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Vamos ocupar as redes!

O blog Cientistas Feministas – e as iniciativas de divulgação científica em geral – tem como proposta a democratização da ciência através da disseminação de informação. O conhecimento científico é, na esmagadora maioria dos casos, difundido por meio de periódicos especializados e em eventos acadêmicos inacessíveis à população em geral e que costumam se valer de uma linguagem bastante hermética. A ciência e o conhecimento por ela produzido, no entanto, devem ser socializados, democratizados. As ferramentas de divulgação científica são, assim, uma estratégia possível na democratização da produção científica.

Nessa estratégia, a internet cumpre um papel fundamental. De acordo com dados divulgados pelo Portal Brasil, em 2015, 58% da população brasileira tinha acesso à internet.

 

No caso do conhecimento especificamente produzido na área de ciências humanas e sociais, as iniciativas de Digital Humanities já estão com debates bastante avançados (um exemplo da história do direito). Há também diversos projetos de digitalização de documentos (veja um exemplo aqui no blog) que democratizam consideravelmente o acesso a fontes, facilitando a produção de dados e tornando a produção de conhecimento mais democrática.

Neste post, porém, não tratarei desse tipo de iniciativa que tem uma incidência maior na produção do conhecimento, mas em projetos que visam ampliar a difusão do resultado de pesquisas. O foco será a área de história do direito, mas os exemplos aqui apresentados podem ser facilmente replicados em outras áreas. Se você conhece iniciativas parecidas em outras áreas, por favor, coloque o link nos comentários! 😉

Na blogosfera, há diversas iniciativas dedicadas à história do direito. Uma das mais conhecidas é o Legal History Blog. Aí estão presentes posts sobre eventos na área, resenhas de livros recentemente publicados, chamadas para bolsas, etc. Na página inicial, há também uma lista com outros blogs que tratam da história do direito e links para páginas de instituições da área. O blog pretende abranger todas as áreas do mundo, mas a maioria dos posts ainda está focada na produção científica em língua inglesa.

O Twitter também é uma rede que pode ser utilizada para disseminação de resultados de pesquisas. Um exemplo é o projeto Women Negotiating the Boundaries of Justice. O projeto se foca no acesso das mulheres ao judiciário, na Grã-Bretanha e na Irlanda, entre os séculos XII e XVIII. O Twitter é usado pelo grupo para divulgar resultados de suas pesquisas, informações relacionadas ao tema do acesso das mulheres à justiça e chamadas para eventos.

O YouTube também é uma plataforma muito interessante para a história do direito. Um exemplo é o canal Coloquios de Historia del Derecho. O canal reproduz vídeos de palestras e debates que acontecem, mensalmente, desde 2010, no âmbito dos Coloquios de Historia del Derecho, na Universidad Autónoma de Madrid. Um importante detalhe sobre essa iniciativa: as organizadoras dos Coloquios têm adotado a política de sempre incluir, a cada ciclo do evento, ao menos uma palestra dedicada à história das mulheres. A próxima sessão, por exemplo, que acontecerá no dia 28 de abril, tratará do tema “Profissionalização das primeiras mulheres advogadas na Estónia” e estará a cargo da professora Merike Ristikivi.

Uma outra iniciativa – essa no âmbito do já tradicional e-mail – é a lista H-Law. Cadastrando-se na plataforma, qualquer pessoa pode receber informações periódicas sobre conferências e publicações  na área. Recentemente, também começaram a gravar podcasts sobre história do direito.

O Snapchat é uma rede social ainda não ocupada pelos historiadores do direito. O site Snap4Science reúne iniciativas de difusão científica via Snapchat. No entanto, até hoje, não há nenhum canal das ciências humanas e sociais cadastrado.

Esses exemplos não pretendem esgotar todas as iniciativas que existem na web. Apesar de ser uma área relativamente pequena, a história do direito tem aos poucos ganhado espaço na internet. No entanto, cabe a nós, que temos interesse em produzir uma ciência mais democrática e acessível, ocupar cada vez mais esses espaços, aprimorando a comunicação entre os pesquisadores e com a população de uma maneira mais ampla.

Além do fato de que quanto mais difundirmos o conhecimento científico, mais democratizaremos e beneficiaremos a sociedade, é importante lembrar que esse tipo de ocupação do espaço virtual beneficia grupos tradicionalmente marginalizados. Em primeiro lugar, amplia as possibilidades de fala de grupos que encontram diversos obstáculos para apresentar suas pesquisas no próprio meio acadêmico. Ocupar espaços de fala e debate nas redes pode ser um caminho possível para, posteriormente, forçar uma entrada mais efetiva nos espaços de diálogo acadêmico mais “tradicionais”. Em segundo lugar, considerando o amplo número de pessoas que podem ser alcançadas pela internet, aumentam as chances de estimular que mulheres, negros, etc., interessem-se por carreiras científicas. A restrição do debate acadêmico beneficia os grupos que tradicionalmente já ocupam os espaços de fala e de discussões. Ampliar os locais possíveis de debate significa, portanto, tornar a ciência um pouco mais democrática, representativa e acessível.

Fica o chamado: vamos ocupar as redes!

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A NATUREZA, O BEM ESTAR E O CUIDAR

 

Por milhares de anos, os seres humanos foram selecionados para viverem na natureza, e há apenas algumas gerações temos vivido em ambiente urbano. Apesar de, em tempo evolutivo, esta mudança ter ocorrido há pouco tempo, a vida moderna permitiu que a expectativa de vida mais que dobrasse. Contudo, mudanças no estilo de vida também estão associadas com o aumento de diversas doenças, como disfunções cardíacas, diabetes tipo II e câncer além de doenças mentais, como ansiedade e depressão.

É difícil separar as variáveis que podem ter importância para o aumento da incidência dessas condições. Seria consequência da dieta? Ou resultado do sedentarismo? Ou apenas reflexo do maior acesso à saúde, levando assim ao aumento no diagnóstico? Uma das hipóteses que vem sendo levantadas questiona que também possa ser reflexo da falta de conectividade com a natureza que o ambiente urbano causou, já que o nosso corpo reagiria fisiologicamente de forma positiva ao ambiente histórico evolutivo, o ambiente que nossos ancestrais habitavam.

A diminuição do tempo em contato com a natureza já chamava a atenção há algum tempo, sendo que em 1987 os cientistas Katcher e Beck afirmavam que o estímulo artificial das cidades poderia causar exaustão e danos à saúde. Portanto, não é de se espantar que quando o conceito de parque urbano surgiu no século 19, uma das justificativas para o investimento nestas áreas fosse o cuidado com a saúde pública. Contudo, o investimento em estudos sistemáticos que objetivam entender como humanos são dependentes de interação com a natureza só começaram recentemente.

Esses estudos mostram que a simples inclusão de um pequeno jardim já podem trazer efeitos positivos em diversos casos. Um estudo comparou a recuperação de pacientes que passaram por cirurgia, entre os que tinham acesso a um jardim interno e pacientes que não tinham esse acesso, ficando assim todo o tempo de recuperação no quarto ou em outros ambientes hospitalares. O resultado mostrou que aqueles que possuíam acesso à natureza se recuperaram mais rápido. De forma similar, foi verificado que prisioneiros que ficavam em celas com vista para a natureza apresentaram menos dor de cabeça e doenças digestivas. Outra pesquisa mostra um maior desempenho acadêmico de universitários com acesso à vista para natureza.

Durante o desenvolvimento infantil, o contato com a natureza parece ser ainda mais importante. Crianças expostas à natureza possuem maior auto confiança, exercem a criatividade e tem uma chance de brincar de uma forma mais ativa, aumentando assim a atividade física. Essas atividades tem diversas vantagens na aprendizagem e escolha de foco, podendo até mesmo ajudar a aliviar sintomas de condições como a hiperatividade e déficit de atenção.

Essas pesquisas, contudo, sempre contavam com um número limitado de pessoas e analisavam apenas um grupo determinado da sociedade, por exemplo, pacientes e universitários. Portanto, era esperado que uma recente pesquisa com o envolvimento de 18500 voluntários tivesse grande repercussão. Esses voluntários se engajaram em 30 dias consecutivos de “faça algo na natureza” e também respondiam questionários diários para avaliação de como se sentiam. O mesmo questionário foi aplicado depois de dois meses, do início das atividades, ou seja, 30 dias depois que já não praticavam mais nenhuma atividade ao ar livre, para identificar se os efeitos desse contato com a natureza seriam de longo prazo. Os resultados mostraram um aumento na percepção de saúde da pessoa e na sensação de felicidade, mesmo depois de um mês de terem cessado as atividades. Mais de 30 mil atividades foram consideradas e mostram que qualquer um pode colocar um pouco de contato com a natureza no seu dia a dia.

Há diversas formas de se reconectar com a natureza que não necessitam a ida a grandes reservas estaduais ou federais. Esse contato pode sim ser estabelecido emfogaca.jpg parques urbanos ou arredores do trabalho, ou mesmo dentro da sua casa!  O contato com a natureza refere-se a uma grande rede de possibilidades que vão desde estar emerso em ambientes naturais ou até observar um passarinho no centro de grandes cidades como São Paulo. Entre as atividades que podem ser realizadas nestes espaços estão: caminhadas em parque, cuidar de animais de estimação, plantar (mesmo em vasos), ver paisagens naturais e observar animais.

Essas atividades, além de promover bem-estar, saúde e funcionar como terapia complementar à medicina tradicional também funcionam como uma via de duas mãos. Assim, quanto mais as pessoas se sentem conectadas com a natureza mais se sentirão inclinadas a ações que visam preservar o meio ambiente.

Essas pesquisa ressaltam uma urgência do ser humano reconectar com a natureza e portanto esse assunto deveria ser assunto da agenda, tanto da saúde, quanto do meio ambiente. E enquanto isso, que tal uma caminhada no parque próximo a você?

Para saber mais:

Maller, C., Townsend, M., Pryor,A., Brown, P.  e Leget L. (2007). Heathy nature healthy people: contact with nature as an upstream heath promotion intervention for populations. Health Promot Int. 21(1): 45-54.

Richardson, M., Cormack, A., McRobert, L. e Underhill, R. (2016). 30 Days Wild: development and evaluation of a large-scale nature engagement campaign to improve well-being. Plus one. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0149777

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Vem aí: As cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo

Em maio será lançada a versão em português do livro “Women in science: 50 fearless pioneers who changed the world”, com o título “As cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo”, da autora e ilustradora Rachel Ignotofsky pela editora Blucher. Rachel mostra grande entusiasmo sobre o lançamento do seu livro para a audiência brasileira no vídeo promocional. Em seu website, Rachel relata que tem um grande compromisso com a divulgação científica e o feminismo. Seu trabalho é inspirado por história e ciência. Ela descreve que a ilustração é uma forma lúdica e uma importante ferramenta para divulgação de conhecimento e aprendizado.

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Fonte: Divulgação

O livro contém sinopses da carreira de 50 cientistas destemidas que fizeram história. Em suas páginas encontra-se uma das primeiras matemáticas, Hipátia, a primeira mulher a ganhar o Nobel, Marie Curie; a antropóloga e primatóloga Jane Goodall entre outras mulheres incríveis. As ilustrações refletem cada uma das cientistas e na página ao lado há uma descrição sobre suas carreiras e importância daquela mulher para a história. Há também pequenos desenhos com informações adicionais que estão por toda parte. É muito divertido descobrir estas informações que aparecem em forma de pistas. No livro, encontra-se uma linha do tempo indicando como certos acontecimentos históricos, como a aquisição do direito de voto, guerras mundiais, etc., estão intrincados com os caminhos da ciência e das mulheres cientistas. O livro contém um glossário para termos técnicos e também uma parte que mostra, com ilustrações, os equipamentos usados no dia a dia pelas cientistas, o que auxilia a compreensão daqueles não ligados à ciência. Para aqueles que querem saber mais sobre o assunto, as fontes e referências estão disponíveis no final do livro.

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Fonte: Divulgação

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Fonte: Divulgação

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Fonte: Divulgação

A imagem de cientista é frequentemente associada a Einstein, Newton e outros homens. Diferentemente daquilo que estamos acostumadas, o livro “As Cientistas” mostra que as mulheres também têm capacidade de inovar, inventar, descobrir e mudar paradigmas. Com esta abordagem, esse livro é um dos grandes aliados na promoção da ruptura do estereótipo de que cientista é homem.

Certamente o livro é adequando para pessoas de qualquer idade. Aquelas pessoas que já conhecem a história das cientistas também irão apreciar o livro, pois há muito o que aprender com todas essas mulheres. Ler e conhecer essas mulheres destemidas também pode encorajar as mulheres cientistas a não desistirem da carreira. Sabe-se que um grande número de mulheres abandonam a carreira e este fenômeno já foi descrito neste texto do Cientistas Feministas. Além disso, é importante salientar que o livro será um grande presente para meninas e, também, meninos. Estudo recente publicado na revista Science mostrou que meninas de seis anos relacionam a inteligência e a genialidade como características masculinas. Isso evidencia como o estereótipo de gênero em relação às caraterísticas que estão associadas aos cientistas se estabelece muito cedo. Portanto, mostrar para meninas que elas são tão inteligentes e brilhantes pode ser crucial para desconstruir isso. Além disso, o livro mostra aos meninos como as mulheres são importantes no desenvolvimento e progresso da ciência e também os obstáculos que elas enfrentam e enfrentaram para seguir carreira. Dessa forma, desmistifica para os meninos que ciência é formada pelo “clube do Bolinha” para adultos. O livro é um excelente material no auxílio da promoção de empatia dos futuros cientistas com as colegas cientistas.

A autora deseja inspirar mulheres que se dedicaram e se dedicam nessa jornada e pretende também inspirar meninas e adolescentes a seguirem carreira científica. O livro “As cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo” deixa bem claro que gênero não é um fator determinante para a escolha dos caminhos das meninas e mulheres. A autora e nós esperamos que haja mais meninas olhando intrigadas para plantas, insetos e estrelas. Enfim, elas podem seguir a carreira que quiserem e podem estar onde quiserem.

Onde encontrar? Nas principais redes de livrarias online e físicas e no site da editora Blucher.

Para saber mais sobre o livro:

Siga a página no facebook: www.facebook.com/ascientistas

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O livro será lançado em maio. Fonte: Divulgação

Veja outros trabalhos da autora:

Ilustrações

Livros

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Um novo despertar: Febre amarela

Um pouco sobre a doença

A febre amarela é uma doença infecciosa não contagiosa transmitida por mosquitos dos gêneros Aedes e Haemagogus. Epidemias históricas dessa doença ocorreram entre os séculos 18 e 20 em diversos países da África, Europa e Américas [1].

Essa doença pode se manifestar de duas formas: febre amarela silvestre e urbana. A forma silvestre é transmitida nas florestas por mosquitos silvestres do gênero: Haemagogus, que picam macacos suscetíveis que desenvolvem a doença, sendo, nesse cenário, o homem um hospedeiro acidental. A forma urbana da doença é transmitida dentro de cidades, mosquitos infectados picam homens suscetíveis, que por sua vez desenvolvem a doença e podem transmiti-la para outro mosquito Aedes aegypti, que é um excelente vetor do vírus que causa a febre amarela [2]. Com a introdução da vacina da febre amarela no final dos anos 1930 e com as campanhas de erradicação do Aedes aegypti, epidemias urbanas da doença caíram substancialmente e os surtos ficaram confinados às áreas silvestres, onde o principal vetor é o mosquito Haemagogus janthinomys.

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Haemagogus janthinomis. Fonte da imagem: J. Stoffer, WRBU (http://wrbu.org/mqID/mq_medspc/AD/HGjan_hab.html)

            Na região Amazônica e em outras áreas endêmicas do Brasil, surtos epizoóticos* da doença são reportados a cada 5 a 7 anos. Essa periodicidade é, provavelmente, devido à renovação de populações de macacos que são essenciais para amplificação do vírus em áreas silvestres [3].

            A febre amarela pode ser introduzida em áreas não endêmicas de duas maneiras. Primeiramente, pessoas no período virêmico ou de incubação da infecção vão a locais com alta densidade de vetores e hospedeiros vertebrados (macacos). Uma vez que o vírus se estabelece no local, a transmissão do vírus via mosquitos explode e infecta macacos sem imunidade natural, resultando em quase a total eliminação das populações de macacos. A outra maneira de introdução da febre amarela é por meio de tráfico ilegal de animais silvestres. Traficantes de animais usam estradas ilegais que geralmente são de difícil acesso, podendo levar à introdução do vírus para novas áreas [1].

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Ciclo da febre amarela em inglês. Fonte da imagem: CDC PHIL (https://phil.cdc.gov/phil/details.asp).

*Doença que afeta muitos animais da mesma espécie em uma mesma área geográfica

Sintomas da doença em humanos

Depois de contraído, o vírus da febre amarela tem um período de incubação de 3 a 6 dias, seguido de infecção. A primeira fase aguda da doença é considerada aguda e caracterizada pelos sintomas: febre, calafrios, dor muscular, dor nas costas, dor de cabeça, perda de apetite e náusea ou vomito. Após a primeira fase, 15% dos infectados entram na segunda fase da doença, considerada tóxica, após 24 horas de remissão. A febre alta retorna e diversos sistemas do corpo são afetados. O paciente apresenta hemorragia, vômito e fezes com sangue e falha renal. Metade dos infectados que entram na fase tóxica da infecção morre em 10 a 14 dias [4].

Como é realizada a prevenção da febre amarela?

            A febre amarela pode ser prevenida de duas maneiras: vacinação e controle de vetores.

            A vacinação é a medida mais importante para prevenir a febre amarela. A vacina é segura, efetiva e provém imunidade dentro de uma semana para 95% dos vacinados. O controle da febre amarela é baseado na prevenção de surtos da doença, quadro que só poderá ser atingido quando a maioria da população estiver vacinada [5].

            Outra maneira de prevenção, tão importante quanto a vacinação, é o controle de mosquitos vetores, principalmente em locais onde a maior parte da população não é vacinada. O controle dos mosquitos se dá principalmente pela eliminação de criadouros e também com uso de inseticidas para adultos e para larvas. Entretanto, em locais com alta densidade de mosquito o uso descontrolado de inseticidas não é recomendado, pois seleciona os mosquitos com resistência [6].

Surto atual da doença

            De dezembro de 2016 até 22 de fevereiro de 2017, 1336 casos de febre amarela, incluindo 215 mortes, foram detectados em seis estados brasileiros: Bahia, Espirito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, São Paulo e Tocantins. Até o momento, 86% dos casos confirmados são homens – grupo de risco – entre 21 e 60 anos. No mesmo período citado, um total de 883 casos epizoóticos da doença foi reportado em macacos. Destes, 337 foram confirmados após análise em laboratório [7].

            A maioria dos casos atuais da doença ocorreu em Minas Gerais e têm preocupado as autoridades de saúde do país. A cobertura vacinal é pequena no Brasil e, devido à proporção do surto, o vírus pode acabar em contato com o vetor urbano da doença. Recentemente, houve no Brasil a distribuição de 11.5 milhões de vacinas e o país está aumentando sua produção. Entretanto, como o processo de produção de vacinas é demorado, há receio de que os estoques sejam insuficientes caso ocorra um pior cenário epidêmico [8].

O último surto de febre amarela silvestre havia ocorrido em 2007 e foi em uma escala muito menor que o surto atual. Todos os surtos da doença que ocorrem no Brasil são silvestres, uma vez que a forma urbana da doença foi extinta em 1942 [8].

Seres humanos não são os únicos que sofrem com a doença: morte de macacos antecede o surto da doença

            Geralmente, o primeiro sinal de casos epizoóticos de febre amarela silvestre é o silêncio nas florestas, devido à morte de macacos que são animais altamente suscetíveis ao vírus. Mortes em massa de macacos que vivem perto de moradias urbanas vêm ocorrendo por todo o Brasil, principalmente em Minas Gerais, Estado em que o desmatamento dividiu as florestas, as transformando em pequenos fragmentos. Como consequência, cada vez mais pessoas vivem perto de locais silvestres e estão suscetíveis às doenças que ali ocorrem [8].

            Em 2008 e 2009 centenas de macacos morreram durante um surto de febre amarela silvestre. Segundo o cientista Júlio César Bicca-Marques, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a febre amarela surgiu na África e veio nos navios negreiros pra a América. Por isso os macacos daqui são tão sensíveis à doença: eles não possuem imunidade ao vírus. Como os seres humanos possuem uma história maior de convivência com o vírus, somos mais resistentes a ele, nos tornando os principais responsáveis por espalhar a doença [9].

            Por esse fato, é extremamente importante se proteger contra o vírus da febre amarela! Vacine-se e não negligencie possíveis criadouros de mosquito na sua casa!

bugio          Bugio ruivo. Foto: Everton Gonçalves.

Links interessantes:

http://revistapesquisa.fapesp.br/2009/03/01/na-propria-pele/

http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/02/13/virus-que-causa-febre-amarela-em-sao-paulo-veio-provavelmente-da-amazonia/

Vacine-se!

http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/unidades-de-referencia/fa/posto_fad1.htm

Referências

1 Da Costa Vasconcelos PF. Febre amarela. Rev. Soc. Bras. Med. Trop. 2003;36:275–93.

2 Consoli RAGB, Lourenço-de-Oliveira R. Principais mosquitos de importância sanitária no Brasil. Cad. Saude Publica. Editora FIOCRUZ; 1994.

3 Vasconcelos PF da C. Yellow fever in Brazil: thoughts and hypotheses on the emergence in previously free areas. Rev. Saude Publica. 2010;44:1144–9. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21109907

8 Dyer O. Yellow fever stalks Brazil in Zika’s wake. BMJ. 2017;356:j707. Available from: http://www.bmj.com/lookup/doi/10.1136/bmj.j707

Ref 4-7 e 9 links clicáveis.

 

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Centro avançado e pioneiro de pesquisa no Brasil investiga determinantes sociais, políticas públicas e saúde

Qual a importância das políticas sociais para o desenvolvimento do país? Por que é fundamental diminuir as desigualdades sociais e de renda?

A pobreza é uma das causas mais significativas de morbidade e mortalidade no mundo, no entanto, estratégias de promoção de saúde global não têm incluído com a importância merecida as questões socioeconômicas como fatores de risco para a saúde. É o que afirma um estudo recente publicado na revista The Lancet, a partir de evidencias que mostram o impacto da pobreza como fator de risco para a saúde, recomendando que os determinantes socioeconômicos devam ser incluídos nas políticas públicas de madeira local e global (STRINGHINI et al., 2017)

Nesse sentido, o Brasil inaugurou no final do ano passado uma plataforma pioneira no Parque Tecnológico da Bahia, em Salvador. O Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (Cidacs) tem como objetivo desenvolver pesquisas e dados científicos que sirvam de base para ações e avaliação de políticas públicas e programas sociais, em benefício da sociedade. O projeto é coordenado pelo Prof.  Maurício Barreto, do Instituto de Saúde Coletiva, da Universidade Federal da Bahia.

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Logo do Cidacs, retirado do página oficial

Quando conheci o Cidacs, fiquei encantada com a relevância e extensão do projeto. É incrível do ponto de vista de contribuição e avanço científico que um projeto desse porte esteja sendo desenvolvido no Brasil, com destaque para três pontos:

Em primeiro lugar, escolhi escrever sobre o centro em uma coluna de ciências sociais e humanas, por se tratar de uma proposta interdisciplinar, portanto, reconhecendo as contribuições e a potencialidade da articulação das diversas áreas do conhecimento para a compreensão e ação em torno de uma problemática. Compõe a equipe  pesquisadores de diferentes formações, exigindo desses profissionais o desafio da superação das barreiras disciplinares, entre estas, de epidemiologia, ciências humanas e sociais, computação, estatística e outras.

Chama atenção a cooperação institucional e internacionalização na produção do conhecimento – a iniciativa é uma parceria entre muitas instituições científicas importantes nacionais, –  Instituto Gonçalo Muniz  e Fundação Osvaldo Cruz a Universidade Federal da Bahia, Instituto Gonçalo Moniz da Fundação Oswaldo Cruz, Universidade de Brasília, Senai-Cimatec; e internacionais, – como a London School of Hygiene and Tropical Medicine.

O terceiro se refere ao porte e volume dos projetos desenvolvidos, que podem ser conhecidos com mais detalhes no site, a partir da integração de grandes bases de dados,  dentre os quais, destaquei dois:

Coorte virtual de 100 milhões de brasileiros

A Plataforma de estudos e avaliações contínuas dos efeitos do Programa Bolsa Família e outros Programas de Proteção Social sobre a saúde, educação, trabalho e relações de raça/gênero ou Coorte virtual de 100 milhões de brasileiros, surge com a missão de integrar pela primeira vez bases governamentais de dados – idade, sexo, socioeconômicos e de saúde, composto de informações seguras e sem identificação de mais de 100 milhões de pessoas, com objetivo de avaliar os impactos de políticas e programas sociais sobre aspectos da vida da população brasileira.

Os dados serão trabalhados com auxílio de recursos computacionais de alto desempenho, a exemplo do Omolu, um supercomputador (um dos mais rápidos da América Latina!) batizado com o nome do orixá que representa saúde.

Os projetos de pesquisa ligados à plataforma versam sobre as seguintes questões:

  1. Desigualdades sociais e de saúde na população brasileira

  2. Determinação social e impacto de políticas públicas na saúde materno-infantil

  3. Determinação social e impacto de políticas públicas na ocorrência de doenças infecciosas

  4. Determinação social e impacto de políticas públicas na morbi-mortalidade por violência

  5. Abordagens metodológicas na avaliação de impacto de políticas públicas

 

Plataforma de Vigilância de longo prazo para síndrome de Zika congênita e microcefalia no âmbito do Sistema Único de Saúde

Pouco mais de um ano depois da emissão do alerta de emergência de saúde pública pelo Ministério da Saúde, a zika e microcefalia não recebem a atenção merecida dos governos e políticas públicas, e já são consideradas ‘esquecidas’.

Por isso a importância deste eixo, que prevê o acompanhamento de crianças com microcefalia nascidas entre 2001 e 2015. Pretende construir uma plataforma de integração de conhecimentos de saúde e políticas de desenvolvimento social para acompanhamento das condições de vida das pessoas com microcefalia contaminadas pelo zika vírus.

O projeto realiza também formação profissional e científica, desenvolvimento de novas metodologias de pesquisa, e já realizou eventos científicos e cursos.

Conheça outros projetos, visite o site e acompanhe as novidades sobre a plataforma na página do Facebook!

Referências

STRINGHINI, S et. al. Socioeconomic status and the 25 × 25 risk factors as determinants of premature mortality: a multicohort study and meta-analysis of 1·7 million men and women. The Lancet, january, , 2017.

CIDACS – Centro de Integração de dados e conhecimentos para a Saúde. www.cidacs.bahia.fiocruz.br/

CAMBRICOLI, F. Uma emergência esquecida. Estadão [online], 2016. 

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Novas evidências fósseis: A vida na Terra começando mais cedo

A origem da vida na Terra é um assunto que sempre desperta muito interesse, mas também gera bastante polêmica. Exatamente como e quando a vida surgiu neste planeta são perguntas que ainda intrigam cientistas, que seguem buscando no registro fóssil informações que esclareçam essas questões. Estima-se que o Universo tenha 13,7 bilhões (bi) de anos e a Terra 4,5 bi de anos, com a vida surgindo em algum momento entre 3,5 e 3,8 bi de anos. Diferentemente da escala histórica, usada para contar o tempo do surgimento da humanidade até os dias de hoje (alguns milhares de anos), o tempo geológico é usado quando falamos do processo de surgimento da Terra e as transformações que aqui ocorreram, e a contagem é feita em milhões e bilhões de anos.

Uma descoberta recente, feita por pesquisadores da University College London, indica que a origem da vida pode ter ocorrido entre 3,77 e 4,28 bi de anos, pouco tempo depois da formação de nosso planeta. O material estudado tem origem no Cinturão Supracrustal de Nuvvuagittuq (chamado em inglês de NSB), localizado em Quebec, no Canadá (Figura 1). Esse cinturão era parte do solo oceânico quando a Terra ainda estava em formação. Rochas do local, com idade estimada em 4,28 bi de anos, foram coletadas e analisadas em laboratório, utilizando técnicas de microscopia, espectroscopia e espectrometria a fim de analisar idade, composição e resquícios fósseis deixados pelos possíveis micro-organismos que ali viveram.

Localização NSB Canadá

Figura 1: Localização do Cinturão Supracrustal de Nuvvuagittuq, à beira da Baía de Hudson, norte da província de Quebec (Google Maps).

Se fósseis de grandes organismos às vezes já são difíceis de encontrar e estudar, imaginem só os fósseis de micro-organismos, chamados de microfósseis. Eles são bem pequenos, com um décimo da circunferência de um fio de cabelo humano. Dessa forma, para saber se um micro-organismo qualquer viveu em um dado local, é necessário verificar a presença de rastros deixados por eles. Assim, os pesquisadores procuram por impressões deixadas nas rochas pelas células, por isótopos de carbono e também pelas alterações químicas da rocha, ocasionadas pelo metabolismo celular. Além disso, à medida que a célula cresce e se movimenta, deixa marcas na forma de pequenos filamentos, tubos, e diversos outros formatos. A polêmica é que muitos desses registros podem ser ocasionados por processos abióticos, como a intensa metamorfose sofrida pelas rochas durante bilhões de anos. Por este motivo, é bastante difícil provar a origem biológica de tais marcas, mas não impossível.

Para responder esta questão, os cientistas compararam esses fósseis com outros já encontrados em formações com idade semelhante à NSB, e também com micro-organismos que vivem em fontes hidrotermais no fundo dos oceanos nos dias de hoje. É esperado que, pela semelhança dos ambientes, como o tipo de formação rochosa e temperatura, o metabolismo dos microfósseis e dos organismos atuais também seja semelhante. Isso fornece um padrão para que os pesquisadores possam confirmar ou refutar a origem biológica dos microfósseis. As semelhanças encontradas (Figura 2) permitiu que os cientistas concluíssem que o material encontrado tem origem biológica, indicando que a vida pode ter começado na Terra muito antes de 3,77 bi de anos e talvez muito próximo a 4,28 bi de anos, em regiões próximas a fontes hidrotermais nos oceanos.

microfósseis

Figura 2: Filamentos e tubos (microfósseis) encontrados no Cinturão Supracrustal de Nuvvuagittuq (à esquerda) comparados aos microfósseis encontrados na formação de Løkken na Noruega (à direita). Fotos retiradas do artigo original.

Essa descoberta, embora não coloque certeza na origem da vida em nosso planeta, certamente ajudará em futuras missões que tenham como objetivo encontrar vida em outros planetas, colaborando com a expansão do nosso conhecimento sobre a vida e o universo.

 

Para saber mais:

Artigo original (em inglês) Evidence for early life in Earth’s oldest hydrothermal vent precipitates. Matthew S. Dodd, Dominic Papineau, Tor Grenne, John F. Slack, Martin Rittner, Franco Pirajno, Jonathan O’Neil, Crispin T. S. Little.

http://www.nature.com/nature/journal/v543/n7643/full/nature21377.html

Livro sobre astrobiologia (em português) compilado e disponibilizado pela USP (download gratuito) http://www.tikinet.com.br/iag/

Espectroscopia http://astro.if.ufrgs.br/rad/espec/espec.htm

Espectrometria https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectrometria_de_massa

Microscopia http://ead.hemocentro.fmrp.usp.br/joomla/index.php/noticias/adotepauta/618-microscopia

 

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Mulheres Negras Cientistas, nem sempre fomos cobaias

Exumem essas histórias. Exumem esse corpos,

Viola Davis, Oscar 2017

Elementos secretos, figuras escondidas e computadores humanos: essas são as descrições sobre as mulheres negras cientistas e foi a primeira coisa que me saltou a atenção ao assisti filme Hidden Figures (Elementos Secretos em Portugal e Estrelas alem do Tempo no Brasil). O filme trata da história de três cientistas negras que faziam cálculos complexos para as missões da NASA na exploração espacial, que as quais ajudaram a colocar o primeiro astronauta americano em órbita, nos anos 1960.

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Vistas como objeto, as Mulheres Negras são chamadas de computadores humanos e com isso não poderiam assinar relatório, por exemplo, óbvio computador não assina relatório, mas ao adicionar a palavra “humanos” parecia ter uma chance de ser tão igual quanto as outras pessoas (homens e mulheres brancas).

No entanto, visto que para o mundo eurocêntrico a humanidade é dividida em categorias de forma hierarquizada entre humanos e não humanos, Maria Lugones (2014) reflete que os povos indígenas das Américas e os/as africanos/as escravizados/as eram classificados/as como espécies não humanas. E o homem europeu, burguês, colonial moderno o sujeito/ agente, apto a decidir, para a vida pública e o governo, um ser de civilização, heterossexual, cristão, um ser de mente e razão.

A ocultação dos conhecimentos das mulheres negras também se revela no filme – são os elementos secretos e que não podiam assinar os relatórios dos cálculos e soluções matemáticas que realizavam. O racismo epistêmico ou o epistemicídio jamais validaria tal conhecimento negro feminino, este corpo objetificado em todas as dimensões.

Ai me vem logo a memória Lélia Gonzalez em seu texto Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira de 1984, quando falava das mulheres negras que sempre assumiram trabalhos que não apareciam em público, ficavam escondidas, pois para aparecer em público era preciso ter boa aparência [ser branca], e lembro também da poesia de Giovane Sobrevivente que sabiamente nos alertou “Hoje eu estive com Tia Anastácia. Ela me disse que está muito revoltada. Porque o Sítio do Pica pau Amarelo está tirando ela como otária. Ela faz os bolinhos e Dona Benta recebe a medalha”. Isso é só para dizer que as mulheres negras são invisibilizadas em todos os lugares.

Mulheres Negras nas Ciências

Sobre a participação das mulheres negras nas ciências, no ano passado o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) elaborou um relatório com informações de 2014, apresentando a participação de pesquisadoras/es negras/os e o que temos é o seguinte:

As mulheres brancas representam 59% do total de mulheres bolsistas e as negras (pardas e pretas) 26,8%. Entretanto, a participação das pretas ainda é menor (4,8%), já entre os homens, os brancos representam 56,3% e os negros, 24,3% e com destaque para os pretos que apresentam menor percentual (4,7%).

Quando desagregam por sexo para a população negra, na modalidade de Iniciação Científica (IC), as jovens negras são maioria em todas as áreas, incluindo as Engenharias, com exceção da área de Ciências Exatas e da Terra. Mas, para a modalidade Produtividade em Pesquisa (PQ), que é a mais elevada, há maior participação de homens negros, acontecendo em todas as áreas do conhecimento quando comparada com as mulheres negras.

O relatório conclui que as mulheres negras permanecem ainda sendo as mais excluídas do sistema acadêmico e de pesquisa, o que demonstra a necessidade de continuidade e reforço de ações, programas e políticas afirmativas, com a indução tanto na entrada do sistema de formação (Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado) como de continuidade na carreira acadêmica e científica. Com o destaque para o fato de encontrar uma presença significativa de mulheres negras nas bolsas de Iniciação Científica das Engenharias, sinalizando para o aumento da participação das mulheres em áreas ainda consideradas restritamente de homens e brancos.

O perigo da história única

Muitos estereótipos foram definidores para que a população negra não se enxergasse em determinados espaços ou escolhesse determinadas profissões e nem fosse escolhido para exercer tal função, o racismo ceifou muitas escolhas, por isso a necessidade de resgatar as nossas histórias.

Rosane Borges e Walber Pinho dizem que o filme ““Figuras escondidas” retorna à década de 1960 para recuperar aquilo que um dia a Nasa, os EUA e o mundo deixaram cair. Esse retorno, no campo da narrativa fílmica, constitui, sem sombra de dúvida, um ato de coragem que expõe e confronta o racismo e seus efeitos deletérios”.

Então, exumemos nossas histórias, para que possamos sonhar livremente, sem o pesar de nossa cor sobre os ombros, que nossas crianças possam ser tudo, e que sejam luz. E de agora em diante não tenhamos mais a ocultação de quem fomos e somos. A partir de agora sejamos nós, todas e todos, escafandristas em busca do tesouro ocultado pelo racismo.

Iniciativas de mulheres negras nas exatas

Nativas Digitais – Projeto vislumbra formar jovens mulheres para que se tornem multiplicadoras do conhecimento dos princípios das Ciências Exatas e Tecnológicas, difundindo conceitos-chave da: matemática básica, algoritmos, programação e sintaxe das linguagens mais populares, para potencializar o raciocínio lógico.

Minas Programam nasce a partir da constatação da baixa presença de mulheres na tecnologia e da crescente importância dos conhecimentos de programação para o nosso empoderamento. Elas também estão construindo o projeto #NegrasemTI.

#FoiPretaQuemFez – Canal no Youtube em que toda semana apresenta uma lista com cinco mulheres negras relevantes em várias áreas diferentes da sociedade.

Elas nas Exatas – Um convite a refletir sobre gestão, escola e desigualdades de gênero na educação brasileira.

Referencias

María Lugones. Rumo a um feminismo descolonial. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 22, n. 3, jan. 2015.

Lélia Gonzalez. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Ciências Sociais Hoje, n. 2, Brasília, p. 223-244, 1984

Giovane Sobrevivente – A revolta de Tia Anastácia – http://gramaticadaira.blogspot.pt/2007/12/revolta-de-tia-anastcia-um-clssico-do.html

Isabel Tavares; Maria Lúcia de Santana Braga; Betina Stefanello Lima. Análise sobre a participação de negras e negros no sistema científico. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). http://www.cnpq.br/documents/10157/1f95db49-f382-4e22-9df7-933608de9e8d

 

Rosane Borges; Walber Pinho. Racismo, sexismo e a (in)visibilidade de figuras escondidas. https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2017/Racismo-sexismo-e-a-invisibilidade-de-figuras-escondidas