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Microbioma: uma questão de peso

Festas e verão chegando e uma das mais famosas resoluções para o novo ano é perder peso. Dietas podem até funcionar em curto prazo, mas em poucos meses os quilinhos a mais estão de volta e, com ele, o maior pesadelo de quem vive de dieta: o efeito sanfona. Pergunta-se então: por que a perda de peso não se mantém? Pesquisadores do Weizmann Institute of Science parecem ter parte dessa resposta. Em um estudo publicado pela revista Nature, eles descrevem que o microbioma pode ter papel importante no reganho de peso pós-dieta e sugerem que a sua modulação pode ser a chave para manter o peso saudável(1).

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O microbioma pode ser definido como o grupo de genes codificados pelo genoma da microbiota intestinal – bactérias que colonizam o intestino dos seres humanos. A microbiota intestinal tem uma relação de simbiose com o organismo humano desde o nascimento, e sugere-se que participa da formação do sistema imunológico e contribui para o desenvolvimento da vasculatura intestinal e do sistema nervoso. Estima-se que um terço das pequenas moléculas circulantes no sangue provêm da microbiota(2). Entretanto, pouco se sabe sobre o desenvolvimento desses microrganismos. Estudos mostram que a composição da microbiota intestinal é resultado de fatores como idade, padrão alimentar, estilo de vida e fatores genéticos. Foram demonstradas também diferenças na população de bactérias intestinais entre indivíduos magros e obesos(2).

A pesquisa publicada na revista Nature foi realizada em camundongos que se tornaram obesos e depois foram submetidos a uma dieta para perda de peso. Os pesquisadores coletaram informações do microbioma desses animais antes e depois da dieta e relataram que após perder peso, todos os sistemas do organismo estavam revertidos para o normal (pré-obesidade), exceto o microbioma. Essa resposta “anormal” do microbioma se manteve por pelo menos seis meses, e foi chamada de “assinatura do microbioma”. Assim, quando os camundongos voltaram a se alimentar com alimentos em excesso, o ganho de peso voltou a acontecer. Os autores também desenvolveram um algoritmo para prever a recuperação de peso pós-dieta de maneira individualizada(1).

Outro dado interessante na fase pós-dieta foi a redução da concentração de flavonoides (compostos amplamente encontrados nas frutas e vegetais) pelo microbioma anormal (3). Com base nesse achado, os pesquisadores adicionaram flavonoides à agua de um grupo de camundongos pós-dieta, o que preveniu o ganho de peso excessivo nesses animais ao voltar para a dieta mais calórica. Segundo os pesquisadores, essa intervenção seria mais eficaz do que adicionar probióticos (microorganismos selecionados com o objetivo de recolonizar a microbiota), uma vez que se oferece substâncias realmente afetadas pelo microbioma(1).

Apesar de se tratar de estudo em animais, os resultados dão base para futuras pesquisas em seres humanos e podem ajudar no diagnóstico e tratamento da epidemia de obesidade. Fica cada vez mais claro que dietas “milagrosas” não existem e que é necessário reeducar nosso corpo e oferecer a ele o que ele realmente precisa o tempo todo, e não somente para próximo verão.

  1. Thaiss CA, Itav S, Rothschild D, Meijer M, Levy M, Moresi C, et al. Persistent microbiome alterations modulate the rate of post-dieting weight regain. Nature. 2016.
  2. Annalisa N, Alessio T, Claudette TD, Erald V, Antonino de L, Nicola DD. Gut microbioma population: an indicator really sensible to any change in age, diet, metabolic syndrome, and life-style. Mediators Inflamm. 2014;2014:901308.
  3. Arabbi PR, Genovese MI, Lajolo FM. Flavonoids in vegetable foods commonly consumed in Brazil and estimated ingestion by the Brazilian population. Journal of agricultural and food chemistry. 2004;52(5):1124-31.

Imagem: http://www.nature.com/nature/focus/humanmicrobiota/images/main_bg.jpg

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As plantas e a aprendizagem

Por muito tempo, acreditou-se que a aprendizagem e o poder de escolha eram processos que apenas os animais poderiam apresentar. Parece óbvio, visto que um animal pode, por exemplo, escolher entre se alimentar de um animal X ou Y devido à sua capacidade de locomoção. Caso seja mais bem sucedido ao se alimentar do animal X, o animal pode aprender a buscar o mesmo alimento, ou caso se alimente de Y e não tenha o resultado desejado, na próxima oportunidade irá se alimentar de X. Existem estudos com animais de laboratório que mostram um tipo particular de aprendizagem, a chamada aprendizagem por associação. Este tipo de aprendizagem foi descrito por Ivan Pavlov, um médico russo que demonstrou o reflexo condicionado em um experimento feito com cachorros. Ao receberem alimento, os cães ouviam um sino tocar e com isso associavam a alimentação com o barulho. Com o passar do tempo, ao ouvirem o sino tocando, os animais salivavam mesmo sem a presença de comida. Ou seja, os animais aprenderam através de um processo de associação que o alimento estava ligado a um estímulo (no caso o barulho do sino). Na natureza, esses mecanismos favorecem a sobrevivência dos indivíduos, determinando o seu sucesso.

Ao contrário dos animais, as plantas utilizam a luz solar para fazer fotossíntese e produzir seu próprio alimento. Para conseguir maior exposição à luz, as partes aéreas (caules e folhas) das plantas se movimentam em direção às fontes luminosas, em um processo chamado fototropismo positivo. Entretanto, acreditava-se que esse mecanismo seria apenas algo “inconsciente”, e não uma escolha da planta em direção à luz, mas um novo estudo veio desmistificar essa concepção. Foram colocadas sementes de ervilheira (Pisum sativum) em um labirinto em formato de Y, e as sementes poderiam ter duas direções para crescer. Nele, assim como no estudo de Pavlov, um sinal estava associado àpresença de luz): um ventilador era acionado antes da emissão do sinal luminoso, em um dos lados do labirinto. Foram feitos dois grupos (Figura 1): no primeiro, o ventilador e o sinal luminoso estavam no mesmo lado do labirinto (V+L – grupo 1), enquanto no outro estavam em lados opostos (V versus L – grupo 2). Houve um período de “treinamento”, no qual o sinal luminoso era precedido em meia hora pelo ventilador, alternando os braços do labirinto para garantir que a resposta da semente não fosse apenas fisiológica.

Após o período de treinamento, o ventilador era acionado e, mesmo sem o acionamento do sinal luminoso, observou-se uma diferença significativa entre as sementes que cresciam de acordo com seu treinamento (grupos 1 ou 2). Isso significa que as sementes do grupo 1 cresciam para o lado do ventilador, enquanto as sementes do grupo 2 cresciam para o lado oposto do ventilador, mesmo sem o acionamento do sinal luminoso em ambos os casos. Desse modo, as sementes de ervilheira demonstraram a capacidade de apresentar o mesmo comportamento que Pavlov observou em cães.

Esses resultados nos fazem repensar as certezas que tínhamos em relação às plantas: será que as plantas têm um nível de consciência semelhante aos animais, apesar da ausência de um sistema nervoso? Alguns historiadores já pensaram sobre isso, e decidiram ir além: levantaram o questionamento – foram os homens que domesticaram as plantas, ou as plantas que domesticaram os homens?

“As plantas domesticaram o Homo sapiens, e não o contrário. Pense por um instante na Revolução Agrícola do ponto de vista do trigo. Há dez mil anos, o trigo era apenas uma gramínea silvestre, uma de muitas, confinada a uma pequena região do Oriente Médio. De repente, em alguns milênios, estava crescendo no mundo inteiro. De acordo com os critérios evolutivos elementares de sobrevivência e reprodução, o trigo se tornou uma das plantas mais prósperas na história do planeta. (…) Como essas gramíneas passaram de insignificantes a onipresentes? O trigo fez isso manipulando o Homo sapiens a seu bel-prazer. Esse primata vivia uma vida confortável como caçador-coletor até por volta de 10 mil anos atrás, quando começou a dedicar cada vez mais esforços ao cultivo do trigo. Em poucos milênios, os humanos em muitas partes do mundo estavam fazendo não muito mais do que cuidar de plantas de trigo do amanhecer ao entardecer.”

Se isso é verdade ou não, não podemos afirmar com certeza. Mas definitivamente os limites que diferenciam os animais das plantas estão se mostrando cada vez mais tênues.

Referências:
GAGLIANO, M. et al. Learning by Association in Plants. Scientific Reports.
Sapiens – Uma breve história da humanidade. Yuval Noah Harari

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O maravilhoso mundo das micorrizas que você desconhece mas não vive sem!

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“Se você já aproveitou a sombra de uma árvore de carvalho, decorou um pinheiro para ser árvore de Natal, admirou a beleza de uma orquídea, comeu  feijão ou cogumelos, você se beneficiou do mundo secreto das micorrizas, um mundo responsável pela sobrevivência da maioria das plantas terrestres.”[1]

O nome micorriza pode parecer engraçado e não fazer muito sentido mas, em grego, ‘mico’ significa fungo e ‘riza’ significa raiz. Agora deu para entender melhor, não é?! Micorrizas são associações entre fungos e raízes de plantas como feijão, soja e milho que buscam colaboração mútua para conseguir nutrientes importantes. Evidências mostram que essa associação começou há 450 milhões de anos, na qual uma simbiose (do grego, ‘vivendo juntos’) ocorreu de forma mutualística, ou seja, beneficiando ambas as espécies. [2]

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Figura 1. Cogumelos crescendo próximos ao tronco uma árvore. 

Um cogumelo no chão em meio às árvores é apenas a ponta do iceberg (Figura 1). O que vemos acima do solo, muitas vezes colorido e com diferentes formas, é o corpo de frutificação, onde estão localizados os esporos responsáveis pela reprodução do fungo. Abaixo do solo encontra-se o micélio, uma rede microscópica de filamentos chamados de hifas que lembram as raízes das plantas e que podem se extender por quilômetros! De acordo com o Prof. Dr. Marcel van der Heijden, da Universidade de Utrecht (Holanda), um simples cogumelo pode se conectar com até 100 plantas diferentes através de suas longas hifas. Nesta conexão, as plantas oferecem açúcar produzido através da fotossíntese para os fungos e em troca, recebem nitrogênio e/ou fósforo que os fungos retiram do solo. [2, 3]

De acordo com o Prof. Dr. Stephan Declerck da Universidade Católica de Louvain (UCL) na Bélgica, os fungos e as plantas têm uma colaboração perfeita, onde a planta tem um maior crescimento com a ajuda dos nutrientes recebidos dos fungos e os fungos se desenvolvem melhor no solo por conta do açúcar recebido das plantas. Stephan também cita que duas plantas podem se interconectar através dos fungos no solo. Se uma planta A é afetada por um patógeno ou um inseto, uma planta B pode receber o sinal deste problema através do fungo que as interconecta. Nesta situação, a planta B que foi avisada pode se proteger antes que o perigo chegue até ela. [2, 4]

Já a Profa. Dra. Toby Kiers da Universidade Livre de Amsterdã (VU) na Holanda, investiga a teoria de que essas trocas de nutrientes e açúcar entre fungo e planta não sejam tão harmônicas. O grupo da professora investiga os limites entre cooperação e conflito nesses organismos (Figura 2). Ela acredita que fungos e plantas compartilham uma quantidade mínima de nutrientes buscando receber a maior quantidade de nutrientes do outro colaborador. Desta forma, ambos tentariam manter o máximo possível das suas reservas para as próximas gerações, assim como nós, seres humanos, fazemos. A cientista ainda explica que muitas hifas de fungos competem por um lugar na raiz da planta hospedeira afim de negociar nutrientes em troca de açúcar. Se o ‘comércio’ for interessante para ambas as partes, a colaboração é estabelecida. Entretanto, se planta ou fungo não forem bons fornecedores, uma das partes pode rejeitar o comércio ou procurar um novo fornecedor. Toby Kiers também enfatiza as evidências de que a planta premia os fungos mais colaborativos, trocando mais açúcar por fósforo. Ainda nessa linha, de forma mais egoísta, há a hipótese de que o fungo, ao penetrar na raiz da planta, tenta controlar o fornecimento de fósforo, fazendo a planta de refém como se fosse um traficante de nutrientes. [2, 5]

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Figura 2. Ponto de contato entre o esporo de um fungo micorrízico e a raiz de uma cenoura. (Imagem feita com microscopia de campo claro. Imagem invertida e com coloração artificial para melhor visualização dos detalhes.)

As pesquisas dos três cientistas citados acima mostram evidências da importância das micorrizas no crescimento das plantas e no aumento da produção agrícola. Um estudo realizado na UCL mostrou que a adição de fungos micorrízicos no solo estimula a planta a crescer duas vezes mais do que em um solo sem micorrizas, além de reduzir a necessidade de adição de fertilizantes ao solo. Com isso, a agricultura se tornaria mais sustentável e solo e água subterrânea sofreriam uma menor contaminação por conta da menor utilização de fertilizantes ricos em fósforo e nitrogênio. [2,4]

Que incrível, não é?! Sabíamos o quanto as plantas eram importantes para a nossa vida na terra e, agora, estamos descobrindo que sem os fungos micorrízicos elas não teriam ido tão longe (e nem nós!).

Texto por: Dra. Aline Ramos da Silva

Referências:

[1] http://sciweb.nybg.org/science2/hcol/mycorrhizae.asp.html (tradução livre, modificação de ‘mirtilo’ para ‘feijão’)

[2] http://www.dekennisvannu.nl/site/special/Het-machtige-schimmelrijk/80#!/external_media/Het-machtige-schimmelrijk/303

[3] http://www.uu.nl/en/research/plant-microbe-interactions/marcel-van-der-heijden

[4] http://www.mycorrhiza.be/solanum/stephan-declerck/

[5] http://www.tobykiers.com/

[6] Foto em destaque e Figura 1 retiradas do Pixabay (CC0 Public Domain, Free for commercial use, No attribution required)

[7] Figura 2, foto do Pesquisador Dr. Victor Caldas (http://www.victorcaldas.com/)

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Quando o câncer é transmissível

Durante a progressão tumoral, acredita-se que a seleção natural favorece o aparecimento de populações de células cancerosas com características mais agressivas. Cânceres mais agressivos tendem a ser letais ao hospedeiro, e dessa forma, podem ter vida curta. Nesta circunstância, podem ser caracterizados como entidades autodestruitivas 1.

Em alguns casos, as células tumorais de um hospedeiro podem invadir outro hospedeiro. Em humanos, estes episódios são extremamente raros e foram relatados em raríssimas circunstâncias dentre elas: transmissão de células tumorais de paciente para o cirurgião, através de um acidente durante cirurgia, em situações onde pacientes são submetidos a transplante de órgãos, provenientes de pessoas com câncer e pela transmissão de células cancerosas de mãe para filho durante a gravidez 1. Há também um relato de um indivíduo, infectado com HIV e com sistema imune debilitado, apresentou nódulos contendo células tumorais de verme intestinal.

Nowinsky, em 1876, e posteriormente Sticker, em 1906, sugeriram que tumores venéreos de cães eram transmissíveis, através de procedimentos experimentais envolvendo transplantes tumorais 2. Até agora, há cinco tipos de tumores transmissíveis descritos em animais. O quinto tumor transmissível foi descoberto recentemente em junho de 2016 3.

Tumores transmissíveis:

1) Tumor facial do diabo-da-tasmânia (TFDT)

2) Tumor venéreo transmissível (TVT) em cães

3) Sarcoma contagioso reticular do hamster-sírio

4) Moluscos bivalves de casca mole (Mya arenaria)

5) Moluscos bivalves de casca dura (Venerupis corrugata)

O TFDT e o TVT acometem muitos cães e o TFDT está ameaçando os diabos-da-tasmânia, marsupiais carnívoros que habitam a Tasmânia, de serem extintos 1. Em 20 anos, o TFDT foi responsável por reduzir a população de diabos-da-tasmânia em mais de 80% 6. Caso a dispersão do TFDT não esteja controlada, será a primeira vez que presenciaremos uma espécie inteira ser dizimada por um câncer.

O TFDT está localizado na Tasmânia, porém, o TVT é observado com frequência nas populações de cães de 90 países. O TVT é mais comum em países que possuem cães de ruas, como países localizados na América Central, América do Sul, África e Ásia 4.

Qual é a origem?

O primeiro indivíduo com TFDT foi fotografado em 1996 e acreditava-se que aquele era apenas um animal selvagem com tumor facial. Pesquisas mostram que o TFDT tem origem neuroendócrina, é 100% fatal, acomete a face e a cavidade bucal, e é extremamente agressivo. O animal morre entre 6 a 12 meses após o aparecimento dos sintomas iniciais 1.

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Diabo-da-tamânia com TFDT. Fonte Wikipédia.

Em 2015, foi descoberto um outro tipo de TFDT, sendo que o primeiro é proveniente de uma fêmea, enquanto o segundo é proveniente de um macho 5. Ambos apresentam sintomas similares, embora tenham originado em diferentes hospedeiros 1. Apesar de não ter tratamento, um recente trabalho mostra que a população de diabo-da-tasmânia está adquirindo uma resposta resistente aos mecanismos de escape do tumor pelo sistema imune 6.

O TVT se originou de células da medula óssea (origem mielóide), se localiza na genitália externa, porém também pode ocorrer em outras regiões e raramente invade outros órgãos. Na maioria dos casos, o tratamento com quimioterapia é altamente eficaz 1.

Como as células tumorais têm conteúdo genético do hospedeiro de origem (founder), resultados de análises da sequência de DNA do TVT, realizada pelo grupo da geneticista Elizabeth P Murchison, indicam que o tumor hoje encontrado nos cães teve sua origem há 11.000 anos. Para calcular quando este tumor teria se originado, o grupo de cientistas utilizou um relógio de mutações baseado em números de mutações que células humanas tumorais adquirem por ano. Eles se basearam no número de mutações, presentes no TVT, que é de aproximadamente 2 milhões. Geralmente, o número de mutações observado em cânceres humanos está na faixa de 1000 a 5000 7. Além disso, a análise do sequenciamento do DNA do tumor mostrou que ele se originou em um animal de pelagem escura e de um cão com similaridades genéticas às raças que são consideradas mais antigas como: akita, chow chow e shar pei.

Como TFDT e TVT se disseminam?

O TFDT e o TVT são cânceres que se espalham para o outro hospedeiro pelo contato. Estes tipos de tumores se desenvolveram independentemente e apresentam diferenças em suas trajetórias através de adaptações dos seus hospedeiros. O TFDT é transmitido pela mordida enquanto TVT é transmitido pelo coito 1.

Como estes cânceres escapam do sistema imune?

O TFDT e o TVT são capazes de invadir um outro hospedeiro imunocompetente, isto é, que a função do sistema imune não está prejudicada 1. Ainda não se sabe ao certo como estas células escapam do sistema imune. Acredita-se algumas características destas células podem ser importantes para transmissão e também pode explicar como este tumor pode sobreviver por tanto tempo, especialmente o TVT que surgiu há 11.000 anos. Dentre elas: 1) em relação à exposição e o tempo de contato, o TVT é facilmente ulcerado e o tempo de coito entre os cães é longo, o que facilita a transmissão; 2) o escape do sistema imune pode decorrer em parte da redução da expressão de certas moléculas na superfície. Dessa forma diminui a possibilidade das células cancerosas serem reconhecidas e eliminadas pelo sistema imune; 3) a manutenção da integridade do conteúdo genético da célula tumoral está associada a diversos mecanismos como: manutenção do processo de reparação do DNA e transferência horizontal das mitocôndrias das células do hospedeiro 2. Com o passar do tempo, há acúmulo de mutações no DNA mitocondrial das células de TVT que pode levar a danos irreparáveis a esta organela. Dessa maneira, o processo de obtenção de mitocôndrias saudáveis provenientes de células do hospedeiro para produzir energia foi essencial para garantir a sobrevivência do TVT.

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Transferência horizontal de mitocôndria observada no TVT. Figura esquemática baseada na  ref.2

Mitocôndria como marcadora de dispersão do TVT pelo mundo

Para se manter durante os 11.000 anos, o TVT incorporou a mitocôndria das células dos hospedeiros. Resultados mostram que essa incorporação ocorreu 5 vezes durante a trajetória do TVT e os cientistas então classificaram TVT em diferentes clados, de acordo com o ancestral doador da mitocôndria.

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Distribuição dos clados. Figura esquemática baseada nos resultados da ref 8.

Com a análise do conteúdo genético mitocondrial foi possível avaliar quando e como o TVT se espalhou. Os tumores de cães no Brasil pertencem ao clado 1, proveniente da Europa e Ásia, clado 2, possivelmente disseminada pela via transatlântica e de expedições através do oceano Índico; enquanto o clado 3 só é observado na América Central, Sul e Índia. Os clados 1, 2 e 3 surgiram 1000, 500 e 250 anos atrás8.

Curiosidade

O fenômeno denominado recombinação de DNA mitocondrial já foi descrito em casos raros, onde o DNA mitocondrial paterno se recombina com o DNA mitocondrial materno. Com dados da análise de TVT de um cão da Nicarágua, os cientistas verificaram pela primeira vez que houve recombinação genética de DNA mitocondrial da célula do hospedeiro e célula tumoral 8.

Importância de estudar estes tumores

Sabemos que células cancerosas são capazes de escaparem do sistema imune e células de tumores transmissíveis podem nos dizer quais os mecanismos usados pelas células tumorais, podendo ser incríveis modelos para se estudar câncer humanos. Decifrando melhor estes mecanismos, podemos implementar diversos esquemas de intervenção.

Além disso, a transferência horizontal de mitocôndria e a detecção de recombinação de DNA mitocondrial em TVT podem ampliar nossa visão sobre a possibilidade destes fatos acontecerem em tumores humanos e quais as funções destes fenômenos. Apesar de não existir um tipo de câncer que seja naturalmente transmissível como os cânceres descritos em animais, devemos estar atentos que há chances disto também ocorrer em humanos 5. Portanto, temos muito o que aprender com que acontece com os animais.

Referências

  1. Murchison EP. Clonally transmissible cancers in dogs and Tasmanian devils. Oncogene. 2008;27 Suppl 2(S2):S19-S30. doi:10.1038/onc.2009.350.
  2. Strakova A, Murchison EP. The cancer which survived: Insights from the genome of an 11000 year-old cancer. Curr Opin Genet Dev. 2015;30:49-55. doi:10.1016/j.gde.2015.03.005.
  3. Metzger MJ, Villalba A, Carballal MJ, et al. Widespread transmission of independent cancer lineages within multiple bivalve species. Nature. 2016;534(7609):705-709. doi:10.1038/nature18599.
  4. Strakova A, Murchison EP. The changing global distribution and prevalence of canine transmissible venereal tumour. BMC Vet Res. 2014;10(1):168. doi:10.1186/s12917-014-0168-9.
  5. Pye RJ, Pemberton D, Tovar C, et al. A second transmissible cancer in Tasmanian devils. Proc Natl Acad Sci. 2015;113(2):201519691. doi:10.1073/pnas.1519691113.
  6. Epstein B, Jones M, Hamede R, et al. Rapid evolutionary response to a transmissible cancer in Tasmanian devils. Nat Commun. 2016;7:12684. doi:10.1038/ncomms12684.
  7. Murchison EP, Wedge DC, Alexandrov LB, et al. Transmissible dog cancer genome reveals the origin and history of an ancient cell lineage. Science (80- ). 2014;343(6169):437-440. doi:10.1126/science.1247167.
  8. Strakova A, Leathlobhair MN, Wang GD, et al. Mitochondrial genetic diversity, selection and recombination in a canine transmissible cancer. Elife. 2016;5(MAY2016):1-25. doi:10.7554/eLife.14552.

Fonte das fotos: Wikipédia

Link útil:

TED talk: Elizabeth Murchison

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Você é o que você fala? Como a linguagem pode moldar nossa percepção de mundo

Ainda nos dias de hoje muitos buscam identificar o que diferencia os humanos dos outros animais. Uma das características encontrada nos humanos que poderia ser esse “santo graal” é a linguagem; veja bem, não a comunicação. Mesmos os organismos bem simples são capazes de se comunicar. Muitos animais possuem vocalizações complexas e específicas, assinaturas vocais, e até mesmo um certa forma de gramática. Mas definitivamente, a complexidade da linguagem humana é surpreendente.

Outra característica surpreendente da linguagem humana é que ela é população-especifica, ou seja, um conjunto de humanos possui uma lingua que apenas eles entendem, com diversas interfaces com a cultura local. Mas quanto a língua é reflexo da cultura? A língua que falamos molda a maneira como vemos o mundo, a maneira como pensamos e a maneira como vivemos nossas vidas? Ou seja, as pessoas que falam línguas diferentes pensam diferente simplesmente porque falam línguas diferentes? A aprendizagem de novas linguagens muda a maneira como pensamos? Os poliglotas pensam diferente quando falam línguas diferentes?

Estas perguntas tocam em quase todas as principais controvérsias do estudo da mente. Essa linha de pesquisa envolve dezenas de áreas como a filosofia, antropologia, linguística, evolução e a psicologia. Os resultados e discussões decorrentes desses estudos têm importantes implicações para a política, o direito e a religião.

Pesquisas, como a da Universidade de Stanford e do MIT, têm coletado dados em todo o mundo: China, Grécia, Chile, Indonésia, Rússia, Austrália (incluindo populações aborígenes), mostram que as pessoas que falam línguas diferentes realmente pensam de forma diferente e mais: que as expressões da gramática podem afetar profundamente a maneira como vemos o mundo.

É a linguagem apenas uma ferramenta para nos expressarmos ou ela nos molda mais do que imaginamos?

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foto: TED

As línguas diferem tanto uma das outras que a forma de se expressar muda completamente entre aqueles que falam diferentes línguas. Contudo, poderíamos dizer que porque nos expressamos diferentemente o sentimento que motiva essa comunicação também é diferente?

Por exemplo, se uma língua não possui a palavra saudade, significa necessariamente que a população que fala essa língua não sente saudade ou que não valoriza esse sentimento?

Para complicar, não somente a presença ou ausência de palavras mas também diferenças na gramática e na construção das sentenças podem ser evidências de como pensamos e sentimos. Por exemplo na afirmação: “Carolina leu o último livro de Machado”. Vamos nos concentrar apenas no verbo “ler”. Para dizer esta frase em português, temos que conjugar o verbo para o tempo. Em indonésio você não precisa (na verdade, você não pode) alterar o verbo para marcar o tempo. Em russo você teria que alterar o verbo para indicar o tempo e o sexo. Então se foi André quem leu, a escolha do verbo diria isso. Em turco você teria que incluir no verbo como você adquiriu esta informação: se você tivesse testemunhado este evento, você usaria uma forma verbal, mas se tivesse simplesmente lido ou ouvido sobre isso, você usaria uma forma verbal diferente.

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Por exemplo, um experimento conduzido por LERA BORODITSKY, mostrou fotos de diferentes etapas de uma uma ação para voluntários, que deveriam colocá-las em ordem. Quando os voluntários falavam como língua mãe o inglês eles colocam a ação em ordem em sentido horário, já os hebreus, organizaram em sentido anti-horário. E os indivíduos da comunidade aborígene Kuuk Thaayorre, organizavam de leste para oeste.

Mas seriam essas diferenças causadas por linguagem ou cultura?

Pesquisas sugerem que é a linguagem um estímulo externo que determina como você pensa. Ela funciona nos dois sentidos, é moldada pela cultura da mesma forma que determina a linha de raciocínio daquela população, tendo, portanto, um papel causal na construção de como pensamos. Em termos práticos, significa que quando você está aprendendo uma nova língua, você não está simplesmente aprendendo uma nova maneira de falar, você está também aprendendo uma nova maneira de pensar. Além dos domínios abstratos ou complexos do pensamento, como o espaço e o tempo, as línguas também interferem em aspectos básicos da percepção visual – nossa capacidade de distinguir cores, por exemplo. Diferentes línguas dividem o continuum da cor de forma diferente: alguns fazem muitas mais distinções entre as cores do que outros e os limites muitas vezes não se alinham entre os idiomas.

Estudos tem mostrado que a língua falada molda a maneira como pensamos sobre espaço, tempo, cores, objetos, como as pessoas interpretam os eventos, raciocinam sobre a causalidade, compreendem a substância material, percebem e experimentam emoção, raciocinam sobre as mentes de outras pessoas, escolhem assumir riscos e até mesmo na maneira como escolhem profissões e os cônjuges.

Ou seja, mostram que os processos lingüísticos são penetrantes na maioria dos domínios fundamentais do pensamento; inconscientemente moldando-nos e tendo assim papel importante na construção dos processos cognitivos e de percepção do abstrato. Assim, a língua que falamos tem um importante papel nas decisões da nossa vida.

Em síntese essas pesquisas têm mostrando  que a linguagem molda profundamente a maneira como pensamos, a maneira como vemos o mundo, a maneira como vivemos nossas vidas.

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Tirinha: Language of the world

Para aprender mais:

S. C. Levinson and D. P. Wilkins, eds., Grammars of Space: Explorations in Cognitive Diversity (New York: Cambridge University Press, 2006).

Levinson, Space in Language and Cognition: Explorations in Cognitive Diversity (New York: Cambridge University Press, 2003).

L. Boroditsky, “Do English and Mandarin Speakers Think Differently About Time?” Proceedings of the 48th Annual Meeting of the Psychonomic Society (2007): 34.

D. Casasanto et al., “How Deep Are Effects of Language on Thought? Time Estimation in Speakers of English, Indonesian Greek, and Spanish,” Proceedings of the 26th Annual Conference of the Cognitive Science Society (2004): 575–80.

D. Gentner and S. Goldin-Meadow, eds., Language in Mind: Advances in the Study of Language and Cognition (Cambridge, MA: MIT Press, 2003), 61–79.

How language can affect the way we think

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Para lembrar quando faltar coragem

[Aviso: O sexismo enfrentado por mulheres tem aspectos distintos e agravantes dependendo da sua classe social, meio cultural, raça, religião, orientação sexual, restrições físicas e/ou psicológicas. Nesse texto, entretanto, por simplicidade, tratamos da questão de gênero na ciência, em particular, na área de física, de maneira binária: mulheres e homens. E, além de poucas citações superficiais, também não estão representadas questões raciais e religiosas.]

Ao contrário do que se imagina, numa sociedade com o mesmo recorte cultural, o machismo não diminui quanto maior o nível educacional dos indivíduos, e, sim, transfigura-se em formas mais elaboradas de discriminação. A vivência dentro da academia não é imune às suas construções sociais e reflete a estrutura patriarcal na qual as ciências foram concebidas. Nós, mulheres, enquanto cientistas, devemos nos enquadrar em sistema feito por homens e para homens. Isso cria desafios particulares para mulheres que desejam seguir carreiras científicas, que já começam em desvantagem com relação as dos seus colegas do sexo masculino.

A mentoria, por exemplo, é extremamente importante para todo jovem cientista, seja como forma de obter treinamento na sua área de especialização, como para ter acesso a rede de colaborações. Ela é, principalmente, o mecanismo pelo qual se aprender toda a parte não escrita sobre o funcionamento do mundo acadêmico: negociar com outros cientistas, apresentar trabalhos, pleitear verbas, oportunidades em projetos, etc, fundamentais para o avanço da carreira. Poucas mulheres usufruem dessa rede de oportunidades através de mentoria, enquanto o engajamento, histórico e estrutural, entre os homens leva-os a carreiras mais bem sucedidas.

Foi pensando em um ambiente que proporcionasse troca de experiências entre jovens mulheres cientistas que a Dra. Elizabeth Simmons da Universidade Estadual de Michigam (E.U.A.) e Dra. Shobhana Narasimhan do Centro de Pesquisa Cientifica Avançada Jawaharial Nehru (Índia) idealizaram um workshop focado no desenvolvimento das carreiras das jovens pesquisadoras na área de física. As duas foram colegas de pós-graduação durante o doutorado na Universidade de Harvard (E.U.A.), entre o final da década de oitenta e o início dos anos noventa. Das conversas entre as duas amigas, elas perceberam que mulheres cientistas, sendo poucas, enfrentam um certo isolamento e possuem poucos espaços para networking, troca de experiências e meios de adquirir certas habilidade não-acadêmicas, as quais seus colegas homens têm acesso tão facilmente através do “clube dos meninos”.

E, assim, foi criado o “Workshop para Desenvolvimento das Carreiras de Mulheres em Física”, com duas edições realizadas num dos institutos de física teórica mais respeitado do mundo, o Centro Internacional de Física Teórica. A última edição, em 2015, contou com 16 palestrantes, a maioria absoluta de mulheres e físicas, e 45 participantes vindas de 26 países e, sim, vou listar porque só a lista de países por si só já é linda: Alemanha, Armênia, Argentina, Benim, Bielorrúsia, Botswana, Brasil, Camarão, Canadá, Cuba, Egito, Gabão, Gana, Índia, Itália, Irã, México, Nigéria, Palestina, Paquistão, Quênia, Senegal, Sri Lanka, Sudão, Turquia e Ucrânia. Imagina só: você entra num auditório. Tem mais de 40 cientistas em física. TodAs mulheres! E a maioria absoluta não é branca! Com muçulmanas, cristãs, atéias trabalhando juntas! Você nem consegue imaginar, não é? Eu vi! Eu vi, gente! Eu estava lá! *_*

Nessa atmosfera multicultural, multirracial, multirreligiosa, nós tivemos a oportunidade de discutir sobre as melhores formas de apresentar currículos, negociar financiamento de pesquisa, escrever propostas, entre outros tópicos. E, também, pudemos tratar sobre aspectos diretamente ligados com as dificuldades de sermos mulheres enquanto cientistas (e vice versa!). As organizadoras convidaram ainda cientistas reconhecidas internacionalmente como Dama Dra. Jocelyn Bell Burnell, que descobriu as primeiras estrelas de nêutrons e Dra. Sossina Haile, uma das pioneiras em células de energia limpa, cujas palestras inspiradoras mesclaram depoimentos pessoais e percurso acadêmico.

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Era mais fácil me darem parabéns pelo meu noivado do que pela minha descoberta científica.” — Jocelyn Bell Burnell sobre a época de seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra).

Jocelyn montou o rádio telescópio que detectou as primeiras estrelas de nêutrons, sendo dela a descoberta das quatro primeiras. As características não usuais desses objetos causaram tanta comoção que até o seu supervisor, Antony Hewish, desacreditou os dados. Bell Burnell defendeu a tese (1968) mesmo sem o apoio do seu orientador.

Em 1974, Hewish divide o prêmio Nobel Prize de física com Martin Ryle, ignorando as contribuições de Bell. O prêmio desse ano ficou conhecido como “No Bell” (Sem Bell, em tradução livre)…

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“Eu era a única mulher na minha turma. E toda a vez que eu entrava na sala de aula, meus colegas batiam os pés no chão até eu sentar.” — Jocelyn Bell Burnell sobre sua graduação em Glasgow (Escócia) na década de 1960.

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“Perdi as contas de quantas vezes eu entrei numa sala de reunião e me pediram para trazer o café.” — Sossina Haile, pioneira na pesquisa com células combustíveis.

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“Uma vez um estudante entrou no meu escritório procurando pelo Prof. Haile. Nós começamos a conversar e ficou claro que ele achava que eu era a secretária do Prof. Haile. Em algum momento ele perguntou se o Prof. Haile estaria interessado na supervisão de novos alunos, como ele. Eu disse: “Hum… Eu acho que não…”. (risadas!) “E essa é uma das formas que encontrei de enfrentar situações de sexismo ou racismo.” — Sossina Haile

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O clima do evento foi de confissões, desabafos e histórias de superação. Tivemos mesas redondas, dinâmicas de grupo, grupos de trabalho, além de palestras e apresentação dos trabalhos científicos das participantes. Foi um evento para levar para vida toda. Com todas essas mulheres fortes contando como lutam todo o dia para fazer ciência, não tinha como não se emocionar e aprender muito: como fazer ciência quando não acreditam em você e no seu trabalho porque você é mulher, porque você é negra, porque você é muçulmana, porque o seu país está em guerra. Como fazer ciência quando ao seu redor as pessoas esperam que você, antes de tudo, seja mãe e esposa. Como fazer ciência quando você é a responsável pelos familiares doentes. Como fazer ciência quando se é pobre… Como fazer ciência depois do abuso verbal, depois do abuso sexual… Como fazer ciência quando se está só… Uma mulher faz ciência simplesmente porque ela quer, mas ela precisa de coragem para continuar.

Algumas de nós engajadas em projetos voltados para atrair meninas para carreiras em física e matemática. Outras, trabalhando em políticas de inclusão e de incentivo à permanência de mulheres na carreira científica. Outras de nós, abertamente feministas. Outras, nem tanto. Todas, porém, reconhecendo duas razões principais para estar ali, naquele workshop. Primeiramente, para aprender mais sobre como o sistema acadêmico funciona e, assim, ter recursos não apenas para permanecer dentro dele, como também crescer e, eventualmente, ocupar posições de prestígio, na academia ou até mesmo fora dela. E, em segundo lugar, uma vez como cientistas, pesquisadoras e professoras, melhorar o sistema para as garotas que escolham carreiras científicas tenham vidas melhores do que as nossas.

Todas nós, apesar de diferentes culturas, raças e religiões (ou não religiosas), nos vimos unidas enquanto mulheres e cientistas. E, não importa em que lugar do mundo a gente viva, agora nenhuma de nós luta sozinha, no isolamento dos nossos departamentos. Nós lutamos juntas!

“Quando era jovem, eu não me considerava feminista. O meu feminismo surgiu ao longo dos anos. Agora, quanto mais velha eu fico, mais feminista também. Hoje eu sou GRRRR!!! feminista!” — Dame Dra. Jocelyn Bell Burnell

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Links interessantes (foi mal, mas é tudo em inglês :/ ):

Se você está no doutorado ou tem doutorado em física, super recomendo que você acompanhe os programas do Centro Internacional de Física Teórica para mulheres.

Gostou da Liz e da Shobhana? Então, dá uma olhada aqui na entrevista que elas deram ano passado.

Mais sobre energia limpa e Sossina Haile na website do The Haile Group.