Novos Horizontes Para As Mulheres Brasileiras

Após nove anos e meio de viagem a sonda New Horizons chegou ao seu primeiro destino, o sistema Plutão-Caronte, causando grande alvoroço entre astrônomos e a mídia. Quando lançada em 2006, alguns dos satélites de Plutão acabavam de ser descobertos e outros ainda estavam por ser descobertos, e Plutão, acabou por ser “rebaixado” a planeta-anão.

Quando descoberto, em 1930, Plutão foi recebido com muito entusiasmo, e nomeou personagens de desenhos, o Pluto, e até elementos químicos, o plutônio. Plutão é classificado hoje como planeta-anão, ou seja, orbita em torno do Sol, está em equilíbrio hidrostático ( que ocorre quando a compressão devido à gravidade é equilibrada por um gradiente de pressão, que cria um gradiente de pressão na direção oposta, é responsável por manter estrelas de implodir e para dar planetas sua forma esférica), porém não foi capaz de “limpar” sua órbita, a qual contém diversos planetesimais.

Em 1978, foi descoberto seu primeiro “satélite”: Caronte. Mais tarde foi descoberto que se tratava de um sistema binário, pois Caronte tem mais de um décimo da massa de Plutão, e portanto não é apenas seu satélite. Em 2006, foram descobertos dois satélites no sistema Plutão-Caronte (Nix e Hydra) e em 2012, outros dois foram encontrados (Estige e Cérberos). Foi visto que todos eles orbitam o centro de massa do sistema Plutão-Caronte e não apenas Plutão, como comumente é pensado.

A New Horizons contou com a participação de dezenas de cientistas e, dentre eles, muitas mulheres. A Nasa reconheceu a importante participação das mulheres e chegou até a fazer uma publicação com uma foto do grupo de mulheres envolvidas no projeto.

http://www.nasa.gov/feature/the-women-who-power-nasa-s-new-horizons-mission-to-pluto

Além das mulheres da foto, a New Horizons teve contribuições importantes de mulheres brasileiras. A pesquisadora e professora Silvia Giuliatti Winter, do Grupo de Dinâmica Orbital e Planetologia, Universidade Estadual Paulista (Campus de Guaratinguetá) e outras pesquisadoras brasileiras contribuíram diretamente para o excelente resultado da missão. Na época, alunas orientadas pela professora Silvia, Ana Helena e Maria Rita (ambas estudantes da Unesp na época) começaram um estudo para mapear regiões de estabilidade nas proximidades do sistema Plutão-Caronte. As regiões de estabilidade do sistema podem conter detritos ou mesmo novos satélites, o que poderia atrapalhar ou até mesmo acabar com a missão da New Horizons, mas que por outro lado poderiam ser bons lugares para se apontar os equipamentos da sonda a fim descobrir novas características do sistema.

No contexto deste trabalho, a pesquisadora e professora da UERJ Pryscilla Pires, na época aluna de doutorado orientada pela professora Silvia, obteve resultados interessantes. Seus resultados renderam a atenção de uma das chefes da missão, Leslie Young, que as levou à equipe da New Horizons para que apresentassem seu trabalho. Lá, as pesquisadoras mostraram as melhores trajetórias para a sonda, evitando a colisão com outros objetos e o melhor posicionamento da câmera para a captura de imagens.

No dia 14 de Julho de 2015, a sonda fez sua aproximação ao sistema Plutão-Caronte e começou a medir os corpos através de espectrômetros que funcionam como incríveis câmeras. Durante toda a manobra, a sonda fez apenas um breve contato com a Terra, já que para se comunicar com a Terra a sonda deve parar as medidas que está fazendo. Só quando se afastar bastante e não houver mais o que registrar a sonda começará a passar todos os dados, o que deve levar cerca de 6 meses. De onde a sonda está neste momento, cada dado leva mais de 4 horas pra chegar aqui na Terra.

A próxima missão da sonda é obter informações de um objeto no Cinturão de Kuiper, localizado entre 30UA e 50UA do Sol (1 UA = Distância entre o Sol e a Terra). Este cinturão contém resquícios da formação do Sistema Solar, e a sonda deve chegar lá apenas em 2019.

A New Horizons estará ativa até 2030, quando seu combustível nuclear, o elemento químico plutônio, deixará de fornecer energia, mas os dados que está obtendo e ainda vai obter levarão muito mais tempo para serem processados.

Mais informações e imagens podem ser encontradas nos sites:

http://www.nasa.gov/mission_pages/newhorizons/main/index.html

http://simetriadegauge.blogspot.com.br/2015/07/plutao-combustivel-para-novos-horizontes.html

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