O uso do tempo (e a falta dele) como objeto de estudo

Uma grande queixa que todas e todos nós ouvimos e/ou fazemos é sobre a falta de tempo. Geralmente ela aparece associada à correria da vida “moderna” e há quem idealize o “antigamente”, onde as coisas eram mais simples e tranquilas. Mas será mesmo?

A Universidade de Oxford, no Reino Unido, possui a maior coleção de diários onde as pessoas registravam suas atividades diárias. A coleção está abrigada no Centre for Time Use Research (Centro de pesquisa sobre uso do tempo, em tradução livre) e abrange 850.000 registros das vidas diárias de pessoas em quase 30 países num período de 50 anos.

A percepção que temos hoje é de que trabalhamos mais do que nossos pais e avós, mas os diários  mostram que o número de horas trabalhadas não sofreu grandes alterações – ao menos não nos países desenvolvidos onde os dados foram coletados. Uma mudança significativa é que mulheres passaram a trabalhar mais horas fora de casa. Com isso, homens passaram a fazer mais trabalho não remunerado (como o doméstico). Na média, no entanto, o número de horas trabalhadas (em trabalhos remunerados e não remunerados) permanece praticamente o mesmo há 40 anos. Um grupo demográfico que tem, de fato, trabalhado mais, é o de mães e pais solteiros.

Um ponto levantado pelo sociólogo Jonathan Gershuny, fundador e co-diretor do Centro, é a de que se dizer ocupado virou uma “medalha de honra” nos nossos dias. De fato, parece haver uma “glamourização” em estar sempre ocupado e sem tempo para nada – ainda que isso não seja necessariamente verdade.

Além de pesquisas sobre o uso do tempo, os diários tem servido como fonte para outros estudos, como cuidado com as crianças, gasto de energia e obesidade. O desafio para o Centro, agora, é continuar coletando material. Uma nova forma de fazer isso está sendo testada: trata-se de um acelerômetro no pulso e uma pequena câmera no pescoço, que tira fotos a cada 3 minutos. Até agora, 150 pessoas já passaram 24 horas com os equipamentos. Abaixo, um vídeo sobre o dia de uma das participantes.


Fonte: PEARSON, Helen.The lab that knows where your time really goes

Site do centro: Centre for Time Use Research

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