Crise dos antibióticos e superbactérias: como nos proteger? – Parte 2

bacteria

Na primeira parte deste artigo[1], esclareci o porquê devemos aposentar os sabonetes com antibacterianos/antimicrobianos e aderir ao uso de sabonetes comuns. Neste artigo, falarei de atitudes ainda mais importantes para prevenir o surgimento de bactérias resistentes ou superbactérias.

1) Antibióticos matam bactérias, não vírus[2,3]

Esta é a primeira coisa que devemos ter em mente. Os antibióticos matam bactérias por estas serem microrganismos vivos, mas não matam os vírus. Fora do nosso corpo, os vírus são seres sem vida. Eles são agentes infecciosos formados de material genético (DNA ou RNA) dentro de uma cápsula protetora e só entram em ação quando invadem a célula de um hospedeiro (ser humano ou outro ser vivo que abriga um organismo vivo dentro de si).

Portanto, se você estiver infectado por um vírus e tomar antibiótico, sua infecção não vai melhorar. A razão disso é que o medicamento ingerido não tem como alvo as células do seu corpo, ele terá atuação apenas nas células bacterianas que até então estavam em equilíbrio. O problema é que, por exemplo, bactérias importantes da sua flora intestinal morrerão e bactérias resistentes sobreviverão. Assim, criamos um problema dentro do nosso próprio intestino e ficamos mais suscetíveis a infecções por superbactérias.

Na tabela abaixo[4] são listados exemplos de infecções causadas por bactérias, bactérias e vírus, ou apenas por vírus. Os antibióticos podem ser usados apenas nos casos de infecção bacteriana.

resistência bacteriana

2) Use antibiótico apenas quando não há outra solução[5]

Quando a infecção começa e nós rapidamente identificamos o que está acontecendo, podemos recorrer a tratamentos que desacelerem a infecção e deem condições para o nosso próprio organismo reverter o problema. Existem remédios que não precisam de prescrição, e podem ser utilizados com segurança, e fórmulas caseiras que aliviam os sintomas. Portanto, procure ajuda da(o) sua(seu) médica(o) e não insista em um tratamento com antibióticos quando não for realmente necessário.

3) Siga o tratamento à risca[5]

Em geral, o tratamento com antibióticos dura vários dias, mesmo quando os sintomas da infecção desaparecem após poucos dias de uso. Muitas pessoas pensam que já tomaram remédio o suficiente e param o tratamento no meio ou deixam de tomar alguma dose, o que é um grande erro. Por quê? Primeiro, porque você pode desenvolver a infecção de novo e o antibiótico já não terá o mesmo efeito, já que as bactérias resistentes que não foram mortas pelo medicamento acabaram se multiplicando. Segundo, porque pode acontecer das bactérias resistentes transferirem genes de resistência para bactérias que seriam sensíveis ao tratamento mas não foram mortas, desta forma a população de superbactérias aumenta e o tratamento será um fracasso.

Além disto, tome exatamente o antibiótico que lhe foi prescrito. Cada medicamento tem um expectro de ação e age melhor contra um grupo específico de bactérias.

4) Descarte antibióticos vencidos em farmácias ou pontos de recolhimento de medicamentos[5]

Nunca jogue seu medicamento, principalmente antibióticos, no lixo comum, na pia ou descarga abaixo. Estes remédios são compostos químicos que poluem o meio ambiente e que podem gerar resistência bacteriana por onde passarem.

5) Tome vacina[5]

Algumas infecções bacterianas podem ser prevenidas através da vacinação. A vacina é um método seguro e eficiente que nos torna imune de uma doença. Vacine-se e vacine as crianças.

Agora que você já sabe!

Proteja sua família e amigos das superbactérias, informe-os sobre como combater a resistência bacteriana. Nossa saúde e nosso planeta agradecem!

 

Escrito por Dra. Aline Ramos da Silva.

Referências:

[1] https://cientistasfeministas.wordpress.com/2017/03/27/crise-dos-antibioticos-e-superbacterias-como-nos-proteger-parte-1/

[2] https://www.fda.gov/ForConsumers/ConsumerUpdates/ucm092810.htm

[3] https://www.cdc.gov/getsmart/community/about/should-know.html

[4] https://www.cdc.gov/getsmart/community/materials-references/print-materials/everyone/viruses-bacteria-chart.pdf

[5] https://www.cdc.gov/getsmart/community/about/can-do.html

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Um comentário sobre “Crise dos antibióticos e superbactérias: como nos proteger? – Parte 2

  1. Pingback: O que é heteroresistência à antiantibióticos? | cientistasfeministas

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