Química das sensações

As sensações e as percepções estão presentes em todos os momentos das nossas vidas e são elas que nos tornam únicos!

Em matéria intitulada “Pesquisa explica o universo das sensações”, de outubro de 2004 (edição 268), o Jornal da Unicamp apresentava um trabalho de mestrado que utilizava conceitos da química, física, biologia e de outras áreas do conhecimento para explicar como são provocadas as sensações que envolvem a visão, audição, olfato, tato, paladar, dor, variações de temperatura e as emoções. Aquela dissertação desenvolvida por Carolina Godinho Retondo com orientação do professor Pedro Faria, junto ao Instituto de Química da Unicamp, resultou no livro paradidático “Química das sensações”.

Autora liga conceitos de química, física e biologia com os sentidos

Segundo a autora, as sensações e as percepções estão presentes em todos os momentos da vida e são elas que tornam os seres humanos únicos, capazes de interagir entre si, formando sociedades, culturas ou grupos. Por isso é importante compreendê-las. Sua proposta é explicar como são percebidas as substâncias naturais ou sintéticas – corantes, açúcares, adoçantes, aromatizantes, fragrâncias, analgésicos, anestésicos, drogas de abuso, dentre outras. “Tudo isso é muito complexo e requer o entrelaçamento de conhecimentos de diversas áreas. Por isso o texto aborda e utiliza conceitos de química, física, medicina, psicologia e de filosofia”, acrescenta.

Graças às sensações nos seres humanos, nos classificamos como um ser perceptivo a tudo em torno de si, tornando cada lembrança presenciada única em nossas vidas.

A percepção está associada à memória, à emoção, ao pensamento, à imaginação, à linguagem e à aprendizagem. Schrödinger também se atreveu a estudar o funcionamento da mente e sua relação com a matéria. Ele afirmou que o mundo é incolor, frio e mudo, já que as características cor, som e calor são nossas sensações imediatas.

O cérebro, que é responsável por reconhecer todas as sensações e formar as percepções, faz parte de um sistema mais complexo de onde também fazem parte a medula espinhal, o bulbo, o cerebelo, o tronco encefálico e os nervos cranianos.

Os neurotransmissores são moléculas simples, tais como: aminoácidos, aminas e peptídeos. Entre eles temos: glicina, glutamato, acetilcolina, serotonina, histamina, dopamina, noradrenalina e adrenalina. Quando sentimos uma emoção muito forte, podemos liberar adrenalina e noradrenalina. A dopamina age nos sistemas do cérebro envolvidos com os comportamentos motivados, como a fome, a sede, o sexo e a busca do prazer. Uma superatividade das sinapses desse neurotransmissor pode desencadear a esquizofrenia.

As diferenças de sensação de sabor são moléculas que possuem a propriedade de fazer ligações de hidrogênio com os receptores da língua. Os compostos que são sentidos como amargos também possuem grupos que formam ligações de hidrogênio com o receptor sensível ao sabor amargo.

Já as moléculas de sensações de odor e aroma são os quimiorreceptores que estão localizados em uma parte do nariz chamada de epitélio olfativo.

As principais moléculas que alteram as nossas sensações de dor são a morfina e a codeína, que também são alcalóides usados como analgésicos. Como os demais opiáceos, geram grande dependência física e psíquica como a morfina (que é absorvida pela mucosa intestinal passando assim para a corrente sanguínea), atingindo o cérebro, onde age no tálamo e interage com receptores de alguns neurotransmissores.

Agora você pode ser mais perceptivo em relação ao mundo: lembre-se que a cada interação com o meio à sua volta, a química está envolvida!

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Fontes:

http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/junho2006/ju327pag4b.html

Carolina Godino Retondo & Pedro Faria. A Química das Sensações. Editora Átomo, 2006.

Para saber mais: https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxybGd1aW1hcmFlc3xneDo3MTcxYjg5YTA2ODgxNDRi

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Um comentário sobre “Química das sensações

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