As mulheres e o direito ao voto

Cartaz do filme “As sufragistas”

Por muito tempo, achei que a luta feminista tinha acabado “lá atrás” com as sufragistas. Se minha imaginação voasse muito, podia até pensar em umas lutas mais recentes, “contra o sutiã” e “pela minissaia” que eu nunca entendi muito bem direito. Daí, no caso brasileiro, surge a Constituição de 1988 e atende a todas as demandas sociais – novamente, era o modo como tudo se passava na minha cabeça, pelo menos, até o final da faculdade.

Foi um acaso que me levou ao tema das lutas feministas no Brasil no meu TCC, no último semestre. Precisava de um recorte social no estudo das medidas trabalhistas de Vargas, a que eu inicialmente me dedicara, e adotei o de gênero. Depois de formada, aderi a um grupo de pesquisas sobre o tema. A tomada de consciência cabal de que eu estava errada em situar todo o “fervor” da luta feminista no pleito ao direito a voto, todavia, não veio de uma só vez. Essa ideia é poderosa como aquela de que bruxas foram queimadas na idade média (todas sabem, porém, que as fogueiras eram acesas pela Inquisição na idade Moderna durante a Contra-Reforma, e nem por isso fazem um exercício contra-factual). Toda ideia falsa repetida mil vezes demora muito a ser desconstruída.

Ainda assim, tenho esperança no poder da internet – a cujo advento, a minha geração assistiu – de disseminar informação para que as pessoas entendam cada vez mais a urgência das pautas feministas atuais. Que elas envolvem medidas ligadas a homens e mulheres na busca pela equidade, o que envolve olhar ambos os pais, por exemplo, como igualmente responsáveis na criação de seus filhos, e que o olhar paternalista e por vezes machista da Justiça é o que leva a tanta alienação parental por todo o lado.

Que homens e mulheres, portanto, na hora de exercer sua cidadania no Brasil esse ano, possam ao menos ouvir as propostas de quem afirma apoiar ou militar na causa feminista, sobretudo a partir de plataformas interativas como a supra-partidária do “Me Representa”. Para que o voto seja não só cada vez mais “consciente”, como algo de foro íntimo, como também “transformador” de consciências, cumprindo, assim, o seu papel democrático em nossa sociedade.

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