Menos rosas, mais cartazes: construindo uma greve internacional de mulheres para o 8 de março

 

Primeiro, marchamos; agora, vamos parar.

Abandonar qualquer obrigação de trabalho, seja em escritórios, fábricas, escolas, restaurantes, e até mesmo na esfera doméstica, durante um dia inteiro: esse é o chamado que está sendo feito para o próximo 8 de março, dia internacional da mulher.

O movimento por uma greve internacional de mulheres está sendo construído por coletivos que ganharam destaque recentemente, como o argentino “Ni una menos,” que no ano passado organizou uma grande passeata com repercussão em diversas regiões do Cone Sul, e o estadunidense “Women’s March,” que no último 21 de janeiro levou às ruas de todo o mundo milhares de pessoas que marcharam contra a violência de gênero, a misoginia e a discriminação. O sucesso alcançado por esses movimentos em mobilizar um grande número de pessoas fez com que ambos despontassem no cenário do feminismo internacional como vias de articulação de algo ainda maior. A ideia agora é usar o 8 de março como plataforma para chamar atenção a pautas feministas bem antigas, mas ainda hoje brutalmente atuais.

“Se nossa vida não vale, que produzam sem nós”

O slogan do chamado à greve faz referência direta às altas taxas de feminicídio ao redor do globo e serve de alerta a governantes, deixando claro que uma mudança drástica nas políticas públicas e na cultura geral, ainda amplamente machista, é urgentemente necessária. É uma provocação que diz “veja bem, temos plena consciência de que nossas vidas não são tratadas com o devido respeito e demandamos uma resposta à altura. Do contrário, terão que sustentar suas economias nacionais sem a contribuição feminina”.

Mas esse é também um slogan que clama por condições igualitárias no mercado de trabalho, denunciando a disparidade de remuneração entre os sexos. Nesse sentido, o movimento se inspira claramente na greve geral de mulheres organizada na Islândia em 1975. Em outubro daquele ano, cerca de 90% das mulheres islandesas se recusaram a comparecer ao trabalho, cuidar da casa e dos filhos, a fim de deixar claro que suas contribuições à sociedade islandesa eram indispensáveis—logo, mereciam reconhecimento e remuneração adequados. (O movimento foi bem sucedido e a Islândia é hoje um dos líderes mundiais em igualdade de gênero).

Outras questões em pauta incluem o controle sobre os direitos reprodutivos da mulher, atenção à saúde adequada, maior inclusão das mulheres negras, das transexuais, das imigrantes e refugiadas, que sofrem discriminação em grau ainda maior, estão mais expostas à violência e suscetíveis a condições de trabalho mais precárias.

Até o momento, mais de vinte países já aderiram ao movimento e convocaram a greve a nível nacional, incluindo países da América do Sul, América do Norte e América Central, Europa e Ásia. O grupo articulado em torno da Women’s March lançou uma espécie de manifesto no início de fevereiro, e vários grupos ao redor do mundo têm lançado seus próprios chamados.

E você, vai fazer o quê no próximo dia 8?

Para saber mais:

Aqui no Cientistas Feministas publicamos textos sobre os novos movimentos de mulheres na América Latina, sobre a Marcha das Mulheres de janeiro desse ano, e vários outros textos que abordam a desigualdade de gênero na coluna Em Off: feminismo.

O “Dia sem mulher”, como foi batizado o movimento pela greve, teve grande repercussão na mídia brasileira e internacional. Entre os muitos artigos já publicados, vale a pena conferir o do El País, e a carta assinada pelas representantes da Marcha no The Guardian (também disponível em português no Brasil de Fato).

 

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Um comentário sobre “Menos rosas, mais cartazes: construindo uma greve internacional de mulheres para o 8 de março

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