Porque a Farmácia não está do lado de fora: muito além de remédios

Como já foi citado algumas vezes nessa coluna, o Sistema Único de Saúde (SUS) se organiza em Redes de Atenção. O olhar dos profissionais de saúde deve sempre ser integrado e considerar o contexto do indivíduo que está sendo cuidado.

Essa postura é diferente na atenção farmacêutica e na distribuição de medicamentos? Não.

A Política Nacional de Medicamentos, com a Portaria MS Nº 3.916, de 30 de Outubro de 1998, dispõe sobre a assistência farmacêutica, reforçando sua vinculação ao SUS. A organização não fica restrita à aquisição e à distribuição de medicamentos. Diversas ações são incluídas e elas tem o objetivo de implementar as atividades relacionadas à promoção do acesso da população aos medicamentos essenciais.

Desde então, a assistência farmacêutica no SUS engloba as atividades de seleção, programação, aquisição, armazenamento e distribuição, controle da qualidade e utilização – nesta compreendida a prescrição e a dispensação. Cabe ressaltar que, ao contrário do possível imaginário construído em relação ao lugar da ciência farmacêutica no SUS, esta compõe todos os aspectos fundamentais para que a medicação seja disponibilizada de forma adequada e com controle. Desse modo, as pessoas que buscam a Farmácia em suas Unidades Básicas de Saúde (postinhos), centros especializados, hospitais ou qualquer unidade de saúde tem o direito de ser assistidas. Essa assistência visa compreender e ressignificar o uso da medicação em seu processo de saúde e doença, para que não seja um fator medicalizante e sim, libertador.

farmacia

Coordenação da Assistência Farmacêutica (COORAF)- Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre- 2014.

Há algumas décadas o conceito acadêmico de saúde não se restringe à ausência de doenças. No mesmo sentido, a condição de saúde não é limitada à ingestão de medicamentos. O processo pelo qual alguém passa ao iniciar com uma medicação é analisado, orientado e acompanhado por profissionais capacitados para tal, com foco na qualidade de vida como um todo.

Além disso, quando a assistência farmacêutica é potencializada, os índices de mau gerenciamento de medicação caem consideravelmente, representando uma alternativa favorável também à gestão e manejo de gastos. Quanto mais os medicamentos são bem utilizados, menor é o gasto com readequações.

Portanto, é preciso reivindicar a presença do profissional farmacêutico nas unidades de saúde. Apenas de forma integrada a todo o sistema de saúde, com a articulação em rede de profissionais e unidades de saúde, é que é possível construir um projeto de saúde pública qualificada. O caminho que leva para os desmembramentos e rupturas é o mesmo que desfacela todas as conquistas e o olhar à saúde como direito social.

Indicação:

Aula do curso EducarSUS, que discorre sobre a assistência farmacêutica como um componente estratégico em Rede.

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