Entenda a nova arma da engenharia genética: CRISPR/Cas9 e a polêmica envolvida

Imagina poder “consertar” doenças genéticas, editando o DNA? O que era um sonho da engenharia genética, hoje é realidade.

Apontado pelos pesquisadores especializados em terapia gênica como o substituto de diversas nanoparticulas para a entrega de gene, o CRISPR/Cas9 permite que genomas sejam modificados com uma precisão nunca antes atingida, além de eficiência. Testes com o CRISPR/Cas9 criaram macacos com mutações programadas e também evitaram infecção do HIV em células humanas. Cientistas chineses já afirmaram que aplicaram a técnica em embriões humanos, e observaram que o CRISPR/Cas9 tem capacidade de curar diversas doenças genéticas, tornando bebês a lá “X-men”. Embora ainda as pesquisas envolvendo o CRISPR/Cas9 estejam em fase de teste, resultados preliminares são apontados como o uma esperança para a entrega efetiva de DNAs específicos para as células.

Mas afinal, como funciona o CRISPR/Cas9?

O CRISPR é na verdade um mecanismo de defesa antigo e natural encontrado em diversas bactérias. Esse mecanismo foi descoberto nos meados dos anos 80’s., quando os cientistas, observando o comportamento de bactérias notaram um padrão diferente em alguns dos seus genomas. Uma sequência de DNA poderia ser repetida diversas vezes, com sequências únicas entre as repetições. Essa configuração foi chamada de Clustered Rgularly Interspeced Short Palindromic Repeats (CRISPR) ou em português “agrupados de curtas repetições palindrômicas regularmente interespaçadas.

Juntamente com esse mecanismo de defesa, há um conjunto de enzimas chamadas Cas9 (proteínas associadas à CRISPR), que podem “cortar” precisamente o DNA e eliminar possíveis vírus invasores. Estrategicamente, os genes que codificam para o Cas9 são sempre os que estão próximos às sequências CRISPR. Em outras palavras a enzima Ca9, devidamente manipulada, cortam as bases nitrogenadas de interesse presentes no DNA. Obtendo DNAs específicos e compatíveis para diversas doenças genéticas, consertando erros presentes no genoma.

E a polêmica?

Como toda a técnica revolucionária, a descoberta envolve muito dinheiro e indicação ao prêmio Nobel, além de briga entre grandes universidades. De um lado, estão duas mulheres: a microbiologista Emmanuelle Charpentier, do Instituto Max Planck de Berlim; e a bioquímica Jennifer Doudna, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos. Do outro, está Feng Zhang, do Instituto Broad (também dos Estados Unidos), um órgão de pesquisa ligado à Universidade de Harvard e ao MIT . Os três reivindicam a autoria da patente do CRISPR/Cas9.

A primeira publicação do CRISPR\Cas9 foi das pesquisadoras na revista Science em 2012, que inventaram a técnica de “edição do genoma”, um processo que despertou grandes esperanças. No entanto, a publicação falava a apenas da técnica utilizada em organismos procariotos como bactérias. Foi o trabalho de Feng Zhang, que explorou o uso da técnica em organismos eucariotos – células humanas – dando um grande salto na pesquisa. Recentemente, a justiça americana deu parecer favorável a Feng Zhang, afirmando que o trabalho das pesquisadoras era limitado ao organismo simples, enquanto o trabalho de Feng expandiu o uso e a aplicabilidade da técnica.

Independente do parecer é notável que o CRISPR\Cas9 seja talvez uma das grandes descobertas dos anos 2000, inspirando novas pesquisas e avanços na área genômica.

Link para entender melhor o processo do CRISPR\Cas9.

“Genome editing with CRISPR\Cas9”. Youtube. (inglês)

Fontes:

“Chinês ganha batalha por patente de técnica inovadora de edição genética”. Porta de notícias G1.

Nature Special on CRISPR. Nature. (inglês)

 

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6 comentários sobre “Entenda a nova arma da engenharia genética: CRISPR/Cas9 e a polêmica envolvida

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