Impacto Econômico da Malária

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) foram notificados 214 milhões de casos de malária ocasionando 438 mil mortes no Mundo em 2015. Destes, 88% dos casos foram registrados na África sendo que 90% das mortes ocorreram na mesma região1.

Aproximadamente 306 mil crianças menores de cinco anos de idade, que são mais suscetíveis à doença morreram no ano de 2015 globalmente, sendo a maioria dos casos, 292 mil, também na África1.

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Fonte: Thomson Reuters Foundation

“35 países, a maioria deles na África, representam 96% de todos os casos de malária no Mundo.”

 

Como regra geral, onde a malária mais prospera, as sociedades humanas prosperam menos. Esta doença é associada a efeitos negativos na economia dos países africanos onde é endêmica. Desde o ano 2000 o custo médio anual gasto somente para o gerenciamento dos casos da doença é estimado em 300 milhões de dólares. Como esta doença está concentrada em países com baixo PIB per capita, os custos para o seu tratamento têm sido pagos por países com recursos limitados1. Não obstante, a malária não é apenas uma doença associada à pobreza, a própria doença é a causa da pobreza e interfere ativamente no desenvolvimento econômico dos países.

fig-2

Fonte: Thomson Reuters Foundation

“Cerca de 40% das mortes causadas pela malária ocorrem em apenas dois países: Nigéria e República Democrática do Congo.”

 

Uma comparação feita entre a renda de países onde a malária é endêmica e países sem malária indicou que países sem malária possuem um PIB per capita cinco vezes maior do que em países com malária. Para estes países a doença é responsável por 30 a 50% dos internamentos hospitalares, até 50% dos doentes nos ambulatórios e até 40% da despesa em saúde pública2.

O impacto econômico causado pela malária engloba as despesas gastas com cuidados de saúde, dias de trabalho perdidos, dias perdidos na educação, diminuição da produtividade devido às lesões cerebrais, migração, demografia e perda de receitas de investimento e de turismo3.

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Fonte: Thomson Reuters Foundation

“Estima-se que a malária cause mais de 12 bilhões de dólares em prejuízo no PIB da África, mas a doença poderia ser controlada por uma fração desse valor.”

 

A malária ainda impacta a economia por ser uma das principais causas de deficiência neurológicas em crianças africanas. Estudos comparativos das funções cognitivas de crianças antes e depois do tratamento para malária grave demonstram a diminuição do desempenho escolar e das capacidades cognitivas. Desse modo, a malária grave e cerebral representam consequências socioeconômicas e se prolongam além das consequências imediatas da doença. Além disso, a malária crônica ainda pode levar a um quadro de anemia nas crianças, prejudicando ainda mais o desenvolvimento e desempenho escolar2.

“Malária gera pobreza e pobreza gera malária.”

 

fig-4

Fonte: Thomson Reuters Foundation

“Uma família acometida por malária gasta uma média de ¼ de sua renda para o tratamento da doença.”

 

Essa doença representa um impacto enorme na vida das famílias acometidas, que além de gastarem uma boa parte de sua renda para o seu tratamento, ainda podem perdem dias de trabalho durante o tratamento e ficar com a saúde debilitada pelo resto de suas vidas.

A eliminação da malária de grandes economias como Estados Unidos, Itália, Grécia e Espanha, nas décadas de 30 e 50, foi resultado de desenvolvimento socioeconômico e intervenção intensiva contra a doença. O melhoramento das moradias, combinado com esforços de manejo ambiental, como drenagem de solos alagados para eliminação dos criadouros de mosquitos vetores, eliminaram a malária com sucesso da maioria dos países de clima temperado3.

fig-5

Fonte: Thomson Reuters Foundation

“O uso universal de mosquiteiros tratados com inseticida pode reduzir episódios da doença em 50% em áreas com alta transmissão, porém apenas cerca de 2% das crianças africanas dormem sob mosquiteiros.”

 

Porém, não é somente o desenvolvimento econômico e controle do mosquito vetor que vão eliminar a malária da África. Melhorias nas condições de vida e socioeconômicas, moradias adequadas, educação, saúde pública de qualidade, são fatores extremamente importantes e determinantes para a eliminação da doença.

“A diminuição nos casos de malária na Inglaterra foi devida não a fatores naturais ou aplicação de qualquer método preventivo, mas sim devido à melhora progressiva das condições sociais, econômicas, educacionais, médicas e de saúde pública” (James, 1929)4.

 

Quer saber mais sobre o ciclo da malária? Acesse os links abaixo!

Secretária da Saúde – Malária – Em português

Pan American Health Organization – Malaria – Em inglês

Referências

  1. WHO. World Malaria Report 2015. Who. 2015;
  2. Gallup JL, Sachs JD. The economic burden of malaria. Am J Trop Med Hyg [Internet]. 2001;64:85–96.
  3. Sachs JD, Malaney P. The economic and social burden of malaria. Nature. 2002;415(6872):680–5.
  4. James S. The disappearance of malaria from England. Proc R Soc Med. 1929;1–17.

3 comentários sobre “Impacto Econômico da Malária

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