Missão Rosetta : “…Pegar carona nessa cauda de cometa…”

A Missão Rosetta Internacional foi aprovada no Science Program da ESA em novembro de 1993. Á partir daí diversos cientistas da Europa e Estados Unidos trabalharam juntos para construir uma sonda espacial capaz de se aproximar de um dos objetos mais antigos do Sistema Solar, o Cometa 67P / Churyumov-Gerasimenko. Em Março de 2004, o foguete europeu Ariane 5 saiu de Kourou, na Guiana Francesa, levando a sonda Rosetta.

A missão da Agência Espacial Europeia de exploração de cometa tem este nome devido a famosa “Pedra de Rosetta”. Este objeto de basalto vulcânico foi a chave para desvendar a civilização do antigo Egito.

Ao comparar as inscrições sobre a pedra, os historiadores foram capazes de começar a decifrar as figuras misteriosas esculpidas. A maior parte do trabalho pioneiro foi realizada pelo médico e físico inglês, Thomas Young, e pelo estudioso francês, Jean François Champollion. Como resultado, os estudiosos foram finalmente capazes de reconstituir a história de uma cultura há muito perdida.

Assim como a pedra de Rosetta forneceu a chave a uma civilização antiga, a sonda Rosetta destravará os mistérios dos objetos mais velhos de nosso Sistema Solar. Como o sucessor digno de Champollion e Young, Rosetta permitirá que os cientistas olhem para trás 4,6 bilhões de anos para uma época em que não existiam planetas, e apenas um vasto enxame de asteroides e cometas cercando o Sol.

Os cientistas esperavam comparar os resultados de Rosetta com estudos prévios da espaçonave Giotto, da ESA, e por observatórios terrestres. Estes mostraram que os cometas contêm moléculas orgânicas complexas – compostos que são ricos em carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio. Curiosamente, estes são os elementos que compõem os ácidos nucleicos e aminoácidos, os ingredientes essenciais para a vida como a conhecemos. A vida na Terra começou com a ajuda de cometas? Rosetta pode nos ajudar a encontrar a resposta a esta pergunta fundamental.

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Figura 1: Aproximação da sonda Rosetta ao cometa 67P / Churyumov – Gerasimenko.

 

Depois de doze anos de viagem pelo Sistema Solar, a sonda se aproximou do Cometa 67P / Churyumov-Gerasimenko (Figura 1). A sonda Rosetta enviara então um aterrador robótico, chamado de Philae, para obter as primeiras imagens da superfície de um cometa e fazer as primeiras análises de sua composição.

A aterrissagem de Philae, que pode ser visto na figura 2, teve alguns obstáculos, o seu fixador teve problemas e o lander se deslocou, ficando “perdido” por um tempo.

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Figura 2: Superfície do cometa 67P / Churyumov – Gerasimenko e a sonda Philae em sua superfície

 

 

Alguns dos resultados mais inesperados e importantes estão ligados aos gases que fluem do núcleo do cometa, incluindo a descoberta de oxigênio molecular, e nitrogênio, e água com um “sabor” diferente dos oceanos da Terra.

Rosetta também detectou o aminoácido glicina, que é comumente encontrado em proteínas e fósforo, um componente-chave para o DNA e membranas celulares. Numerosos compostos orgânicos também foram detectados por Rosetta, e também por Philae na superfície.

Esses resultados apontam para o cometa nascendo em uma região muito fria da nebulosa protoplanetária, quando o Sistema Solar ainda estava se formando, há mais de 4,5 bilhões de anos.

Outro ponto, resultante das análises, mostrou que o impacto de cometas como Rosetta podem não ter fornecido tanta água na Terra como se pensava anteriormente.

No dia 30 de setembro de 2016, Rosetta pousou no 67P/ Churyumov-Gerasimenko. A decisão de terminar a missão com um mergulho da sonda em direção a superfície decorre do fato de Rosetta e o cometa estarem indo para além da órbita de Júpiter e, após certa distância, haveria pouco poder para operar a sonda.

Mark McCaughrean, consultor sênior da ciência da ESA, comenta que além de ser um triunfo científico e técnico, a incrível jornada de Rosetta e sua lander Philae também capturou a imaginação do mundo, atraindo novos públicos muito além da comunidade científica.

Essa animação do público veio através de um grande investimento de divulgação da missão. A sequência de animações  que contam a trajetória da missão foi traduzida para diversas línguas e com um toque de doçura que nos deixa apegados a dupla Rosetta e Philae.

Desejem:

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Figura 3: Pelúcia da Sonda Rosetta e do companheiro Philae

 

A missão foi um sucesso mesmo com imprevistos. As descobertas no campo de composição dos cometas e a evolução na engenharia espacial irão contribuir em outras missões e, embora o lado operacional da missão tenha terminado, a análise científica dos dados obtidos continuará por muitos anos.

Referência e mais informações:

Site da Esa: http://www.esa.int/Our_Activities/Space_Science/Rosetta

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