Como os microplásticos jogados no mar estão chegando ao fundo dos oceanos?

Nos dias de hoje, muito se fala sobre a poluição que nós, humanos, causamos ao meio ambiente. Um dos principais problemas neste âmbito se deve ao descarte inadequado de plásticos e microplásticos (partículas com diâmetro menor que 5mm) nos oceanos, podendo prejudicar todo aquele ecossistema. Caso não haja nenhuma alteração significativa em relação ao descarte deste tipo de material, a previsão é que a quantidade a ser jogada no mar aumente até 250 milhões de toneladas métricas até 2025! A previsão caso não haja nenhuma alteração significativa em relação ao descarte desse material, é que a sua quantidade a ser jogado no mar até 2025 aumente até 250 milhões de toneladas métricas !

Dessa maneira, é importante entender as consequências que estes resíduos podem trazer para os ambientes marinhos e seus organismos. Já existem estudos mostrando impactos no ecossistema causados por resíduos de plásticos variando desde riscos físicos, bloqueio digestivo devido a ingestão pela fauna marinha até danos ecotoxicológicos gerados por contaminantes provenientes do plástico e sua transferência entre os níveis tróficos da cadeia alimentar marinha.

Com o objetivo de elucidar um pouco melhor a relação dos animais marinhos com os resíduos os quais estão sendo submetidos frequentemente, Kakani Katija e outros pesquisadores, do Instituto de Pesquisa do Aquário de Monterey Bay, nos Estados Unidos, resolveram submeter um organismo conhecido como larvacea gigante (Bathochordaeus stygius) (figura 1) a pedaços de microplásticos coloridos. Assim, eles poderiam analisar o que aconteceria com o plástico ao ser ingerido e processado pelo animal.

b-charon

Figura 1 – Bathochordaeus stygius também conhecida como larvacea gigante

B. stygius é um animal marinho, que faz parte do zooplâncton e são filtradores ativos. Eles são conhecidos por secretarem muco que constrói o local onde habitam. Além disso, são transparentes (figura 1) e dessa maneira, seria possível visualizar os pedaços coloridos de microplástico ao longo de seu corpo. Os animais foram submetidos às partículas de microplástico colorido e, com auxílio de um robô submarino acoplado a uma câmera, os pesquisadores conseguiram monitorar a ingestão.

De maneira geral, foi possível concluir que estes animais são capazes de ingerir estes resíduos e eliminá-los como forma de agregados que irão afundar para o fundo oceânico. Sendo assim, B. stygius pode ser um vetor importante para a movimentação de grandes quantidades de resíduos microplásticos de perto da superfície para o fundo do mar, levando a conclusão de que a poluição causada por plástico pode não ser somente um problema da superfície do mar, como é comumente caracterizada. O significado real desta movimentação e se ela de fato ocorre no ambiente marinho (in situ), ainda precisam ser mais investigados.

Vídeo mostrando o experimento sendo realizado: clique aqui.

 

Referências:

1 – K. Katija et al. From the surface to the seafloor: How giant larvaceans transport microplastics into the deep sea. Science Advances. Vol. 3. August 16, 2017, p. E1700715. doi 10.1126/sciadv.1700715

2 – https://www.sciencenews.org/blog/science-ticker/giant-larvaceans-could-be-ferrying-ocean-plastic-seafloor – Acessado em 13 de setembro de 2017

3 – http://advances.sciencemag.org/content/3/8/e1700715 – Acessado em 13 de setembro de 2017

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