Assunto de família: E nossos irmãos neandertais?

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Como toda teorização do passado que se preze, o envolvimento de Homo sapiens com Homo neanderthalensis sempre causou furor na comunidade científica. A relação entre o homem moderno e seu parente congênere sempre foi um assunto que rendeu discussões sem fim. Afinal, existiu ou não cruzamento entre essas duas espécies tão aparentadas?

Embora alguns pesquisadores já tivessem observado traços de DNA neandertal no Oriente Médio, indícios de uma resposta mais concreta foram encontrado no genoma de um Homo sapiens que viveu na Europa há 40 mil anos atrás.

Para quem é ainda leigo no assunto, cerca de 45 a 50 mil anos atrás os únicos humanos (gênero Homo) viventes naquele continente eram os Homo neanderthalensis – o que despertou em muito a curiosidade dos pesquisadores, pois cerca de 10 mil anos depois essa espécie foi completamente extinta, dando lugar ao conhecido homem moderno. A forma drasticamente rápida como isso ocorreu levou a diversas especulações e algumas teorias extremistas como a de que o homem moderno, na verdade, teria predado os neandertais até sua completa extinção.

Com a análise genômica atual, no entanto, foi possível identificar uma quantidade alarmante de DNA pertencente aos neandertais em um espécime claramente identificado como humano moderno (Ufa! Ninguém caçou ninguém até onde se saiba…). Uma descoberta anterior já havia identificado esse cruzamento, com níveis bem mais baixos do DNA congênere.

A descendência

Diferente do que muitos acreditam, Homo neanderthalensis não é nosso ancestral direto. Essa espécie evoluiu de forma independente do mesmo tronco que a linhagem Homo, porém dividimos um ancestral comum (Homo ergaster). É interessante observar com o auxílio de novas tecnologias que, embora os neandertais não tenham continuado sua caminhada sobre a terra, os cruzamentos com os humanos modernos foram muito vantajosos (diria até indispensáveis) para essa segunda espécie. Todos os loci comtemplados com DNA neandertal são de alguma forma relacionados à produção de melanina e pelos mais grossos. Segundo Sriram Sankararaman, autor de um artigo sobre esse mesmo assunto (publicado na revista Nature em  2014), talvez  sem essa “ajuda” genética a expansão da espécie fora do continente africano não fosse possível, uma vez que o clima europeu e asiático são bem diferentes do local de origem.

E o que mais?

A grande quantidade de DNA neandertal encontrado nos espécimes europeus reforça a teria da convivência entre as duas espécies. Um a quantidade grande indica que a coexistência durou bem mais do que se imaginava. Esse fato pode levantar diversas questões sobre o que pode ter sido herdado geneticamente dos H. neanderthalensis. Ainda sobre o artigo de Sankararaman, algumas doenças e “bugs” do sistema imune podem ter sido herdados da outra espécie. Pode ser um passo bem importante para futuras descobertas!

Fonte: Sankararaman, . et. al. The genomic landscape of Neanderthal ancestry in present-day humans. Nature 507, 354–357 (2014)

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