Os benefícios do Pilates: reabilitação e pacientes com Parkinson

Se alguém, por acaso, chegou a pensar que fazer Pilates é só relaxar, está muito enganado, mas os inúmeros benefícios da sua prática fazem valer a pena o esforço.  Eu mesma comecei a praticar esse ano, e a minha fisioterapeuta me despertou a curiosidade sobre o histórico e as inúmeras possibilidades dessa prática.

A fisioterapeuta Roseane Ribeiro dos Santos possui duas formações em Pilates, Original e Contemporâneo (básico, intermediário, avançado e Pilates para gestantes) e, atualmente, está cursando pós-graduação em Pilates e Treinamento Funcional.O Pilates foi desenvolvido como um método de condicionamento físico, no entanto sua prática mostrou-se benéfica em pessoas lesionadas, o que leva muitos fisioterapeutas, inclusive Roseane, a afirmar que o Pilates é um método fisioterapêutico, que diferentemente da fisioterapia convencional, trata o corpo como um todo, tendo como objetivo o ganho de força, flexibilidade, equilíbrio, estabilização, dentre outros benefícios, através do uso ou não dos aparelhos específicos para a modalidade.
O método foi desenvolvido, no início do século XX, pelo alemão Joseph Hubertus Pilates, que durante toda a infância teve uma saúde muito frágil. Durante a Primeira Guerra, foi feito prisioneiro de guerra, por ser um cidadão alemão, ficando preso no Lancaster Castle, onde, preocupado com a saúde de todos, incentivava que, mesmo prisioneiros, eles continuassem se exercitando. Foi assim que ele começou a desenvolver seu método. No final da décade de 1920, Joseph que já então morava nos Estados Unidos, despertou a atenção de profissionais da dança para o seu métodos. Os bailarinos, após os treinos exaustivos, tinham muitas dores musculares e até algumas lesões, e a prática do Pilates, por esses profissionais, trouxe a eles muitos benefícios.

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Joseph acreditava na Contrologia como filosofia de vida, e isso se reflete muito no seu método, de modo que os 6 princípios do Pilates são: concentração, controle, centralização de força, fluidez, precisão e respiração. O método é amplamente recomendada no desenvolvimento de um corpo saudável, proporcionando alongamento, força muscular, equilíbrio e postura.
Roseane me explicou que o Pilates Original ou Clássico, que segue à risca os fundamentos de Joseph Pilates, possui um cronograma de exercícios com uma ordem e execução bem particular, com progressões conforme o avanço do aluno. Porém, a técnica original de Joseph foi sendo adaptada, incluindo um elemento aqui, outro ali, como o uso das bolas suíças, que nós conhecemos bastante de vista! (Parece tão bonito fazer os exercícios…)

Aqueles que não seguem o método autêntico do Pilates, desenvolveram essa nomenclatura para diferenciar da prática do Pilates Contemporâneo, técnica utilizada pelos fisioterapeutas, que permite a adaptação do método a pacientes com maiores dificuldades. Ele difere bastante do clássico, pois nessa modalidade não há uma ordem de seguimento, permitindo uma criação mais ampla de exercícios conforme a necessidade do paciente. Quando se trata de reabilitação o que é bom para uma lesão não é necessariamente adequado para o tratamento de outro paciente, por isso a sessão é montada de acordo com as necessidades individuais de cada paciente, o que nunca ocorreria no Pilates Original, cujo objetivo é o condicionamento físico.

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Uma das minhas perguntas à Roseane foi quem pode fazer Pilates? Ela me explicou que não há contraindicações para a realização do método, ele é indicado para todas as idades. Para os idosos, além de atuar no fortalecimento corporal, atua na mente, proporcionando uma melhora na memória, consciência corporal, autoestima, aumento da coordenação neuromuscular e melhora a qualidade de vida. Deve-se ter, no entanto, cuidado com pacientes que tenham comprometimento cognitivo, pois é necessário que ele entenda como deve realizar os exercícios e, claro, ter acompanhamento de perto do profissional habilitado para orientá-lo e corrigi-lo.

Os pacientes com a doença de Parkinson podem se beneficiar do Pilates. O Parkinson é uma doença neurodegenerativa, caracterizada pela morte de neurônios da substância nigra do cérebro e diminuição da secreção de dopamina, afetando o controle dos movimentos do corpo. Os sintomas são o tremor, discinesia (balançar do corpo), rigidez muscular e perda da amplitude de movimentos. A doença não possui cura, é crônica, progressiva e vai dificultando o dia a dia do paciente, comprometendo sua qualidade de vida. Caso, você queira mais informações sobre a doença de Parkinson, você pode acessar, aqui, o site da Academia Brasileira de Neurologia.

A fisioterapia é recomendada para esses pacientes, e o Pilates também apresenta benefícios. Entre os benefícios citados por Roseane para os Parkinsonianos estão: alívio dos sintomas mais comuns (rigidez, respiração apical, bradicinesia, postura cifótica), através do trabalho da flexibilidade, reeducação respiratória, reeducação postural, equilíbrio e estabilização.
Publicado em setembro deste ano, na revista Rejuvenation Research, José Maria Cancela e seu grupo de pesquisa apresentam os resultados de um estudo desenvolvido na Espanha, com o objetivo de avaliar o impacto do Pilates Contemporâneo na qualidade de vida dos pacientes com Parkinson. O estudo incluiu 16 pacientes diagnosticados com Parkinson e em tratamento com Levodopa, que é o padrão-ouro para a doença, com média de 69 anos de idade e com diagnóstico de cerca de 7 anos. A intervenção consistiu em 12 semanas de atividade acompanhada por profissionais certificados, nas quais foram realizadas duas sessões de 60 minutos por semana de exercícios (totalizando cerca de 350 horas). Foram realizados exercícios de solo (realizados no chão com a força do próprio peso), adaptados para as necessidades dos pacientes que já possuíam limitações de movimentos. Os pacientes foram avaliados antes e depois da realização do Pilates por 3 meses, e os pesquisadores observaram o aumento da força e da flexibilidade e melhora de aspectos cardiorrespiratórios. Além disso, nenhum dos pacientes apresentou efeitos adversos. Os autores ressaltam que a principal barreira para o uso do Pilates em pacientes com Parkinson é a aderência, já que em princípio os exercícios parecem muito difíceis. No entanto, com profissionais qualificados e o suporte e adequação das atividades, os benefícios são muito promissores.
A sobrevida dos pacientes com Parkinson é longa. No entanto, há perda progressiva da mobilidade e, consequentemente, da independência, da qualidade de vida e autoestima. Por isso, é de grande auxílio combinar à terapia farmacológica medidas que contribuam na manutenção e fortaleçam a saúde do paciente, postergando, ao máximo, o avanço dos sintomas. Os pacientes se beneficiam do acompanhamento com neurologista, psiquiatra, geriatra, fisioterapeuta e fonoaudiólogo. Quanto mais ferramentas tivermos à disposição para ajudar esses pacientes, melhor. E nesse contexto, o Pilates se sobressai, não apenas como uma atividade física excelente, como também um aliado na manutenção da qualidade de vida das pessoas com Parkinson.

Referências:

Depoimento de Roseane Ribeiro dos Santos, Fisioterapeuta e Profissional habilitada em Pilates. Cidade de Rio Grande, RS. Setembro de 2017.

Cancela, JM, Mollinedo‐Cardalda, I, Ayán, C, Machado de Oliveira, I. Feasibility and Efficacy of Mat Pilates on people with mild to moderate Parkinson’s disease: a preliminary study. Rejuvenation Res. 2017, Setempber [Epub ahead of print]

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