Biorremediação, microrganismos fazendo uma boa ação!

Quando pensamos em bactérias, fungos e outros microrganismos, a primeira ideia que nos vem à cabeça é que eles são perigosos e vão nos trazer doenças mas, na verdade, uma minoria desses seres é patogênica.

Muitos microrganismos são benéficos para a nossa saúde e para saúde do meio ambiente, como aqueles que compõe a nossa flora intestinal, os que são usados para produção de certos alimentos e os microrganismos que degradam moléculas tóxicas. Estes últimos possuem enzimas que quebram o contaminante em partículas menores e menos tóxicas, realizando o que chamamos de biorremediação ou biodegradação. [1]

A biorremediação é um processo que pode ser aplicado no tratamento e limpeza do meio ambiente, como solo e água contaminados por poluentes. Os microrganismos são estimulados a consumir os compostos tóxicos como fonte de alimento e energia. Os contaminantes, por sua vez, são digeridos e, finalmente, convertidos em água e gás carbônico. [2,3]

Os principais poluentes passíveis de biorremediação são: compostos orgânicos voláteis (ex. combustíveis, solventes), hidrocarbonetos (ex. petróleo e subprodutos, tintas, solventes), hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (ex. subprodutos da queima do carvão, alcatrão), agrotóxicos, pesticidas entre outros.[4]

A primeira etapa do processo é o estudo do local contaminado (Figura 1). Amostras de solo e/ou de água são coletadas e analisadas de 3 formas: geológica e geotecnicamente (tipo de solo, localização da área afetada, hidrologia etc), quimicamente (identificação do contaminante, do pH, da salinidade, do potencial de oxirredução etc), e biologicamente (identificação dos microrganismos sobreviventes). Se houver uma quantidade suficiente de microrganismos degradadores do composto tóxico na amostra, a próxima etapa será estimulá-los usando nutrientes e/ou oxigênio para que tenham as condições necessárias para degradar o contaminante. Se a quantidade for baixa, os microrganismos serão cultivados em biorreatores e depois devolvidos para a área afetada. [2,3,4]

A biorremediação pode ser aplicada no local contaminado (in situ) quando o volume de solo é grande ou está alocado em região de difícil extração. Outra alternativa é escavar o solo contaminado e tratá-lo em um ambiente controlado (ex situ): em maior escala, através de biopilhas, ou em menor escala, dentro de biorreatores em laboratório. [2,3,4]

Durante o processo de biorremediação, amostras são coletadas de tempos em tempos para monitorar a degradação do composto tóxico. Quando a contaminação atinge concentrações aceitáveis e inofensivas para os seres vivos, o solo é dado como tratado e próprio para determinados usos.

biorremediacao-esquema

Figura 1. Exemplo de aplicação do método de biorremediação: 1. coleta de solo contaminado; 2. análise química (a) e biológica (b) da amostra de solo; 3. tratamento do solo ex situ (c, d) ou in situ (e); 4. análises para monitoramento da degradação; 5. solo tratado. [2, 5, 6, 7]

Apesar da biorremediação ser capaz de degradar muitos tipos de contaminantes, este processo é lento quando comparado à oxidação química ou à incineração. Ainda assim, a biorremediação é eficiente e deve ser sempre considerada como método de tratamento de solo e água pois, acima de tudo, é sustentável e barata.

Texto por: Aline R.S.

Referências:
[1] https://www.epa.gov/sites/production/files/2015-04/documents/introductiontoinsitubioremediationofgroundwater_dec2013.pdf
[2] SILVA, Aline Ramos da. Biodegradação de hexaclorociclohexano utilizando microrganismos e enzimas desenhadas computacionalmente. 2014. Tese (Doutorado em Biotecnologia) – Biotecnologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014. doi:10.11606/T.87.2014.tde-16052014-124535. Acesso em: 2016-11- 13. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/87/87131/tde-16052014-124535/pt-br.php
Foto 3d (Figura 1) retirada da tese acima citada.
[3] https://clu-in.org/download/Citizens/a_citizens_guide_to_bioremediation.pdf
[4] www.epa.sa.gov.au/files/8372_guide_soil.pdf
[5] Fotos 1, 2a, 3c, 4 e 5 (Figura 1) retiradas do Pixabay (CC0 Public Domain, Free for commercial use, No attribution required)
[6] Foto 2b (Figura 1) retirada de www.micropia.nl/en/
[7] Foto 3e (Figura 1) retirada de http://www.bioclear.nl/en/
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Um comentário sobre “Biorremediação, microrganismos fazendo uma boa ação!

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