Novas descobertas sobre a ocupação nas Américas

O continente americano foi o penúltimo a ser povoado (ficando atrás apenas da Antártida). Como se deu esse processo ainda é uma questão em aberto, mas, no mês passado, duas revistas científicas importantes publicaram artigos que contribuem para entendermos um pouco melhor as origens dos primeiros habitantes. A seguir apresentamos um resumo sobre os dois artigos e suas conclusões.

Science

O artigo publicado na revista Science afirma que as populações ameríndias derivam de uma única onda migratória ocorrida, no máximo, há 23.000 anos. Partindo do extremo leste da Ásia, o grupo teria ficado estacionado na Beríngia (uma faixa de terra existente à época, que conectava a Sibéria e a América do Norte, e que hoje está submersa) por até 8.000 anos e depois chegado no que hoje é o continente americano. Depois disso, o grupo teria se dividido em dois: uma parte ficou no norte e a outra no norte e no sul.

O estudo analisou o DNA tanto de populações nativas atuais quanto de restos mortais de nossos antepassados. É por isso que populações nativas compartilham carga genética com os povos asiáticos, como os sibérios.

Nature

Também analisando genomas, o artigo publicado na revista Nature chegou a conclusões diferentes das publicadas na Science. Para esse grupo de pesquisadores, os traços genéticos do Pacífico Sul foram trazidos por uma segunda onda migratória. Essa população migrante já seria, ela mesma, fruto de miscigenação entre os povos da Melanésia com asiáticos e foram chamados pelos pesquisadores de grupo Y (de Ypýkuera, ancestral em tupi).

Embora nenhum dos estudos seja o ponto final sobre o tema, eles trazem novas e importantes questões para o debate. A genética tem auxiliado – e muito – as novas pesquisas e talvez daqui a alguns anos já teremos mais conhecimento sobre as origens das populações americanas, suas miscigenações e migrações.

Um ponto que vale destacar, ainda, é que os dois estudos contaram com a participação de cientistas brasileiras: no caso da Nature, integram a pesquisa e assinam o artigo Tábita Hünemeier  (USP), Maria Cátira Bortolini (UFRGS) e Maria Luiza Petzl-Erler (UFPR). A arqueóloga Niède Guidon, da Fundação Museu do Homem Americano (PI)  contribuiu para a publicação na Science. Ela mesma, no entanto, não acredita nas conclusões do estudo. Para Niède, as duas pesquisas se referem a populações mais recentes, mas ela acredita que o continente já era habitado há mais tempo por populações que saíram da África e cruzaram o Oceano Atlântico (que na época seria mais raso) há pelo menos 80.000 anos.

Fontes:

SKOGLUND, P. et alGenetic evidence for two founding populations of the Americas.Nature. 21 de jul. 2015.

RAGHAVAN, M. et alGenomic evidence for the Pleistocene and recent population history of Native AmericansScience. 21 de jul. 2015.

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