Centro avançado e pioneiro de pesquisa no Brasil investiga determinantes sociais, políticas públicas e saúde

Qual a importância das políticas sociais para o desenvolvimento do país? Por que é fundamental diminuir as desigualdades sociais e de renda?

A pobreza é uma das causas mais significativas de morbidade e mortalidade no mundo, no entanto, estratégias de promoção de saúde global não têm incluído com a importância merecida as questões socioeconômicas como fatores de risco para a saúde. É o que afirma um estudo recente publicado na revista The Lancet, a partir de evidencias que mostram o impacto da pobreza como fator de risco para a saúde, recomendando que os determinantes socioeconômicos devam ser incluídos nas políticas públicas de madeira local e global (STRINGHINI et al., 2017)

Nesse sentido, o Brasil inaugurou no final do ano passado uma plataforma pioneira no Parque Tecnológico da Bahia, em Salvador. O Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (Cidacs) tem como objetivo desenvolver pesquisas e dados científicos que sirvam de base para ações e avaliação de políticas públicas e programas sociais, em benefício da sociedade. O projeto é coordenado pelo Prof.  Maurício Barreto, do Instituto de Saúde Coletiva, da Universidade Federal da Bahia.

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Logo do Cidacs, retirado do página oficial

Quando conheci o Cidacs, fiquei encantada com a relevância e extensão do projeto. É incrível do ponto de vista de contribuição e avanço científico que um projeto desse porte esteja sendo desenvolvido no Brasil, com destaque para três pontos:

Em primeiro lugar, escolhi escrever sobre o centro em uma coluna de ciências sociais e humanas, por se tratar de uma proposta interdisciplinar, portanto, reconhecendo as contribuições e a potencialidade da articulação das diversas áreas do conhecimento para a compreensão e ação em torno de uma problemática. Compõe a equipe  pesquisadores de diferentes formações, exigindo desses profissionais o desafio da superação das barreiras disciplinares, entre estas, de epidemiologia, ciências humanas e sociais, computação, estatística e outras.

Chama atenção a cooperação institucional e internacionalização na produção do conhecimento – a iniciativa é uma parceria entre muitas instituições científicas importantes nacionais, –  Instituto Gonçalo Muniz  e Fundação Osvaldo Cruz a Universidade Federal da Bahia, Instituto Gonçalo Moniz da Fundação Oswaldo Cruz, Universidade de Brasília, Senai-Cimatec; e internacionais, – como a London School of Hygiene and Tropical Medicine.

O terceiro se refere ao porte e volume dos projetos desenvolvidos, que podem ser conhecidos com mais detalhes no site, a partir da integração de grandes bases de dados,  dentre os quais, destaquei dois:

Coorte virtual de 100 milhões de brasileiros

A Plataforma de estudos e avaliações contínuas dos efeitos do Programa Bolsa Família e outros Programas de Proteção Social sobre a saúde, educação, trabalho e relações de raça/gênero ou Coorte virtual de 100 milhões de brasileiros, surge com a missão de integrar pela primeira vez bases governamentais de dados – idade, sexo, socioeconômicos e de saúde, composto de informações seguras e sem identificação de mais de 100 milhões de pessoas, com objetivo de avaliar os impactos de políticas e programas sociais sobre aspectos da vida da população brasileira.

Os dados serão trabalhados com auxílio de recursos computacionais de alto desempenho, a exemplo do Omolu, um supercomputador (um dos mais rápidos da América Latina!) batizado com o nome do orixá que representa saúde.

Os projetos de pesquisa ligados à plataforma versam sobre as seguintes questões:

  1. Desigualdades sociais e de saúde na população brasileira

  2. Determinação social e impacto de políticas públicas na saúde materno-infantil

  3. Determinação social e impacto de políticas públicas na ocorrência de doenças infecciosas

  4. Determinação social e impacto de políticas públicas na morbi-mortalidade por violência

  5. Abordagens metodológicas na avaliação de impacto de políticas públicas

 

Plataforma de Vigilância de longo prazo para síndrome de Zika congênita e microcefalia no âmbito do Sistema Único de Saúde

Pouco mais de um ano depois da emissão do alerta de emergência de saúde pública pelo Ministério da Saúde, a zika e microcefalia não recebem a atenção merecida dos governos e políticas públicas, e já são consideradas ‘esquecidas’.

Por isso a importância deste eixo, que prevê o acompanhamento de crianças com microcefalia nascidas entre 2001 e 2015. Pretende construir uma plataforma de integração de conhecimentos de saúde e políticas de desenvolvimento social para acompanhamento das condições de vida das pessoas com microcefalia contaminadas pelo zika vírus.

O projeto realiza também formação profissional e científica, desenvolvimento de novas metodologias de pesquisa, e já realizou eventos científicos e cursos.

Conheça outros projetos, visite o site e acompanhe as novidades sobre a plataforma na página do Facebook!

Referências

STRINGHINI, S et. al. Socioeconomic status and the 25 × 25 risk factors as determinants of premature mortality: a multicohort study and meta-analysis of 1·7 million men and women. The Lancet, january, , 2017.

CIDACS – Centro de Integração de dados e conhecimentos para a Saúde. www.cidacs.bahia.fiocruz.br/

CAMBRICOLI, F. Uma emergência esquecida. Estadão [online], 2016. 

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