Olha pro céu, meu amor!

“Abri asas confiantes no espaço e elevei-me em direção ao infinito, deixando para trás tudo o que os outros se esforçavam para ver ao longe. Aqui não há em cima, em baixo, não há beira nem centro, eu vi que o sol era só outra estrela e que as estrelas eram outros sois. Cada um deles acompanhado por outras terras como a nossa, a revelação dessa imensidão foi como se apaixonar”

(Giordano Bruno sobre uma nova visão de universo, 1578 – Transcrito da Série Cosmos: Uma Odisséia no Espaço)

Imagem da Lua Eclipsada em outubro de 2004, na Flórida. Fonte: http://science.nasa.gov/science-news/science-at-nasa/2007/12feb_lunareclipse/

Imagem da Lua Eclipsada em outubro de 2004, na Flórida. Fonte: http://science.nasa.gov/science-news

Nesse exato momento estamos nos aproximando a uma velocidade de 108.000 Km/h do ponto onde nos colocaremos entre o Sol e a Lua, imergindo nosso satélite natural nas sombras e ocasionando um belíssimo fenômeno natural: o Eclipse Lunar.

Uma espécie de êxtase me percorre a espinha quando imagino esses corpos incrivelmente gigantescos – Lua, Terra e Sol – se movendo a altíssimas velocidades no infinito até que se alinhem e a Lua mude de cor, deixando sua aparência imaculada e assumindo o aspecto avermelhado, que nos levou ao apelido de Lua Sangrenta.

Hoje, não menos que majestosamente – além de eclipsada, a Lua estará em seu perigeu [1]. Isso significa que, nesta noite a Lua estará o mais próximo possível da Terra, neste ano. Significa também que isso será, provavelmente, uma espécie de “Top 10” do mais próximo que você chegará da Lua em toda sua vida – a menos que tenha intenção de ser astronauta um dia.

Desde os primórdios da humanidade, civilizações muito mais íntimas do céu do que a nossa observam, descrevem, temem e se propõem a explicar os eclipses. Os índios Tupi-Guarani, por exemplo, descrevem o fenômeno como o assassinato da Lua por um espírito das trevas [2]. Sendo a Lua e o Sol divindades irmãs, o Sol viria logo após cada assassinato, lavaria o sangue do irmão mais novo – a Lua – e o ressuscitaria com seu poder supremo. De rituais de bruxaria até outros que procuram acalentar almas temerosas, o elipse está sempre imerso em aspectos místicos.

Nos dias de hoje podemos observar este fenômeno, inclusive de fora da Terra, com uma percepção estendida. Na figura abaixo segue uma ilustração da posição dos astros (e estrela) que protagonizam este espetáculo noturno.

Eclipse Lunar. Fonte: Observatório Nacional.

Eclipse Lunar. Fonte: Observatório Nacional.

Sendo assim, proponho duas reflexões que considero pertinentes para uma melhor compreensão do que iremos assistir hoje:

  1. Se a Lua dá voltas em torno da Terra, com duração de um mês, por que não temos um eclipse em Toda Lua Cheia, quando a Terra está entre ela e o Sol?
  2. Se a Lua entra na sombra da Terra, por que não se torna negra, como num eclipse Lunar, mas ganha uma aparência avermelhada?

[Deixo como questionamentos, mas obviamente são respostas de fácil acesso ou que poderiam ser discutidas nos comentários, na página do facebook ou por mensagem. Um pouco mais de informação sobre hoje também está disponível no vídeo feito pelo Observatório Nacional com a explicação da pesquisadora Josina Nascimento, neste link aqui.]

Todo mundo que estiver vendo a Lua hoje a noite, a verá eclipsada. Se as nuvens não colaborarem, você também pode dar uma espiadinha em sites que transmitirão o evento ao vivo nesses links aqui, aqui ou aqui. Nessa primeira semana de primavera, este acontecimento, não tão raro, mas que hoje ganha adornos especiais promete não decepcionar.

Por fim, das muitas coisas que poderiam ser ditas sobre o eclipse e num mundo onde temos cada vez menos oportunidade de observar o céu noturno, sugiro aproveitar essa maravilhosa evidência de que não somos o centro do Universo. Acima de nossas cabeças, mais eventos do que poderíamos contar ocorrem a cada segundo na imensidão do espaço. Alguns, para que sejam observados, exigem cautela e equipamentos específicos. Hoje porém, basta olhar pra cima mantendo olhos e mente abertos.

Céus limpos a todas as pessoas!

[1] http://www.on.br/conteudo/noticias/Eclipse-total-da-Lua_24-09-2015

[2] Scientific American Brasil, disponível em http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/mitos_e_estacees_no_ceu_tupi-guarani.html

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