O primeiro embrião humano “corrigido’’.

Pela primeira vez cientistas conseguiram remover um pedaço do DNA responsável por uma doença genética que pode ser fatal ao coração humano.

O pesquisador Shoukhrat Mitalipov, da Universidade de Saúde e Ciências do Oregon (EUA), liderou um time que contou com a colaboração de outros cientistas do Instituto Salk (CA/EUA) e do Instituto de Ciências Básicas da Coreia do Sul (CN) para que a pesquisa pioneira fosse publicada no periódico da Nature neste mês de agosto.

Nessa pesquisa, os cientistas deletaram um gene chamado de MYBPC3, conhecido marcador genético para hipertrofia cardiomiopática , uma doença que causa aumento da parede do coração, levando à repentina parada dos batimentos cardíacos.

Como se trata de uma doença hereditária dominante significa que se um dos pais for portador do gene causador da patologia, seus descendentes tem 50% de chances de também possuírem a patologia.

Pensando em como evitar que esse gene seja transmitido à prole, os pesquisadores utilizaram a técnica de CRISPR/Casp9 para ‘editar’ os embriões humanos ainda no momento da fecundação, injetando os componentes CRISPR-Cas9 no óvulo ao mesmo tempo em que injetaram o esperma para fertilizá-lo.7b5dfe_30515736ad674cc793a10db6286af4cfmv2

 

Repare no espermatozóide sendo inoculado dentro do óvulo. Isso é feito com auxilio de uma micro-pipeta, que é um tipo de micro agulha que possibilita romper a membrana celular do óvulo para injetar o espermatozóide + componentes CRISPR/Casp9.
https://www.maisfert.com.br/icsi-convencional

A técnica chamada CRISPR (Clustered Regularly Interspeced Short Palindromic Repeats) permite a edição de moléculas de DNA por inserir um novo pedaço de material genético modificado em uma célula. Para isso a enzima Casp9 corta o genoma alvo marcado por uma molécula guia de RNA e insere a nova sequência no material genético.

Saiba mais sobre a técnica: https://www.youtube.com/watch?v=dI4L70J_x8c&t=274s

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http://revistapesquisa.fapesp.br/2016/02/19/uma-ferramenta-para-editar-o-dna/

No estudo foram utilizados 58 embriões fertilizados, sendo o espermatozóide o portador do gene para a doença cardíaca. Destes, conseguiram corrigir a patologia de 42 embriões.

A alta taxa de sucesso representa um grande passo para a edição de genes humanos e isso só foi possível por uma pequena modificação na técnica de CRISPR/Casp9.

Geralmente, os pesquisadores inserem o DNA desejado nas células e esperam que a própria célula faça o trabalho de gerar RNA e as proteínas necessárias para que a nova cópia seja gerada. Porém na pesquisa da edição de embriões, a diferença foi que os cientistas inseriram a própria Casp9 ligada ao seu RNA guia. Deste modo puderam prevenir que mutações não desejadas ocorressem, pois a Casp9 é degradada rapidamente em comparação com sequências prontas de DNA.

Com isso o CRISPR/Casp9 degenerou o gene com defeito vindo do pai e copiou o gene intacto vindo da mãe. Parece que a técnica funciona quando temos ao menos uma cópia saudável do gene por parte de um dos pais.

Após a reparação do DNA, o embrião se desenvolveu por 5 dias antes dos  experimentos serem interrompidos. Segundo os cientistas, não havia intenção de implanta-los no útero e que isso ainda está muito longe de acontecer.

O pesquisador responsável acredita que foi capaz de demonstrar que a edição de embriões para doenças genéticas que tenham alteração em um único gene são possíveis e seguras,  e que podem ser futuramente uma alternativa à cura de doenças hereditárias.

Alguns cientistas e órgãos governamentais dos EUA alertam para o perigo da técnica ser utilizada para a criação de “bebês perfeitos’”.

A academia Nacional de Ciência, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos, atualmente, autoriza o uso da edição gênica de embriões humanos para estudos e aceita que a implantação de embriões humanos ocorra somente se o objetivo for tratar uma doença para a qual não haja tratamentos alternativos possíveis.

O debate ético em torno de pesquisas de edição de embriões levanta questões como:

1) Quando devemos utilizar a tecnologia genética para criar embriões mais saudáveis?

2) Até que ponto deveríamos permitir a edição de embriões?

3) Será que no futuro poderemos customizar bebês?

Fontes:

http://www.nature.com/news/crispr-fixes-disease-gene-in-viable-human-embryos-1.22382

Animação sobre a técnica: https://www.youtube.com/watch?v=FNqGjHdV2kE

 

 

 

 

 

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Um comentário sobre “O primeiro embrião humano “corrigido’’.

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