mundial de Combate ao Mal de Parkinson. A doença de Parkinson é degenerativa e afeta o sistema nervoso central (SNC). Dentre as doença degenerativa do SNC é a segunda mais comum (a doença de Alzheimer é a mais comum), acometendo 1 a cada 10 pessoas após os 80 anos de idade.

A doença de Parkinson acarreta morte celular progressiva no cérebro e na medula espinhal, ocasionando sintomas como tremor de repouso da musculatura e rigidez muscular, lentidão de movimentos, que se tornam descoordenados, perda de equilíbrio, dentre outros. Os sintomas podem evoluir para demência, se ocasionar comprometimento do pensamento nos pacientes.

As regiões mais afetadas são locais profundos no cérebro constituídos de substância negra: os gânglios basais (http://parkinsonhoje.blogspot.com.br/p/substancia-negra.html) (Figura 1). Estas regiões estão envolvidas em controle de postura e suavização/estabilização de movimentos musculares.

Figura 1

Figura 1: Gânglios da base (em azul) participantes no controle de posturas e movimentos musculares. Fonte: http://sistemanervosocentral304.blogspot.com.br/p/curiosidades.html

Para comunicar estímulos a neurônios vizinhos e alcançar as ações citadas acima, o principal neurotransmissor (mensageiro químico) utilizado pelos gânglios da base é a dopamina. Em pacientes com Parkinson, no entanto, este mensageiro encontra-se em teor reduzido, não podendo ser realizadas com eficiência as ações de coordenação de movimentos e postura (o que ocasiona os sintomas descritos). Os pacientes chegam a apresentar dificuldades para realizar tarefas simples do dia-a-dia, como beber água.

​Os indivíduos afetados podem ser tratados com fármacos como levodopa e/ou carbidopa (http://www.medicinanet.com.br/bula/1168/carbidopa_e_levodopa.htm) e requerem o atendimento mais multidisciplinar possível: envolvendo fisioterapia, fonoaudiologia, atendimento psicológico e avaliação nutricional. No entanto, existem outras estratégias de tratamento além da terapia com medicamentos (como uso de células tronco).

Até o momento não existe cura para a doença – apenas estratégias que visam melhora de qualidade de vida do paciente. Uma destas foi recentemente noticiada amplamente na mídia: a terapia de estimulação cerebral profunda, do inglês Deep Brain Stimulation (DBS).

A DBS (que pode ser realizada no Brasil em hospitais como Albert Einstein, HCor e Cassems – Campo Grande) é popularmente referida como marcapasso cerebral. Consiste em terapia invasiva reversível que implementa, via cirurgia, um eletrodo no cérebro. Por uma extensão sob a pele, que desce pelo pescoço até, geralmente, a parte superior do peito, este eletrodo se conecta ao neuroestimulador (semelhante ao marcapasso cardíaco) produtor de pulsos elétricos. Este neuroestimulador  é um dispositivo com bateria e componentes eletrônicos que tem como objetivo oferecer estimulação elétrica de alta frequência a regiões definidas dentro do cérebro, visando evitar sintomas motores incapacitantes da doença (Figura 2). A regulação do aparelho para cada paciente pode ser feita pelo médico de forma não invasiva para permitir maior controle imediato sobre os movimentos (no início é comum que a configuração dos padrões seja incômoda ao indivíduo).

Figura 2

Figura 2: Componentes da técnica de estimulação cerebral profunda. Fonte:  https://hospitaljoaoevangelista.wordpress.com/2012/05/08/tecnica-de-estimulacao-cerebral-profunda-pode-reverter-sintomas-da-doenca-de-alzheimer/

É um procedimento indicado a pacientes de 5 a 10 anos após o diagnóstico, nos quais os sintomas já se encontram em estágios moderadamente avançados; quanto mais precocemente se inicia o tratamento neste intervalo, maiores as chances de melhora potencializada na qualidade de vida do paciente. No geral, DBS permite a redução das medicações, favorecendo a redução dos efeitos colaterais que não costumam ser poucos. Apenas 8% das pessoas diagnosticadas, no entanto, se encontram no grupo daquelas para as quais o procedimento é recomendado, pois é procedimento invasivo, ou seja, envolve a realização de uma cirurgia.

O procedimento cirúrgico dura cerca de quatro horas e possui alto custo (aproximadamente R$ 150 mil que se somam a trocas de bateria de R$ 70 mil a cada 5 anos). O Sistema Único de Saúde (SUS), sob ordem judicial, já chegou a custeá-la para pacientes.

Grandes empresas do setor continuam a realizar pesquisas para ampliar o espectro de doenças para as quais a técnica pode ser utilizada para trazer benefícios, e para oferecer equipamentos mais precisos, de implementação mais simples e de materiais que causem menos interferências em metodologias de diagnóstico como ressonância magnética.

 

Principais referências utilizadas

HCor – Implante de marca-passo cerebral possibilita ao paciente com Mal de Parkinson retomar o controle de seus movimentos (2017) <http://www.hcor.com.br/imprensa/noticias/implante-de-marca-passo-cerebral-possibilita-ao-paciente-com-mal-de-parkinson-retomar-o-controle-de-seus-movimentos/ >.

dos Santos, A.; Mecchi, Y. (2017) De alto custo, marca-passo estimula cérebro e atenua Parkinson. <https://www.campograndenews.com.br/cidades/capital/de-alto-custo-marca-passo-estimula-cerebro-e-atenua-parkinson >.

Hospital Albert Einstein (2016) Centro de Estimulação Cerebral Profunda < https://www.einstein.br/especialidades/neurologia/estrutura/centro-estimulacao-cerebral-profunda&gt;.

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