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Coluna Astronomia: Sistema Triplo e Aliens

Na astronomia uma das áreas com maior crescimento na última década é a pesquisa em exoplanetas. Exoplanetas são planetas que estão em outros sistemas que não o Sistema Solar. Até o início da década de 1990, planetas em outros sistemas ainda eram considerados ficção científica. No entanto, depois da primeira confirmação de exoplaneta, em 1995, o número de descobertas foi aumentando até que nos últimos anos, com a missão Kepler, houve uma “explosão” de descobertas, totalizando quase 3 mil planetas confirmados e mais de 2 mil candidatos a planetas.

Duas descobertas nos últimos meses deixaram os pesquisadores ( incluo-me neste montante) animados. A primeira descoberta foi o sistema HD131399, que foi detectado pelo Very Large Telescope (VLT) com o SPHERE (instrumento que analisa o espectro dos corpos celestes) . O que faz desse sistema especial? Até pouco tempo considerava-se muito difícil um planeta se manter estável em um sistema binário compacto (com duas estrelas relativamente próximas), e o sistema HD131399 não só é um sistema triplo (com três estrelas) como possui um planeta orbitando uma de suas estrelas!

Na figura abaixo podemos ver, à esquerda, a configuração do sistema: em letras maiúsculas temos as três estrelas (A, B e C), em minúscula (b) o planeta e, á direita, a comparação com o Sistema Solar.

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Figura 1: Sistema HD131399 e o Sistema Solar. Fonte: http://science.sciencemag.org/content/353/6300/673

Apesar de detectado, ainda há muitas coisas pra serem descobertas sobre esse sistema. Não sabemos, por exemplo, como esse sistema foi formado e nem se a órbita do planeta é estável.

A segunda descoberta que chamou atenção na comunidade científica, foi o planeta Proxima Centauri b. O sistema de Proxma Centauri está a apenas 4,2 anos-luz da Terra , o que faz desse sistema, em termos astronômicos, um vizinho muito próximo. A confirmação da existência do planeta pela Eropean Southern Observatory (ESO) trouxe uma animação ainda maior pelo fato do planeta estar na zona habitável (ZH) do sistema . Zona habitável, em resumo, é a região de um sistema onde há possibilidade de existência de água líquida e, por conseguinte, possibilita vida complexa (da maneira que conhecemos). A ZH varia conforme a temperatura e luminosidade da estrela do sistema, por causa disso, sistemas binários ou triplos tem maior dificuldade de ter uma região de habitabilidade, visto que, deve ser considerada a influência de todas as estrelas do sistema.

Enfim, o descobrimento de um planeta tão próximo e com possibilidade de vida deixa qualquer pessoa animada, mas devemos enfatizar que vida complexa como nós conhecemos depende de mais fatores que “água líquida” e a “radiação da estrela”.

Apesar de ser uma ideia atraente, a confirmação da existência de vida inteligente nesses planetas ainda é pouco provável.

Referências:

http://exoplanets.org/

http://science.sciencemag.org/content/353/6300/673

http://arxiv.org/abs/1608.06813

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Aleitamento materno: uma questão de saúde pública

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O mês de agosto é conhecido como “Agosto Dourado”, dedicado à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. A data reforça a “Semana Mundial do Aleitamento”, uma campanha da Organização Mundial da Saúde existente há mais de vinte anos. No tema escolhido para a campanha, a cor dourada se refere ao padrão ouro de qualidade do leite materno. No mês passado, os serviços de saúde intensificaram suas ações educativas por meio de eventos e informativos (propaganda, cartazes, posts em rede sociais) com o objetivo de promover o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e como complemento até o segundo ano de vida. Em 2016, o Ministério da Saúde (MS) foi além dos benefícios para a mãe e o bebê e destacou os aspectos econômicos e ecológicos do aleitamento materno: a fabricação de leites em pó ou longa vida utilizam energia, materiais para embalagem, combustível para a distribuição e água, além de produtos de limpeza tóxicos para o preparo diário [1].

No início deste ano a revista The Lancet publicou uma completa revisão sobre os padrões de amamentação no mundo, as consequências a curto e longo prazo pra mãe e criança e as estimativas de quantas vidas poderiam ser salvas se os índices de amamentação fossem ideais [2]. O artigo descreve que países de baixa renda apresentam as melhores taxas de amamentação em todas as idades quando comparados aos países de alta renda. Quando se dobra o PIB per capita, a prevalência de aleitamento aos doze meses decresce 10%.O estudo aponta também que em países mais ricos, mulheres com maior grau de escolaridade e maior renda amamentam por mais tempo. Nos países mais pobres, por outro lado, conforme há aumento da renda, são menores as taxas de amamentação e maior o uso de substitutos lácteos.

O Brasil foi citado como referência mundial, à frente dos Estados Unidos, Reino Unido e China: em 30 anos a média de aleitamento passou de dois meses e meio para 14 meses em nosso país. Apesar dos avanços, dados do MS descrevem que somente 41% das crianças recebem aleitamento materno exclusivo (somente leite materno) até os seis meses. O estudo do The Lancet aponta que a iniciação do aleitamento (recomendada na primeira hora de vida) e a exclusividade ainda tem índices insatisfatórios. Os avanços brasileiros são atribuídos à regulamentação da lei da amamentação, que limita a comercialização de substitutos do leite materno e incentiva a licença maternidade de 6 meses, além da atuação dos hospitais “Amigos da Criança” e dos Bancos de Leite Humano.

Além dos bem conhecidos benefícios do ponto de vista nutricional, os autores relatam menores taxas de infecções, menos má-oclusões dentais e maior inteligência em comparação tanto com as crianças amamentadas por períodos curtos como com as não amamentadas no peito, com índices que se refletem ainda na vida adulta. As evidências também sugerem que o aleitamento materno protege contra obesidade e diabetes nas demais fases da vida. Para as mães, amamentar previne câncer de mama, melhora o intervalo entre as gestações e pode reduzir o risco de diabetes e câncer de ovário. Os achados de estudos imunológicos, epigenéticos e de microbioma esclarecem que o aleitamento materno é um remédio personalizado para mãe e filho. O leite materno transmite elementos da microbiota e sistema imunológico da mãe e promove o crescimento de bactérias benéficas, independente do tipo de parto. O leite materno possui 8% de seu valor calórico total composto por oligossacarídeos específicos (do inglês, human milk oligosaccharides – HMOs) que não são digeridos e promovem uma resposta imunológica intestinal adequada. O estudo estima ainda que o aleitamento materno pode prevenir 823 mil mortes infantis e 20 mil mortes por câncer de mama por ano, e pode contribuir para alcançar a meta de reduzir a pobreza e melhorar a educação e a economia dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas [3].

A revisão compila informações valiosas sobre o aleitamento materno, e destaco aqui os avanços do aleitamento materno no nosso país. Entretanto, é inevitável refletir sobre os motivos do sucesso do aleitamento, muito além dos aspectos econômicos e de saúde. É necessário que a mulher se sinta segura e amparada nesta fase tão importante da vida. Claro que existem mulheres que não podem amamentar e cada caso deve ser avaliado. Mas muitas delas deixam de fazê-lo por crenças e tabus, como leite fraco, quantidade de leite produzido pela mãe e “peitos caídos”. Os profissionais de saúde devem instruir as mães nas dificuldades e a família deve dar o apoio emocional e incentivo para que a mulher não desista de seus objetivos. A sociedade também deve participar e não constranger ou condenar a mulher que amamenta em público. Avanços existem, mas ainda há muito a ser feito. Essa discussão renderia muitas postagens… Por enquanto, me arrisco a afirmar que a informação e o empoderamento das mulheres são as palavras-chave. Que tal passar essas informações pra frente e fazer sua parte?

 

  1. http://www.brasil.gov.br/saude/2016/08/governo-lanca-campanha-sobre-amamentacao-para-2016
  2. Cesar G Victora, Rajiv Bahl, Aluísio J D Barros, Giovanny V A França, Susan Horton, Julia Krasevec, Simon Murch, Mari Jeeva Sankar, Neff Walker, Nigel C Rollins. Breastfeeding in the 21st century: epidemiology, mechanisms, and lifelong effect. The Lancet, Volume 387, Issue 10017, 30 January–5 February 2016, Pages 475-490.
  3. http://www.un.org/sustainabledevelopment/sustainable-development-goals/

Figura: https://www1.mar.mil.br/saudenaval/aleitamento-materno-agosto-dourado

 

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O que a aviação e a energia eólica tem a aprender com as corujas?

A busca por métodos de geração de energia alternativos aos combustíveis fósseis é uma das áreas que mais movimentam a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico hoje em dia. Nos últimos anos, vimos invenções como o Mr. Fusion do Dr. Brown1 (aquele do De Volta para o Futuro), que transforma lixo orgânico em energia, se tornarem realidade. Vimos a energia solar, a energia das marés e a energia nuclear (que não é tão ruim quanto parece) ganharem cada vez mais incentivos para serem estudadas. Mas de onde mais a humanidade tira inspirações para essas ideias? Da natureza, é claro!

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Dr. Brown e seu Mr. Fusion, transformando lixo em energia para mover o querido DeLorean. Um sonho em 1989, uma alternativa no século XXI. Fonte da imagem.

O avião é um exemplo óbvio de tecnologia inspirada pela natureza. Inventado há mais de um século – e não é hora de discutir se o responsável foi Santos Dumont ou os se foram os Irmãos Wright, ok? – é claro que a vontade do homem de voar vem da observação de aves e suas asas, que as permitem percorrer longas distâncias em um curto tempo. Não é à toa que o formato dos aviões e suas asas se assemelham bastante às aves. Mas o que mais a natureza tem a nos oferecer além da tecnologia de asas e aviões? E como isso se relaciona com energia eólica?

A energia eólica é, em resumo, energia extraída dos ventos. Para tal, foram criadas e desenvolvidas turbinas eólicas, que parecem cata-ventos gigantes e, ao girar com a força dos ventos, movimentam um eixo conectado a um gerador, transformando a energia mecânica contida no vento em energia elétrica. Esta energia é considerada limpa e renovável, já que ventos são recursos facilmente disponíveis e não há emissão de gases do efeito estufa durante a produção de energia elétrica. No entanto, um dos problemas dessa tecnologia está relacionado à emissão de ruídos que, além de serem fundamentalmente energia desperdiçada, causam a revolta de moradores de áreas vizinhas a fazendas de energia eólica. Apesar de existirem estudos dizendo que a relação entre ruídos e reclamações é mais complexa do que simplesmente uma consequência do volume2, é necessário encontrar maneiras de mitigar a emissão dos ruídos indesejados.

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Fazenda de energia eólica off-shore (em alto-mar). Clique aqui para assistir a um vídeo em que é possível ouvir o barulho de uma turbina eólica. Fonte da imagem.

Nesta busca por maneiras de tornar turbinas eólicas (e, por consequência, aviões) mais silenciosos, cientistas começaram a investigar o voo de diversas aves, e uma mereceu destaque. Corujas caçam à noite e, devido à baixa luminosidade, utilizam a audição como principal guia para encontrar suas presas. Para tanto, é necessário que seu voo seja o mais silencioso possível. Ao comparar suas asas com as de outras aves, foi destacada a presença de dois mecanismos utilizados para diminuir a emissão de ruídos: penas serrilhadas e estruturas que se assimilam a pelos distribuídas por toda a superfície das asas.

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À esquerda, uma coruja se pergunta como ela pode ser uma inspiração tão incrível para a humanidade. (Fonte da imagem) À direita, exemplos dos dois mecanismos de mitigação de ruídos em asas de corujas. Ao topo, é possível observar estruturas que se assemelham a dedos nas pontas das asas de uma coruja. (Fonte da imagem) E, embaixo, as estruturas que parecem pelos. (Fonte da imagem). Link para um vídeo mostrando a comparação entre a emissão de ruídos no voo de corujas e outras aves:

Grande parte dos ruídos gerados por asas de avião e outras estruturas semelhantes, como as pás de turbinas eólicas, acontece devido ao escoamento turbulento no bordo de fuga, a parte traseira da asa. Em outros termos, a alta velocidade do ar que passa sobre a asa gera estruturas desorganizadas que causam ruídos. As estruturas presentes nas asas das corujas de certa forma reorganizam as propriedades do escoamento de ar, diminuindo sua turbulência e, por consequência, diminuindo a emissão de ruídos. Existem diversos estudos analisando as estruturas serrilhadas das asas de corujas3,4. No entanto, a presença das estruturas que se assemelham a pelos começaram a ser estudadas recentemente.

Baseados nesses fatos, cientistas nos Estados Unidos desenvolveram e testaram estruturas impressas com tecnologia 3D que simulam as estruturas presentes sobre as asas das corujas.5 Modelos de pás de turbinas eólicas em escala 1:1 equipados com as estruturas foram testados em túneis de vento e os resultados demonstraram que há uma redução significativa na emissão de ruídos graças à presença destas estruturas. Futuras investigações dessa tecnologia envolvem o processo de fabricação de pás que incorporem essas estruturas de forma robusta. De forma análoga, também é possível que futuros desenvolvimentos da aviação comercial incorporem mecanismos semelhantes para diminuir a emissão de ruídos durante o voo.

Da próxima vez que você estiver pensando em como tornar alguma tarefa ou algum produto do seu dia-a-dia mais eficiente, pare e olhe para a natureza em volta de você. Ela pode te dizer muito mais do que você imagina.

Referências:

1http://backtothefuture.wikia.com/wiki/Mr._Fusion

2https://docs.wind-watch.org/NMS-Wind-Farm-Noise-Human-Perception-April-2013.pdf

3https://www.acoustics.asn.au/conference_proceedings/INTERNOISE2014/papers/p26.pdf

4http://www.springer.com/cda/content/document/cda_downloaddocument/9783662488669-c2.pdf?SGWID=0-0-45-1545366-p177788972

5Ian Clark, David Baker, William N. Alexander, William J. Devenport, Stewart A. Glegg, Justin Jaworski, and Nigel Peake. “Experimental and Theoretical Analysis of Bio-Inspired Trailing Edge Noise Control Devices”, 22nd AIAA/CEAS Aeroacoustics Conference, Aeroacoustics Conferences, (AIAA 2016-3020), http://dx.doi.org/10.2514/6.2016-3020

 

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Impacto Econômico da Malária

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) foram notificados 214 milhões de casos de malária ocasionando 438 mil mortes no Mundo em 2015. Destes, 88% dos casos foram registrados na África sendo que 90% das mortes ocorreram na mesma região1.

Aproximadamente 306 mil crianças menores de cinco anos de idade, que são mais suscetíveis à doença morreram no ano de 2015 globalmente, sendo a maioria dos casos, 292 mil, também na África1.

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Fonte: Thomson Reuters Foundation

“35 países, a maioria deles na África, representam 96% de todos os casos de malária no Mundo.”

 

Como regra geral, onde a malária mais prospera, as sociedades humanas prosperam menos. Esta doença é associada a efeitos negativos na economia dos países africanos onde é endêmica. Desde o ano 2000 o custo médio anual gasto somente para o gerenciamento dos casos da doença é estimado em 300 milhões de dólares. Como esta doença está concentrada em países com baixo PIB per capita, os custos para o seu tratamento têm sido pagos por países com recursos limitados1. Não obstante, a malária não é apenas uma doença associada à pobreza, a própria doença é a causa da pobreza e interfere ativamente no desenvolvimento econômico dos países.

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Fonte: Thomson Reuters Foundation

“Cerca de 40% das mortes causadas pela malária ocorrem em apenas dois países: Nigéria e República Democrática do Congo.”

 

Uma comparação feita entre a renda de países onde a malária é endêmica e países sem malária indicou que países sem malária possuem um PIB per capita cinco vezes maior do que em países com malária. Para estes países a doença é responsável por 30 a 50% dos internamentos hospitalares, até 50% dos doentes nos ambulatórios e até 40% da despesa em saúde pública2.

O impacto econômico causado pela malária engloba as despesas gastas com cuidados de saúde, dias de trabalho perdidos, dias perdidos na educação, diminuição da produtividade devido às lesões cerebrais, migração, demografia e perda de receitas de investimento e de turismo3.

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Fonte: Thomson Reuters Foundation

“Estima-se que a malária cause mais de 12 bilhões de dólares em prejuízo no PIB da África, mas a doença poderia ser controlada por uma fração desse valor.”

 

A malária ainda impacta a economia por ser uma das principais causas de deficiência neurológicas em crianças africanas. Estudos comparativos das funções cognitivas de crianças antes e depois do tratamento para malária grave demonstram a diminuição do desempenho escolar e das capacidades cognitivas. Desse modo, a malária grave e cerebral representam consequências socioeconômicas e se prolongam além das consequências imediatas da doença. Além disso, a malária crônica ainda pode levar a um quadro de anemia nas crianças, prejudicando ainda mais o desenvolvimento e desempenho escolar2.

“Malária gera pobreza e pobreza gera malária.”

 

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Fonte: Thomson Reuters Foundation

“Uma família acometida por malária gasta uma média de ¼ de sua renda para o tratamento da doença.”

 

Essa doença representa um impacto enorme na vida das famílias acometidas, que além de gastarem uma boa parte de sua renda para o seu tratamento, ainda podem perdem dias de trabalho durante o tratamento e ficar com a saúde debilitada pelo resto de suas vidas.

A eliminação da malária de grandes economias como Estados Unidos, Itália, Grécia e Espanha, nas décadas de 30 e 50, foi resultado de desenvolvimento socioeconômico e intervenção intensiva contra a doença. O melhoramento das moradias, combinado com esforços de manejo ambiental, como drenagem de solos alagados para eliminação dos criadouros de mosquitos vetores, eliminaram a malária com sucesso da maioria dos países de clima temperado3.

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Fonte: Thomson Reuters Foundation

“O uso universal de mosquiteiros tratados com inseticida pode reduzir episódios da doença em 50% em áreas com alta transmissão, porém apenas cerca de 2% das crianças africanas dormem sob mosquiteiros.”

 

Porém, não é somente o desenvolvimento econômico e controle do mosquito vetor que vão eliminar a malária da África. Melhorias nas condições de vida e socioeconômicas, moradias adequadas, educação, saúde pública de qualidade, são fatores extremamente importantes e determinantes para a eliminação da doença.

“A diminuição nos casos de malária na Inglaterra foi devida não a fatores naturais ou aplicação de qualquer método preventivo, mas sim devido à melhora progressiva das condições sociais, econômicas, educacionais, médicas e de saúde pública” (James, 1929)4.

 

Quer saber mais sobre o ciclo da malária? Acesse os links abaixo!

Secretária da Saúde – Malária – Em português

Pan American Health Organization – Malaria – Em inglês

Referências

  1. WHO. World Malaria Report 2015. Who. 2015;
  2. Gallup JL, Sachs JD. The economic burden of malaria. Am J Trop Med Hyg [Internet]. 2001;64:85–96.
  3. Sachs JD, Malaney P. The economic and social burden of malaria. Nature. 2002;415(6872):680–5.
  4. James S. The disappearance of malaria from England. Proc R Soc Med. 1929;1–17.
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Gênero e Educação – desafios das relações sociais de gênero na garantia do direito humano à educação.

O debate sobre gênero e educação básica não é novidade no Brasil (VIANNA 2012), principalmente no que se refere aos compromissos assumidos pelo governo brasileiro em documentos internacionais da agenda de direitos de mulheres e jovens[1], concretizados em iniciativas governamentais e não governamentais elaboradas nas últimas décadas no país que tiveram um grande impacto no enfrentamento das desigualdades e no acesso à educação como um direto. É possível dizer que o Brasil vivenciou até agora um período de melhoria significativa em todos os indicadores que medem as oportunidades de acesso e permanência na Educação Básica (SILVA, 2010). Isto trouxe como consequência, a diminuição do número de analfabetos, a universalização de acesso de crianças ao ensino fundamental e um aumento progressivo do número médio de anos bem sucedidos de estudo da população, nas diferentes faixas etárias e em todas as regiões do país.

Normalmente esse aumento significativo na escolaridade e melhora no desempenho delas na educação são apresentados como uma superação do desafio em garantir os direitos das mulheres e o alcance da equidade de gênero. Contudo, o avanço expresso nos indicadores nacionais de educação com relação ao acesso das mulheres à escolarização não é suficiente para explicar, por exemplo, o porquê das mulheres continuarem concentradas em cursos e carreiras consideradas socialmente como “femininas”, com menor valorização profissional e pouco reconhecimento social. E porque elas estão sub-representadas em algumas importantes áreas das ciências e das tecnologias.

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O Informe Gênero e Educação [2](AÇÃO EDUCATIVA; CARREIRA, 2013) foi elaborado para dar visibilidade e qualificar esses questionamentos relacionados à temática de gênero e educação. Este documento questiona o entendimento de setores governamentais e da sociedade civil de que no Brasil os desafios da garantia dos direitos das mulheres e, de forma mais ampla e relacional, a equidade de gênero (entre homens e mulheres) na educação já foram resolvidos. Nessa perspectiva, o Informe problematiza tal visão:

“Se, por um lado, grande parte dos indicadores educacionais mostra que as mulheres se sobressaem em relação aos homens; esses indicadores também comprovam a persistência de graves desigualdades associadas à discriminação sexista, étnica e racial, à concentração de renda, à distribuição desigual de riqueza entre campo e cidade. Se, por um lado, a situação mais favorável para as mulheres do que para os homens no campo educacional revela o sexismo nas escolhas das carreiras acadêmicas; por outro, desnuda a ampliação da desigualdade entre as próprias mulheres. É preciso considerar a interseccionalidade entre gênero, raça, etnia, rural/urbano e orientação sexual para desenvolver políticas específicas que combatam preconceitos, mesmo entre mulheres. A taxa de analfabetismo das mulheres negras é o dobro da taxa das mulheres brancas; e o acesso à educação das meninas e mulheres das áreas rurais é menor, em relação às que vivem nas áreas urbanas. Já entre os povos indígenas a desigualdade de gênero é maior nas matrículas, principalmente no ensino médio”. (p. 22 e 23)

A partir dos dados do Censo 2010 e da PNAD 2011, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e de outras informações e estudos mais recentes, o Informe buscou analisar, debater e estruturar propostas que pudessem enfrentar as inequidades de gênero ligadas à Educação.

O documento é constituído por sete seções: 1) Informações gerais sobre o país; 2) A organização do sistema educativo no Brasil; 3) Legislação nacional e políticas públicas em educação; 4) Desigualdades na educação; 5) A educação em sexualidade na educação pública; 6) Escola e violência sexual e 7) Conclusão: rumo a uma agenda política.

Ao longo do texto é possível perceber que as inequidades de gênero foram estruturadas a partir do fenômeno das multidiscriminações (raça/etnia, renda, orientação sexual, deficiência, origem, idade etc.) vividas pelos sujeitos em decorrência de suas múltiplas diferenças e que elas devem ser levadas em consideração para pensar nas propostas e projetos de enfrentamento desses obstáculos que impactam as trajetórias educacionais de mulheres e homens na atualidade.

O Informe propôs ainda 13 recomendações concretas para a criação de uma agenda de incidência política no sistema educacional brasileiro:

  • Aprofundar a visibilidade e a compreensão das desigualdades de gênero na educação (desagregar, cruzar e analisar) a partir dos dados oficiais de pesquisa, em especial INEP e IBGE;
  • Quebrar as barreiras enfrentadas pelas mulheres e meninas negras e indígenas e ampliar as Ações Afirmativas na Educação; 
  • Melhorar a situação educacional dos meninos e jovens negros e implementar a Lei 10.639/2003 em instituições educativas públicas e privadas;
  • Ampliar o acesso à educação infantil de qualidade; como garantia de direitos às famílias e às crianças
  • Construir e implementar uma política de educação de jovens e adultos (EJA) que enfrente desigualdades e reconheça a diversidade dos sujeitos;
  • Incidir para a implementação do Piso Salarial Profissional Nacional dos(das) Profissionais de Educação e melhorar as condições de trabalho nas escolas e creches;
  • Garantir os conteúdos referentes a relações sociais de gênero e sexualidade na formação inicial e continuada de profissionais da saúde;
  • Defender ativamente o princípio da laicidade do Estado;
  • Promover ações de estímulo a maior entrada das mulheres nas áreas das ciências e dos homens em áreas sociais e do cuidado;
  • Criar protocolo nacional de atendimento de casos de violência de gênero pelas unidades educacionais e fortalecimento da escola na rede de proteção de direitos das crianças e adolescentes;
  • Efetivar nas redes de ensino uma educação para sustentabilidade social e ambiental; Influenciar para a efetivação do Plano Nacional.

O informe pode ser entendido como uma ferramenta para dar “subsídio para o debate amplo, plural e democrático, comprometido com a conquista de avanços concretos e cotidianos e a superação das diversas e profundas desigualdades presentes na educação brasileira.” (p.08) Em tempos de intensos debates e disputas sociais é fundamental que possamos construir estratégias para o entendimento da superação das inequidades de gênero, de orientação sexual e de raça nas instituições educacionais como possibilidades do exercício do direito humano à educação de milhões de pessoas.

 

 

Referência

AÇÃO EDUCATIVA (Coord.); CARREIRA, D. (Coord.) et. al. Informe Brasil – Gênero e Educação. São Paulo: Ação Educativa, 2013. Elaborado para a Campanha Latino Americana por uma Educação Não Sexista e Anti Discriminatória.

VIANNA, C. Gênero, sexualidade e políticas públicas de educação: um diálogo com a produção acadêmica. Pro-Posições, Campinas,v. 23, n.2, p.127-143, mai./ago. 2012.

[1]             Em especial, a Convenção contra a Discriminação no Campo do Ensino (1960); a Convenção para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW/1979); a Plataforma de Ação da Conferência do Cairo sobre População e Desenvolvimento (1994); a Convenção Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (1994); a Plataforma de Ação de Beijing sobre os Direitos das Mulheres (1995); a Conferência de Durban sobre Racismo, Xenofobia e Discriminações Correlatas (2001); a Declaração do México – Prevenir com educação (2008); as Conferências Internacionais de Educação – Jomtien/1990 e de Dakar/2000; e os Marcos de Ação da V e VI Confintea – Conferência Internacional de Educação de Jovens e Adultos (1997 e 2009).

[2]             O Informe Brasil – Gênero e Educação foi produzido no marco da Campanha Educação Não Sexista e Anti Discriminatória (http://educacion-nosexista.org/) pela organização Ação Educativa, com colaboração da organização Ecos – Comunicação e Sexualidade, do CNRVV – Centro de Referência às Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapientiae/SP e da Relatoria Nacional para o Direito Humano à Educação da Plataforma DHESCA Brasil.

Link: http://www.acaoeducativa.org.br/images/stories/pdfs/gen_educ.pdf

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Dois é pouco, três é bom: Para líquens, quanto mais parceiros, melhor.

Líquens são organismos formados a partir da associação entre um fungo ascomiceto e uma alga ou uma cianobactéria. Eles podem ser encontrados nos mais diversos ambientes, do nível do mar a altas montanhas e em praticamente todo tipo de ecossistema. Nessa simbiose, cada organismo tem sua função. O fungo, ou micobionte, forma uma rede de filamentos que abriga a alga ou a cianobactéria, que é chamada de fotobionte. O micobionte fornece proteção, pois mantém o microambiente com condições excelentes para que o fotobionte possa crescer, fazer fotossíntese e assim, fornecer carboidratos e outros compostos orgânicos para o fungo.

Por muito tempo, acreditou-se que o paradigma “um fungo-uma alga” era verdadeiro, mas recentemente o pesquisador Toby Spribille, da Universidade de Graz, e seus colaboradores encontraram um terceiro participante nessa simbiose. Tudo começou quando decidiram por estudar em maiores detalhes o que causava a diferença de coloração entre duas espécies de líquens formadas pelas mesmas espécies de fungo e de alga, Bryoria fremontii e B. tortuosa. Essa diferença de coloração entre as espécies se deve à presença de grandes quantidades de ácido vulpínico em B. tortuosa.

b fremontii e b tortuosa

Variação fenotípica entre Byoria fremontii (à esquerda) e B. tortuosa (à direita).

A princípio, verificaram se essa diferença fenotípica teria origem na variação da expressão gênica, com resultados negativos. Com análises genéticas mais detalhadas, observaram então a presença de uma levedura (fungo basidiomiceto) no córtex das duas espécies, sendo mais abundante na espécie com elevado nível de ácido vulpínico. A partir daí verificaram a presença desse terceiro integrante também em outras espécies de líquens ao redor do mundo. Essa descoberta, além de explicar as variações fenotípicas encontradas em uma mesma espécie, mostrou que existe alto grau de especificidade entre a linhagem de fungo basidiomiceto e as espécies de líquens.

E então você se pergunta qual a importância dessa descoberta. Bem, líquens fazem parte do seleto grupo de organismos pioneiros na colonização de novos substratos, permitindo que outros organismos possam ocupar aquele espaço. Também produzem metabólitos com poder antibiótico. São bastante sensíveis a alterações ambientais, respondendo de maneira bastante rápida à presença de poluentes no ar e no substrato. Assim, funcionam como bioindicadores da saúde do ecossistema. Além disso, muitos líquens vivem por longos períodos e podem ser uma ferramenta na datação de eventos, chamada de liquenometria.

Todos os estudos com líquens até hoje, foram baseados em amostras coletadas diretamente de seu hábitat, pois nunca foi possível crescer líquens em condições axênicas de laboratório. O talo, que é a estrutura formada na simbiose, é bastante complexo, mostrando o alto nível de organização entre os simbiontes. Os talos crescidos em laboratório formam apenas estruturas simples e rudimentares, que em nada se parecem com os talos naturais. Até então, era amplamente aceita a existência de uma diversidade de micro-organismos, especialmente bactérias, necessários à formação dessa estrutura mais complexa, mas a dificuldade de acompanhar essa formação in vitro não permitiu que grandes descobertas fossem feitas.

O conhecimento desse terceiro participante na simbiose abre o leque de possibilidades para que novas tentativas da síntese em laboratório sejam realizadas, a fim de melhorar o que sabemos sobre esses seres complexos e tão importantes na natureza.

Referência: Spribille et al., Science 10.1126/science.aaf8287 (2016) “Basidiomycete yeasts in the cortex of ascomycete macrolichens

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Semeando buracos negros supermassivos (a.k.a os boladões)

Sugestão da autora: Ei, você! Esse texto tá cheio de links! Mas, relaxa aí, que dá para ler tudo de boa, sem comichões e sem abrir mil abas no seu navegador/browser. Vlws, flws!


Boladão

Boladão “thug life”. Duas imagens sobrepostas. A imagem original é uma representação artística de um buraco negro supermassivo rodeado por um disco de matéria que caí sobre ele. Créditos: NASA / JPL-Caltech. Veja a original aqui: http://www.nasa.gov/sites/default/files/thumbnails/image/pia20051-nustarsolo.jpg. A segunda imagem é de um óculos tipo “thug life”.

Buracos negros são a fase final da vida de estrelas com mais de 20 vezes a massa do Sol (ou mais de 20 massas solares, certo?). Sem entrar em detalhes, quando esse tipo de estrela atinge o ápice da fissão nuclear e explode em uma supernova há duas alternativas para o quê sobra da estrela moribunda. Ou ela vira uma estrela de nêutrons ou um buraco negro.

Esse cara, o tal do buraco negro, só tem características bizarras. São objetos extremamente densos, produzindo campos gravitacionais fortíssimos. Imagina um objeto com 10 vezes a massa do Sol em uma trouxinha de 30 Km. Sim! Trinta kilômetros! [Pausa] Pois é! Eles também não emitem luz, ou seja, como a luz viaja com a velocidade mais rápida do Universo e se nem ela é capaz de escapar do buraco negro (uma vez sobre o efeito do campo gravitacional desse carinha), então nada escapa dele! Nada! * E se não sai luz, não sai informação sobre o quê tem lá dentro do buraco negro (ou se tem dentro, lá… #piração).

* Ok! Não é bem assim a história… Buracos negros podem perder massa ao longo do tempo e “evaporar”, num processo processo chamado radiação de Hawking. Mas, essa é uma outra história, uma história quântica. Esta notinha é só para você saber (lembrar?) que nem tudo e preto no branco. E nem mesmo buracos negros são completamente negros (figura de linguagem)  😉

Até agora, falamos sobre buracos negros estelares, formados ao final da vida de estrelas massivas. Mas há uma outra espécie de buracos negros! Essa espécie não é densa como a anterior, mas também não emite luz e são muito muuuuito maiores que os estelares! Tipo, buracos negros estelares têm da ordem de dezenas de vezes a massa do Sol e um diâmetro de dezenas de Km. E essa outra espécie tem… [Pausa dramática] entre um milhão a centenas de bilhões de vezes a massa do Sol empacotados entre uma centena de milhares de Km a algumas dezenas de bilhões de Km! Wowwww!  😮 (Agora fica por sua conta estimar e comparar a densidade dos bichos. Ou não. Hehe!) Esses caras, chamados de buracos negros supermassivos, estão presentes no núcleo de quase todas as galáxias e ninguém tem certeza de como um bichão desses pode se formar no universo. [Pausa reflexiva] “Como?” é a pergunta que o pessoal da astrofísica se faz todo o dia quando acorda até a hora de dormir: Como os boladões surgem no universo? [Mais pausa reflexiva]

Por amor às batatinhas chips! Se você ainda não se impressionou, esquece esse texto e vai fazer outra coisa. Sei lá! Ouve uma música:

Voltando aos buracos negros supermassivos ou aos Boladões, como apelidamos esses caras.

Então, o pessoal da astrofísica tem algumas ideias de como os Boladões podem ser formados, ideias sobre o que pode ter sido a “sementinha” desses caras. A favorita é que objetos compactos cresceram capturando matéria (gás, poeira, etc) que estava dando sopa ao redor deles (se quiser saber mais, dá uma olhada aqui). E esses objetos compactos podem ser estrelas muito massivas, muito antigas que já não existiriam mais no Universo (a, até então, teórica população III) ou objetos formados durante o colapso de estrelas em aglomerados antigos, ou ainda, densas (densíssimas) nuvens de matéria. Em síntese: essas sementes teriam absorvido matéria até atingirem o patamar para se tornarem Boladões.

Tá tudo muito bonito, tá tudo muito bom. Até que o pessoal começou a encontrar Boladões antigos, antigos mesmos. Tão antigos que eles seriam mais antigos do que qualquer um dos três tipos de semente apresentados no parágrafo anterior! [Alerta paradigma! Alerta paradigma!] Pode isso, Arnaldo?

Clique na figura para um wikipédia sobre a idade do universo e como as pessoas medem a idade de diferentes objetos astrofísicos.

Não, não pode! Então, lá vão nossas heroínas e heróis favoritos em busca de outra teoria para explicar os Boladões antigões. Se a chapa já é quente para explicar os Boladões em si, mais tenso ainda é o bagulho para Boladões antigos. Bom, há uma estratégia bastante pop que segue a linha de raciocínio anterior. Os Boladões antigos continuariam a ser formados a partir de objetos compactos que crescem conforme absorvem a matéria ao redor. A questão passa a ser encontrar condições apropriadas nas quais essas sementes seriam formadas sem criar contradições com a idade dos Boladões antigos. E é isso que uma galera anda fazendo pelo mundo a fora: testando sementes e colhendo Boladões (simulando no computador, obviamente). Depois, checando a idade dos objetos simulados com as dos observados no mundo real.

Uma galerinha ousada argumenta que esses objetos compactos teriam sido originados de cordas cósmicas (What!?) formadas logo após a expansão rápida do Universo primordial. Vamos tentar simplificar. Muita gente acredita (isso, claro, baseado na observação e não em crença, certo?) que o Universo teve uma fase de expansão curta, chamada de inflação cósmica. E, por conta dessa transição de fase, foram formadas estruturas lineares muito, muito finas (tipo, tamanho do próton) mas muito, muito longas (tipo, tamanho do Universo), conhecidas como cordas cósmicas (não confundir com Teoria das Cordas! (link) Outro papo para outra hora.). Baseados nisso, uns cientistas do Canadá simularam como seriam os Boladões antigos se fossem gerados por essas sementes de cordas cósmicas. O trabalho original se encontra aqui.

E, aí? Tem mais coisa? Tem! Ô, se tem! Mas, então? Quem tá certo? Ainda não sabemos! E o jeito é esperar mais observações e mais modelos! O assunto não esgota nunca  🙂

Ah! E uma provocação bônus, para finalizar: se os buracos negros estelares têm da ordem dezenas de massas solares e os menores Boladões da ordem de milhão de massas solares, cadê os intermediários? Cadê os buracos negros do meio de campo? Eles não existiram? Por quê não? Eles existiram? Então por que desapareceram? Essas são outras questões queimando a mufa de muita gente…